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Julho/2004
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martes, agosto 26, 2008
PRÊMIO ERIC MOUSSAMBANI
As Olimpíadas terminaram – e como sempre, com menos medalhas do que o Brasil esperava. Mas independente do fracasso psicológico e das mesas redondas de especialistas como Flávio Prado e Neto, este blog acredita que está na hora de julgar tudo o que aconteceu, até como forma de fazer uma retrospectiva. Por isso, como sempre fazemos em toda edição dos Jogos Olímpicos desde 2005, está na hora da cerimônia de entregas do Prêmio Eric Moussambani de pataquadas (ou não-pataquadas até). (salva de palmas) A idéia é simples. Por meio de categorias engraçadinhas, nós iremos homenagear todos os fatos que aconteceram em Pequim neste mês de agosto: quem ganhou, quem perdeu e quem não sabe onde guardou a vara. A idéia é copiada do Balípodo (que faz sua premiação anualmente), com um bocado de inspiração em diversos outros blogs – Carol, Fábio (também na ESPN Brasil), Marcelos, Barba... Quem quiser ler uma retrospectiva legal, procure na GE.Net. Sem muitas delongas, vamos lembrar quem merece ser lembrado destas Olimpíadas: Troféu “São Caetano” de conquista inesperada Sinceridade: eu apostei em medalhas no futebol (masculino e feminino), no vôlei (masculino e feminino), no vôlei de praia (masculino e feminino), na ginástica (masculino e feminino), na vela (masculino), no salto triplo (Jadel Gregório) e em mais algumas modalidades que eu não me lembro. Mas, evidentemente, não apostei em Maurren Maggi. Aliás, nem eu e nem ninguém. Quando a mulher fez 7,04m logo em sua primeira tentativa no final do salto em distância, pensei: logo virá uma cubana (ou uma russa, ou uma chinesa, ou uma norte-americana) que saltará 8,99m e deixaria a Maurren na sexta colocação. Veio a russa Tatyana Lebedeva, mas saltou 7,03m. Maurren ganhou e desfilou em cima do caminhão dos bombeiros aqui perto de casa. Simpática, ela acenou e sorriu pra tudo e todos. Eu sorri de volta, mas fiquei com vergonha de não ter acenado. Com razão. Troféu “Raikkonen, Hamilton & Alonso” de disputa mais emocionante A vitória dos EUA na disputa masculina do revezamento 4x100m. Nada menos do que cinco (dos oito) times finalistas quebraram o recorde mundial – então de 3min12s23 – na chegada. No entanto, o que a história registrará será a vitória dos norte-americanos sobre os franceses, digna de entrar nos almanaques como uma das grandes finais da natação de todos os tempos. Explica-se: Michael Phelps abriu o revezamento e terminou em segundo lugar. Franceses e australianos chegaram a dominar a disputa. Na última piscina, o francês Alain Bernard ainda chegou a liderar com meio corpo de vantagem. Mas nos metros finais, Jason Lezak tirou a diferença e garantiu o ouro dos EUA. A expectativa de tempo para a prova era de 3min10s, mas Lezak bateu em 3min08s24 – novo recorde mundial, contra 3min08s32 da França. A Austrália foi bronze, com 3min09s91. Troféu “Leila” para musa olímpica Falar de Ielena Isinbayeva ou Maria Sharapova seria chover no molhado. Até porque certamente pouca gente parou para ver um jogo da seleção feminina de basquete da Austrália, vice-campeã. E se viu, ficou prestando a atenção na superestimada Lauren Jackson, eleita a melhor jogadora do Campeonato Mundial de 2007 – e cá entre nós, feia que nem bater na mãe. Mas talvez ninguém tenha reparado na ala Laura Summerton, de apenas 24 anos (e um dia mais nova que a minha irmã). Do alto de seu 1,89m, a jogadora do Taranto-ITA desfilou beleza nas quadras de Pequim, além de ter se mostrado muito competente. Contra o Brasil, Summerton foi a segunda melhor pontuadora em quadra (18 pontos), superada apenas pela brasileira Kelly (que fez um partidaço, com 21 pontos e 10 rebotes). É claro, porém, que a camisa 11 da seleção aussie brilhou também por atributos não tão técnicos. E olha que isso era até difícil, perto de companheiras como Penny Taylor, Jenni Screen, Hollie Grima, Erin Phillips e Belinda Snell. Por isso, recebe a devida homenagem neste humilde blog. Troféu “Queijo Cremoso em uma Caixa de Madeira” de melhor narrador Dizem que Cléber Machado está metido a engraçadinho, mas eu discordo – acho que um pouco de humor na transmissão não faz mal a ninguém. Por isso que Sílvio Luiz e Galvão Bueno são o que são – e olha que o Sílvio Luiz cansou de fazer piadas com o nome da goleira Chana, da seleção brasileira feminina de handebol. No entanto, nada supera a brilhante idéia da Bandeirantes de colocar Osmar de Oliveira para narrar o jogo da nossas meninas do vôlei. Bastou o Brasil fazer 15 pontos no primeiro set na estréia contra a Argélia que o Doutor resolveu encerrar a parcial e chamar o intervalo – por sorte, alguém deve ter lembrado a ele que a regra da vantagem foi extinta, e que a parada agora vai até os 25 pontos. Troféu “Lilico” de carinho exagerado A vitória dos EUA na disputa masculina do revezamento 4x100m. OK, Jason Lezak nadou para a glória e fez uma chegada digna de entrar nos almanaques. Mas aí, na empolgação, Garrett Weber-Gale resolveu comemorar com Michael Phelps, que vibrava na beirada da piscina. Resultado: foi abraçar o companheiro e deu uma senhora alisada sobre o dorso nu de Phelps. Infelizmente, a única foto encontrada foi uma reprodução do YouTube. Mas dá pra sacar que Weber-Gale vai quase tascar um beijo no Phelps, não dá? A descrição jamais vai conseguir ser fiel à frescura escandalosa da cena. Se a mãe de Weber-Gale estivesse vendo (devia estar), certamente teria pensado se criou o filho para aquilo. Foi um momento tão boiola, mas tão boiola, que deixou no chinelo – ou melhor, no tamanco – a comemoração de Roger Federer e Stanislas Wawrinka após passarem para a finais de duplas do tênis masculino. Troféu “Odair José” de melhor corno Sem dúvidas, o judoca português Pedro Dias, que eliminou João Derly na disputa masculina dos meio-leves (até 66 kg). Depois de bater o gaúcho na terceira fase da chave, Dias foi eliminado pelo sul-coreano Chol Min Pak nas quartas-de-final. Aí, saiu feliz, simplesmente porque tinha eliminado João Derly. Não, não é um levante português contra os brasileiros. Segundo Pedro Dias, o bicampeão mundial o teria traído com sua ex-namorada, uma brasileira, durante uma visita a São Paulo. Na ocasião, Dias diz ter saído para fazer compras com a mãe de Derly, deixando a patroa sob a tutela do amigo. Só que Derly deixou a amizade de lado e créu na moça! Resumo da ópera: Derly eliminado, Dias de namorada nova (outra brasileira) e dois eliminados nas Olimpíadas de Pequim. Troféu “Ivete Sangalo” de excesso de aparições pública Kobe Bryant, pelo conjunto da obra. Esteve em jogo de futebol, vôlei de praia, passeou, tirou fotos e fez a festa. Até ganhou medalha de ouro no basquete e tal. Mas dizem que ele ficou feliz mesmo foi de tirar tanta foto. Leva para casa o Troféu Ivete Sangalo. Troféu “Amarelinha” de grande pataquada do Brasil A briga deste ano foi boa. Rodrigo Pessoa e Thiago Pereira sumiram, então Jadel Gregório apareceu como um candidato bom – assim como o futebol. Porém, era evidente que a disputa ficaria entre a seleção masculina de vôlei e o pessoal da ginástica. E depois de liderar até o último dia na categoria “amarelinha”, a ginástica ficou com a prata e perdeu o ouro para Bernardinho e seus meninos. Diego Hypólito e a Jade Barbosa mereciam o ouro – o de verdade, não o daqui. A gente até entende que a Jade, com apenas 17 anos, sinta a pressão e chore. Mas o Diego... Pôxa, Diego? Campeão mundial de solo em 2007, ele foi o melhor classificado nas eliminatórias da prova, e era considerado o grande favorito ao ouro pela imprensa internacional. Seu grande rival, o romeno Marian Dragulescu, já havia feito cagada e tirado uma nota horrorosa. Era só ele fazer tudo direitinho. Só isso. Mas não rolou. Diego caiu de bunda no final de sua última passada, bem quando fazia tudo direitinho. O ouro, claro, ficou para mais um chinês – Kai Zou. E o irmão da Daniele, claro, engrossou as estatísticas históricas que colocam os brasileiros em sexto lugar em finais decisivas. Aí, foi motivo de piada até o final dos Jogos. Mas nada, absolutamente nada, superou o cataclismo do vôlei masculino. O time era atual campeão olímpico e vinha ganhando praticamente tudo até 2007. Só que, na Hora H, perdeu para os EUA na final da Liga Mundial e nas Olimpíadas. Pô, vai dizer o quê? Que faltou experiência? Que os jogadores sentiram a pressão? Não dá, né? Troféu “Que Mário?” de piada repetitiva Mas é claro que Diego Hypólito vai ser laureado por este blog. Afinal, ele foi protagonista da piada mais repetitiva da história dos Jogos Olímpicos. Quem manda cair de bunda no final do exercício – um dia antes da vara de Fabiana Murer sumir? Sejamos claros: Diego ia ganhar o ouro, e não ganhou. Fabiana beliscaria um pódio, mas não beliscou. Dizem que ele pisa na pontinha do pé, enquanto culparam ela por ter perdido as próprias varas do salto nas Olimpíadas. O que, aqui entre nós, não justifica a repetição ad eternum de uma piada tão nota 8,0 assim. Uma vez, até vai. Mas depois da décima... Troféu “Javier Castrilli” de lisura na arbitragem Final feminina da categoria meio-pesado (até 78 kg) do judô. De um lado, a chinesa Xiuli Yang. Do outro, a cubana Yalennis Castillo. Empate no combate e decisão no golden score. Nada. Na “prorrogação” da decisão, Yalennis encaixa um golpe na rival e abre vantagem no placar. Os árbitros validam, mas pensam melhor, se reúnem e decidem cassar o ponto dado à cubana. Aí, novo empate no golden score e decisão que caberia aos três árbitros: vitória unânime de Yang. Claro, incontestável. Eu mesmo faria a mesma coisa se fosse um dos três e daria a vitória à chinesa – afinal, eu sei que minha família teria que pagar a própria bala se fosse o contrário, certo? Prêmio “Exército da Costa Rica” de fair play Angel Valodia Matos entrou para a história das Olimpíadas no quesito “personagens folclóricos”. O cubano vencia sua luta pela disputa da medalha do bronze no taekwondo até o terceiro e último round. Mas aí, faltando apenas sete segundos para o final da luta, reclamou de dores no pé após uma troca de golpes com o rival e pediu atendimento médico, o que foi autorizado pelos árbitros. Pra mim, tentativa de esfriar a parada. Segundo o regulamento da modalidade, os médicos de Cuba teriam um minuto para dar os cuidados ao menino (campeão olímpico em 2000), que receberia avisos do juiz quando o período estivesse acabando. Porém, o sueco Chakhir Chelbat não teria dado o tal alerta e decidiu eliminar Matos ao final do minuto, causando a fúria do lutador. Inconformado com a perda do bronze, o cubano acertou um chute no rosto de Chelbat, além de socar o peito de um juiz auxiliar. O técnico do taekwondoca, Leudis González, deixou o combate acusando a arbitragem de suborno, enquanto o cazaque Arman Chilmanov comemorava o bronze, oficialmente dada pela eliminação do rival da luta. Tirando a palestra dos 50 primeiros segundos do vídeo... Sério, não tem como não dar o ouro para Matos. Uma votação aqui só não o aclamaria por unanimidade porque alguém ia se lembrar do sueco que largou o bronze e foi embora na luta livre. Mas quem é esse rapaz perto de Angel Valodia Matos?
Por EMANUEL NOVAES às 4:36 PM
| lunes, agosto 11, 2008
SANGUE
É difícil encontrar alguém que não tenha primos – eu mesmo não conheço ninguém que não os tenha. Por isso, é igualmente complicado achar por aí quem não tenha um primo preferido. Daqueles quase da mesma idade, quase irmãos mesmo, de visitar nas férias e de construir histórias juntos. E, claro, eu tenho o meu. O Rafael – vulgo Pitchola – nunca vai ler este texto. Mas nem por isso eu deixo de dizer que ele é quase um irmão. Afinal, eu tenho cerca de 12 tios (se não me engano mesmo) e um número de primos de primeiro e segundo graus que não dá pra contar. Mas dos mais próximos, ele é o de maior identificação. Deve ser o lance da idade próxima mesmo (ele é três anos e meio mais velho) ou do número de visitas que eu fiz pra ele no Paraná até 2004 ou 2005. As lembranças começam ruins, com a morte do Rogério (irmão dele) em 92. Mas desde então, ele e a Renata (a irmã e prima igualmente querida) sempre quiseram muito bem a mim e à minha irmã. Em todas as visitas para o sítio, foram muitas as vezes jogando bola no “terreirão” ou no campinho, muitas tardes na cachoeira ou na represa, muitos churrascos, almoços de domingo, ovos fritos, cafés da manhã. Nunca faltou bolo Nêga Maluca, manhã vendo TV, chá, leite, pão, desenhos, novelas... Até vídeo-game. Foi meu primo quem roubou uma tubaína da dispensa uma vez e dividiu comigo e com minha irmã atrás da casa. Foi com ele que tantas vezes eu fui pescar, ou fui subir em árvore para chupar ponkan (“tangerinha” é o escambal). Era o Rafael quem preparava o cavalo para que eu e ele fôssemos andar até o sol cair, ou era ele quem derrubava coco do coqueiro para minha tia Sueli fazer doce. Tantas coisas. Era ele quem se embrenhava no mato, buscava ovo ou ia perturbar o Paulão, o Marquinhos ou a Cristina. O tempo passou, e as coisas mudaram – não que tenham ficado ruins. Eram tardes vendo revista de mulher pelada, jogando sinuca e dirigindo – ou, no caso, ele tentando me ensinar. Depois, até tomando uma cerveja! Sempre, invariavelmente, fazendo uma piada na mesa do jantar. Tanta, tanta coisa, que listar aqui ia enjoar vocês. Mas aí, o mundo me afastou do Rafael. Comecei a trabalhar e mal tenho tempo pra ver minha família. Hoje, é faculdade, trabalho, casa. Desde então, ele se casou com a namorada e meus tios se mudaram para a cidade, deixando o sítio para o casal. E eu nunca mais consegui voltar pra lá. É claro que ele não rouba mais tubaína, caça com estilingue, pesca lambari e joga bola no campinho – aliás, o campinho virou até pasto. Mesmo assim, eu sinto falta demais do meu primo. Afinal, por mais que eu saiba que hoje ele é homem de família (logo eu volto aqui pra falar que ele vai ser pai) e tome conta do sítio, eu sei que ele será sempre meu primo criança de 15 anos atrás. E será sempre este primo que vai tomar cerveja comigo quando eu conseguir voltar pra lá.
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