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martes, septiembre 22, 2009
A ASSUSTADORA PASSAGEM DO TEMPO
Acompanhar a passagem do tempo é um exercício assustador. Exemplo: já faz quinze anos que o Brasil conquistou o tetracampeonato na Copa dos EUA. QUINZE. A queda do Muro de Berlim foi quatro anos antes, e parece que foi em outra vida. Mas o tetra de 94 parece que foi ontem. Eu lembro os placares de todos os jogos do Brasil, e consigo lembrar quem marcou os gols da Seleção sem muito esforço. Isso é um exemplo um tanto quanto aleatório e que talvez nem se aplique ao caso para uma constatação: a gente cresce, envelhece e amadurece muito entre os 18 e os 23 anos. Posso dizer isso com uma certa autoridade, já que estou a alguns dias de deixar essa faixa etária. E esse é o balanço que eu faço da minha vida como maior de idade. Quando a gente faz 18 anos, está doido pra aproveitar as vantagens de ser maior: beber, dirigir, consumir pornografia legalmente, comprar cigarros e o escambal. Seria a tal independência. Só que a maioria da molecada (pegando o meu círculo social como amostragem) continua moleque: não trabalha, não tem dinheiro pra tirar carteira de motorista, dirige o carro dos pais, continua morando na casa dos pais... Enfim, sobrou a bebida. Então a molecada bebe pra se afirmar e pra mostrar que é maduro. Quanto mais bêbado, mais maduro. Aí vem a época da faculdade. E você quer beber mais e ir a mais festas, porque acha que é isso que as pessoas mais velhas que você fazem. Não raro, a molecada vai arrumar seu primeiro emprego, talvez um estágio. E agora que se sentem integrados à grande massa trabalhadora brasileira, reclamam de chefe e da rotina desgastante de cinco horas de trabalho por dia. Depois bebem, pra continuarem se sentido maduros. Já no fim desse ciclo (e acho que é o meu caso), todo mundo começa a fazer planos do estilo “Friends” – aqueles do tipo comprar um apartamento, um carro e arrumar um amigo para casar caso chegue aos 35 anos sem casar. Uma imensa bobagem. Caramba, neguinho está com 23 anos e já está preocupado se vai encontrar gente pra casar? Enfim, apesar da vontade desnecessária de dar passos maiores que a perna, essa idade em que nossas prioridades mudam muito mesmo. Talvez mais do que na adolescência. Basta ver que, aos 23 anos e com mais juízo na cabeça, ninguém mais se veste como um moleque de 18 – e se o faz, é imbecil mesmo. É preciso encarar os fatos: somos praticamente adultos. Talvez tenha sido o grande balanço que eu faço do passar desses cinco últimos anos. Praticamente virei um adulto. Posso não estar naquela época de casar, ter filhos, comprar carro e alugar apartamento, mas essa época de responsabilidades está mais próxima. Hoje (e já há algum tempo), eu já não tenho saco para alguns amigos que vivem fases diferentes. Não tenho saco para conhecer gente mais nova. Não tenho paciência para papo de molecada de faculdade. Não quero gente que vive em função de bebida e festa. Não quero modismos e gente que não dá passos à frente. Nada, nem perto. Talvez o tempo abra nossos olhos para muita coisa. A principal é que a gente só é feliz de verdade se viver o próprio tempo.
Por EMANUEL NOVAES às 5:15 PM
| martes, septiembre 08, 2009
A VOLTA AO MUNDO EM 80 COISAS LEGAIS PRA CARALHO
Vocês sabem que não atualizamos esta sessão há mais de um ano, não? Se sim, sabem que provavelmente eu não terminarei essa lista em vida. De qualquer forma, vamos ressuscitar a ideia, OK? 5. Suécia Depois de passarmos por Argentina, Nova Zelândia, Japão e Itália, vamos para a Europa Setentrional. A Suécia é terra da Volvo, da Scania, de Henrik Larsson, da rainha Sílvia, de Ingmar Bergman e de uma das bandeiras mais bonitas do mundo. Só que é impossível falar de Suécia sem lembrar do ABBA. Os suecos são prósperos em produzir sucessos do pop e do rock. De lá vieram nomes como Roxette, Millencollin, The Cardigans, A-Teens e The Hives. Só que tudo isso só deu certo porque, lá no começo, deu certo a química entre Björn Ulvaeus, Benny Andersson, Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad. Aliás, certo até demais. Resumo da ópera: Björn e Benny eram membros de bandas diferentes. Dentro dos estúdios, ficaram amigos e foram convencidos a compor e a trabalhar juntos. Mais tarde, Agnetha (a menos loira das duas) se apaixonou e se casou com Björn, que convidou a respectiva para participar no primeiro álbum que ele gravaria com Benny. Na mesma época, Anni-Frid (a mais loira) era uma cantora de relativo sucesso na Suécia. E assim como aconteceu com Agnetha, ela se apaixonou por um membro do ABBA - no caso, Benny. Também foi chamada para gravar o álbum dos dois marmanjos. E o resto é história, iniciada em 1972 e encerrada dez anos depois. Podem dizer que as músicas são bregas (e alguma são mesmo), mas a maioria emplacou. Todo mundo sabe cantar “The Winner Takes it All”, “Chiquitita” e “Dancing Queen”, não sabe? Em 1979, o ABBA (que vocês já perceberam ser um “acróstico” com o nome dos integrantes) lançou o disco “Voulez-Vous”, com a empolgante faixa-título. Entendo pouco da letra. Mas escuto direto. Enfim, como boa parte desses projetos de casais de amigos, o ABBA sucumbiu às tretas internas. Mas enfim, deixou seu nome na música e no automobilismo – sim, pois um país que teve Scania e Volvo precisava botar um piloto na Fórmula 1 com o patrocínio da banda. Slim Boggurd, baterista do ABBA, agradece! Obs: Na verdade, o vídeo acima não é o clipe, mas uma música coberta com imagens do clipe. Quem quiser ver o vídeo original, que o ABBA não libera lá no YouTube nem a pau, clique aqui!
Por EMANUEL NOVAES às 1:02 AM
| martes, septiembre 01, 2009
GLOSSÁRIO LA CUCARACHA DE PARTIDOS POLÍTICOS
Entender política no Brasil é um negócio para poucos bravos. Basta ver o horário eleitoral: todo mundo é um pouco democrata, um pouco social, um pouco trabalhista... Mas sempre por você! Oras, mas se todo mundo é igual e defende o eleitor, por que é que não fica todo mundo amiguinhos e governa junto? Críticas a parte, decidi fazer, de maneira meio empírica, um pequeno glossário para entender o que quer dizer o nome de cada um dos partidos que compõem a sopa de letrinhas da política brasileira. Eu não sou lá um grande especialista no assunto, mas acho que entender o nome dos partidos já é um passo para descobrir o que defendem (ou deveriam defender) o pessoal que pede nosso voto. Talvez tenhamos algumas barbaridades no glossário de termos abaixo – e acho que o Fábio será a pessoa mais indicada para apontá-las, já que ele entende mais do assunto do que eu. Mas se eu, que sou leigo no assunto, interpreto errado o nome do partido, a culpa não é minha – quem mandou batizar sua legenda com um nome sem sentido? Enfim, que venham os verbetes: do Brasil: Está no nome do PC do B, a sigla menos sigla (e mais curiosa) da política nacional. A explicação é (ou deve ser) a mesma de “Brasileiro”, logo abaixo. Presente também no PT do B, um partido um tanto quanto obscuro e inútil. Brasileiro: É o B em 90% dos artigos que o ostentam, com o PMDB, o PTB, o PSB e o PSDB. Usado para apontar que o partido é daqui. Parece besteira, mas não é, já que muitos dos partidos aqui são ramificações de movimentos internacionais – caso do extinto PCB. No entanto, é bem verdade, em alguns dos casos atuais, o “Brasileiro” é só pra encher lingüiça mesmo. Seria como chamar um partido de Partido Político Brasileiro – todos eles são, não? Causa: O C no PCO, Partido da Causa Operária. Deixa bem claro (aliás, você irão perceber, como em todos os partidos de esquerda) o motivo de sua existência: defende a causa dos operários, e pronto. Imagino que, no que diz respeito aos operários, o PCO não defenda apenas os metalúrgicos e tal, mas todos os empregados em geral. Pena a cartilha tão radical, utópica e ultrapassada. Cristão: O C do PSC (Partido Social Cristão), por exemplo, e do PSDC (Partido da Social Democracia Cristã, ou Partido do Eymael). Em tese, seria ligado à Igreja e defenderia os pobres, a moral e as causas sociais. Parece coisa de esquerda, não? Sim, mas o PSC é de direita, e o PSDC, ainda que bonzinho, não é exatamente um partido posicionado. Como se explica isso? Bom, a Igreja tem todo um apreço pelas causas da esquerda, enquanto a esquerda mais pragmática quer mais que a Igreja vá lamber sabão. Vai entender! Comunista: O C em boa parte das siglas. Joga as claras: é comunista, defende o comunismo. Ah, se todos os partidos fossem tão diretos assim... Democratas: É o nome completo do DEM, o único partido do Brasil cujo nome não começa com “Partido”. Enfim, não diz muito a que veio seus filiados, lá que a principal bandeira do DEM é o Liberalismo. Aliás, será que alguém no Brasil é contra a Democracia? Democrático: É do D do PDT, um dos principais partidos de centro-esquerda do Brasil, e do PMDB, um dos grandes partidos em cima do muro da década. Como se sabe, o PDT preza pelo Trabalhismo (procurem artigo correspondente). No fim, qualquer partido de um país democrático deve ser democrático, não? Se tudo der certo internamente, uma eleição interna é vencida pelo voto da maioria. Ou seja: “Democrático”, no caso do PDT, é um pleonasmo. Humanista: O H do pequeno PHS, Partido Humanista da Solidariedade. Humanismo, para quem não sabe, é a doutrina que prega o distributismo (um nome auto-explicativo, acredito) e a moral cristã. Pode parece um pouco ingênuo, mas eis uma filosofia política que merecia mais atenção. Enfim, outra sigla que mostra logo o que defende. Liberal: É o L do PSL (Partido Social Liberal) e do finado PFL. Liberalismo, a grosso modo, defende as intervenções que dinamizem a economia. O social-liberalismo, no caso do PSL, é adepto das intervenções do Estado para tal feito. Já o PFL (atual DEM) é mais adepto das técnicas privadas. Liberdade: Está no nome completo do PSOL – a saber, Partido Socialismo e Liberdade. O nome é meio um ajuntamento de ideologias, que quase dá liga (enquanto nome, não enquanto ideologia). Tudo bem que pode ter uma explicação mais aprofundada, como “estávamos cansados das amarras da politicagem do PT”, mas é meio nonsense imaginar que a primeira bandeira de um partido atual seja a liberdade, não? Digamos que o despotismo não é tão às claras assim... Mobilização: O M do PMN, o Partido da Mobilização Nacional. Como todo partido de tendências esquerdistas, também tem um cartão de visitas forte, e explica logo que quer mobilizar o país. Agora, não me perguntem o porquê do nome, já que o objetivo da mobilização não fica claro à primeira vista. Um partido que, historicamente, já defendeu causas como o rompimento com o FMI (uma bobagem) e a reforma agrária merecia um nome melhor. Movimento: Aqui, o M do PMDB, Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Neste caso específico, o MDB veio antes e foi de grande utilidade na Ditadura Militar. Com o advento da democracia, o movimento em si ficou meio sem ter o que fazer. Botaram um P no começo do nome e pronto: passaram a zelar pela manutenção da democracia, afastando a possibilidade de uma intervenção militar ou da invasão de comunistas comedores de criancinhas. Ou seja: o Partido do Movimento é, na verdade, o Partido da Inércia. Vejam vocês, que ironia... Nacional: Salvo raríssimas exceções (e olha que a regra nem é tão ampla para permitir exceções), é o mesmo caso de “Brasileiro” (vide verbete). É o N de PMN e PTN, e acho que só. Operária: Vide o verbete “causa”. Na política brasileira, uma palavra depende da outra. Partido: Partido é Partido, cacete! Todos eles – exceto o DEM – têm o P no começo do nome. Se você não sabe que partido é o grupo com ideais políticos semelhantes que se une para tentar determinada liderança, você é burro! Popular: Está presente em partidos como o PPS (Partido Popular Socialista), herdeiro do PCB. Em tese, o Popular faria parte de partidos que aceitam todo mundo, que está de bem com o povão – ou seja, de centro-esquerda. OK, a idéia deve ser passar uma mobilização coletiva e tal, mas fica faltando alguma coisa, não? Progressista: É uma palavra bonita, presente no nome do PP. Mas, como dito na Wikipedia, “apesar da denominação ‘progressista’, o partido ainda é o maior representante do Conservadorismo (o oposto do Progressismo)”. O primeiro conceito, um tanto quanto antiquado, defende as mudanças graduais; o segundo prega evoluções constantes e dinamismo da sociedade. No fim, nenhum dos dois conceitos vale muita coisa – só que “conservadorismo” soa muito pior. O PRP também é progressista (aliás, republicano progressista), e deve ser mais progressista que o PP. Renovador: O R que adjetiva o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). Digamos que é uma tentativa mais aguerrida do PTB e do PTB. Talvez seja o nome mais esclarecido de partido do Brasil, já que realmente defende uma renovação do trabalhismo – ou quase, já que as bandeiras defendidas não são atualizadas há uns 60 anos. Ou seja: em tese, o “Renovador” é ótimo. Já na prática... República: É o R do jovem PR. Sejamos razoáveis: baita nome genérico, não? Juntaram dois partidos nanicos (PL e Prona) e fizeram um com o nome que agradasse a gregos e troianos. Ora, até onde eu sei, vivemos na República Federativa do Brasil – logo, a menos que surja um partido parlamentarista (o que não faria qualquer sentido), qualquer partido aqui é partido da república. Republicano: É a grande identidade do PRB, o partido originado do Partido Municipalista Renovador (PMR). Ou seja: deixou um nome um tanto quanto lero-lero para assumir uma identidade que defende praticamente a cor azul do céu. Repito: enquanto não houver um partido monarquista para fazer concorrência, não há qualquer sentido na existência de um partido que defenda algo que já exista no Brasil (e nada além disso). Social: É o S do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e do PSC (Partido Social Cristão). Juro que ainda estou tentando entender o que é “Social Democracia”. Quando entender, explico aqui. Socialismo: O S do PSOL, como antes explicado. Maiores explicações do verbete, leia “socialista”. Socialista: O S do PPS, do PSTU e do PSB. Talvez explique até o S do PSDB, visto acima. Socialista, no caso do PPS e do PSB, mostra logo a ideologia do partido: socialista, pronto. Não tem enrolação. Assim, talvez, a tal “Social Democracia” seja uma democracia com tons libertários de socialismo. É isso? Solidariedade: Está no simpático PHS de novo. É um pouco mais genérico que o “Humanista” do nome do partido em questão, mas também mostra uma certa dose de bom-mocismo. Defender solidariedade na política brasileira parece tão ateniense, não? Trabalhadores: É o T do PT, o partido mais povão e legal do Brasil – bom, historicamente. Em tese, todo mundo que trabalha é defendido pelo PT, desde o suplente do vice-mendigo até o chefe do departamento de cirurgias cardíacas do Hospital São Luiz. É um tanto utópico, mas é uma “letra” menos aleatória que a da maioria dos partidos. Falta alguma coisa? Falta, mas não sei o que é. Mais ou menos o caso do “Popular”, visto acima. Trabalhista: É o T do PDT, do PTB e do pequeno (mas simpático) PTC. Trabalhismo é aquela política que defende o direito dos trabalhadores (a tal CLT, ou Leis Trabalhistas). Não faz mal nenhum colocar isso no nome de seu partido e mostrar a que ele veio – ponto para o PDT e o PTB. Mas o “certo” seria se todo partido do Brasil (e do mundo) fosse trabalhista, não? Será que alguém defende o direito do patronato? Unificado: O U do PSTU, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Parece meio mal colocado no nome, não parece? É um nome claro, mas mostra apenas de forma superficial os ideais radicais que o partido defende. O “Unificado” apenas tenta dar liga no nome, sem muito sucesso. Verde: Sim, o PV – e só o PV. Como é óbvio, um partido que defende as causas ambientais. Tem tendências de centro-esquerda, mas é mais conhecido no Brasil pelas votações modestas e pelas piadas feitas com Fernando Gabeira. Talvez pudesse ser acompanhado de um “do B”, já que o PV é um partido internacional. Além disso, a causa parece meio incompleta.
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