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Julho/2004
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miércoles, julio 30, 2008
MARAVILHA
Todo mundo quer e gosta de se encontrar com ídolos, embora nem todo mundo admita que os tem, ou nem mesmo os tenha com grande intensidade. Eu não sou daqueles fãs que passam dias acampados para comprar ingressos para shows de bandas, mas admito que tenho alguma admiração por algumas pessoas. E Túlio Maravilha é uma delas, embora não jogue em um Barcelona ou em um Milan da vida. Não que eu pensassem em viajar pra Goiânia para encontrar o cara – que atualmente joga pelo Vila Nova-GO. Mas ver um jogo dele seria bacana. Conseguir uma entrevista, tirar foto e pegar autógrafo seria muito bacana. E de tão bacana que seria, acabou sendo há uns dias, depois de alguma expectativa e de alguns contatos. A primeira oportunidade apareceu em um jogo da Série B do Campeonato Brasileiro. Haveria um jogo entre São Caetano e Vila Nova-GO em São Caetano do Sul, na noite de uma sexta-feira. Eu até pensei em sair do trabalho e correr para o Estádio Anacleto Campanella, mas acabei desistindo em cima da hora. Passou a chance. Mesmo assim, a chefia do trabalho viu aí uma oportunidade. Pensaram em me mandar lá para entrevistar e cobrir o jogo. Não rolou, mas a idéia da entrevista ficou. Conversa vai, conversa vem, e ficou acertado que eu falaria com a assessoria do time goiano e tentaria agendar a entrevista no final de julho (quando o Vila viesse jogar contra a Ponte em Campinas) ou no começo de agosto (quando o adversário seria o Barueri, na Grande São Paulo). Saí de férias, voltei e consegui agendar a entrevista na primeira data. Então, lá fui eu, em uma segunda-feira, rumo a Campinas. Fotógrafo, motorista, câmera, auxiliar, repórter e eu. Chegamos ao hotel combinado e nos encontramos com a delegação vilanovense. Com algum atraso (culpa desses desencontros aeroportuários), Túlio conversou comigo. Comigo! Foi uma entrevista bem bacana. Confirmei a impressão que eu tinha dele – que, além de marcar gols (já são 847 na carreira), continua sendo um frasista de primeira. Admito que rolou até uma quebra de protocolo profissional da minha parte: pedi autógrafo e tirei foto. Até eu, que sou absolutamente controlado no quesito tietagem (ainda mais profissional), sei que não é qualquer dia que você está perto de um ídolo. Deu trabalho a entrevista. Ele falou de um monte de coisas legais. É claro que algumas ainda precisam ser melhor arrumadas antes da publicação – será então colocada aqui para o deleite do número cada vez menor de leitores. Enfim, acerta daqui, acerta de lá, e ela logo deve ser divulgada oficialmente. Voltei de Campinas torcendo ainda mais por Túlio. Feliz profissionalmente, pela bela entrevista que eu tinha em mãos, e pessoalmente. Afinal, não é toda hora que seu ídolo conversa com você e ainda autografa sua camisa, né? Update: Enfim, a entrevista foi ao ar – e, modéstia a parte, ficou muito boa. Quem quiser conferir, clique aqui e leia. Enquanto isso, eu continuo lambendo a cria.
Por EMANUEL NOVAES às 3:10 PM
| domingo, julio 20, 2008
DISCUSSÕES COM A NAMORADA
-- Ganhei. -- Ganhou o quê? -- Ganhei, oras! -- Mas a gente não estava competindo! -- Você fala isso porque perdeu...
Por EMANUEL NOVAES às 11:43 PM
| domingo, julio 13, 2008
RETORNO AOS SONHOS BIZARROS
Além das antigas análises de Playboy, uma das coisas que as pessoas se lembram de já ter lido aqui é relato de sonhos. A segunda, sabemos, está quase tomando o rumo da primeira, mas eu tive um sonho tão bizarro dia desses que é quase impossível não contar pra vocês por aqui. Eu não sei ao certo se era uma aula de cursinho ou de faculdade. Sei que ela estava no lugar errado, pois acontecia na escola onde fiz colegial. Pior: minha professora de História do Brasil Contemporâneo II na faculdade estava aplicando prova. De inglês. Para piorar, minha sala contava com alguns amigos meus que jamais haviam estudado comigo. E como se não bastasse, a prova de inglês da professora de História teria dois modelos: um de trigonometria (em outro idioma) e uma em galego. Ficou clara a confusão toda? OK, então vamos começar com o suplício. A minha prova era a do galego. Na verdade, era um texto em português que nós deveríamos traduzir para o inglês e de lá para o galego. Eu, que havia feito um texto de mais de duas páginas, estava completa e absolutamente desanimado com as perspectivas. Ao meu lado, um amigo terminava a prova de trigonometria com apenas dois exercícios, o que me fazia pensar se não teria sido melhor ter recebido a outra prova. Que coisa, não? Não traduzi toda a prova para o inglês, e fui logo me arriscando a tentar colocar o texto em galego. Só que eu não sabia – nem sei – falar galego, e fui colocando as palavras em inglês arcaico. Menos pior, já que eu sabia belíssimas duas palavras em inglês arcaico. Logo, o que era the virou ye, e o que era old virou olde. Fiquei mais de uma hora tentando me virar com isso, sem sucesso. Mal havia passado da primeira página e percebi que iria me ferrar na prova. Saí da sala (!!!) para tomar um ar e encontrei uma amiga minha da faculdade que comemorava a prova fácil. Diante do meu semblante quase choroso, ela “lembrou” (como se eu soubesse antes) que a tradução para o galego estava em uma página da apostila. “Mas eu não tenho a apostila”, argumentava eu, atirando-me ao chão desesperado. Logo, a coordenadora do corredor (cargo que vira “bedel” na faculdade) veio me mandar levantar e voltar para a sala. Eu me levantei e fui entregar a prova, pronto para a nabada. Cheguei na porta da sala e encontrei minha professora de Jornalismo Econômico. Ah, que fase... Desanimado, pensei de verdade em acordar daquele sonho, mas estava com medo de ir mal na prova (é sério!). Comecei a pensar que, se estava fazendo a prova na escola errada, não haveria problemas em acordar. E desencanei daquele sonho.
Por EMANUEL NOVAES às 2:10 AM
| martes, julio 08, 2008
APAGÃO JORNALÍSTICO
Dia desses, quando aconteceu o ‘apagão do Speedy’, o noticiário da RedeTV! fez questão de destacar que toda a cidade de São Paulo estava sem acesso ao serviço de internet da Telefónica. Crise em serviços públicos, em delegacias, em escolas, em postos do Poupatempo e tudo mais. Simplesmente o caos. Há, porém, um problema – e não apenas do noticiário da RedeTV!. Esqueceram de contar que cerca de outras 470 cidades de todo o estado de São Paulo foram prejudicados pelo problema da Telefónica. Afinal, da mesma maneira que os paulistanos precisam saber que há problemas no Poupatempo da Praça da Sé, os habitantes de Bebedouro também precisam saber que sua internet está fora do ar por tempo indeterminado. Eis aí um grande problema: o jornalismo paulistano. Quem não é de São Paulo, sente-se às vezes incomodado com o excesso de cobertura metropolitana – pra não chamar de bairrista mesmo – que é dada pelos meios de comunicação de São Paulo. Culpa, talvez, do comodismo, que impede que TVs, jornais, rádios e sites procurem notícias de interesse público, seja em São Paulo ou em qualquer outra cidade. Explica-se. Pegue um desses telejornais de final de tarde, da escola Aqui Agora de comunicação. É fácil fazer plantão na frente de uma delegacia no bairro do Capão Redondo e esperar por um grande furo jornalístico. Ou então colocar o helicóptero para sobrevoar a Marginal Pinheiros no final da tarde ou constatar um congestionamento. Mas difícil mesmo é fugir dessa forma engessada, que transmite chacinas em Itapevi para todo o Brasil. Buscar notícias do Governo Estadual para o estado de São Paulo, por exemplo. Isso é o que se chama de editoria de Cidades. E que, penso eu, deve ser transmitida apenas para meia dúzia de cidades da cobertura da mídia em questão. Para tal, há retransmissoras locais, que transmitem para a região o que é da região, e que deixam para outras cidades e outros estados determinados espaços para serem preenchidos por programação local. Colocar matéria de Cidades em cadeia nacional é mais que um erro; é provocação. Buraco na rua, asfalto ruim, todas os municípios do Brasil têm – e isso porque alguns sequer têm ruas asfaltadas. Que tal cobrar asfalto de tais cidades na TV? Há espaço para mudanças? Há, e não precisam ser enormes para agradar. Li um perfil em uma revista, por exemplo, que dizia que fulano de tal tinha 16 anos e cursava o ensino médio em Guaianazes. Você conhece a cidade de Guaianazes? Talvez não, porque se trata, na verdade, de um bairro de São Paulo. E nem sempre os leitores da revista (de circulação nacional) sabem disso. Não custa dizer que o menino cursa o ensino médio em um bairro da periferia de São Paulo, ou dizer “no bairro de Guaianazes, em São Paulo”. Custa? Parece fácil que alguém do interior de São Paulo reclame disso. Mas lembre-se quando for reclamar da novela das oito que só se passa no Leblon, ou quando viajar para determinado estado do Brasil e perder a paciência assistindo jornais locais. Agora imagine o interesse que alguém de Goiânia tem em assistir notícias de Guaianazes ou de Ferraz de Vasconcelos. E coloque-se no lugar de quem perde a chance de se informar, apenas para sofrer aquela lavagem cerebral a sangue dos Brasil Urgente e dos Cidade Alerta da vida.
Por EMANUEL NOVAES às 2:36 PM
| viernes, julio 04, 2008
O INDESCRITÍVEL PRAZER DE UMA ENDOSCOPIA
Tirei boa parte das minhas férias para, como faz todo senhor da minha idade, me submeter a um check up. Um monte de exames, de consultas, de médicos. Dia desses, fui fazer um que particularmente me agrada: a endoscopia. Foi a terceira da minha vida, a primeira sem ser motivada por dores estomacais que preocupassem. Admito que não foi tão boa quanto a primeira, mas não foi tão apática quando a segunda. Como esta última foi normal e a segunda – feita em São Paulo – foi bastante sem graça, vou contar como foi a primeira, feita em 2003. Afinal, como diz o chavão, a primeira vez, a gente nunca esquece. Eu havia acabado de sair do colegial, com toda aquela pressão para passar no vestibular – embora eu mal tivesse condições de passar de ano. Não passei em nada e fui fazer cursinho, onde toda aquela pressão revelou uma gastrite nervosa. Na época, mal conseguia entrar nas aulas do cursinho: saía da sala, ficava deitado por um tempão em algum lugar, até tomar coragem e pedir para meu pai me buscar. Parei de freqüentar as aulas e perdi um semestre. Foi bom para me aproximar de alguns dos meus melhores amigos, mas foi ruim ter que passar tanto tempo em médicos que não chegavam a um acordo sobre minhas dores de estômago. Tive que eu mesmo pedir para o médico marcar uma endoscopia e olhar o que se passava nesse estomagozinho cheio de graça. A recomendação era (e ainda é) para ficar de jejum desde a noite da véspera do exame. Assim, acordei cedo, não tomei café da manhã e fui levado por minha mãe para o hospital. Lá, conversa vai, conversa vem, e fui levado para uma sala, com um daqueles maquinários hospitalares, uma mangueira (opa!), uma mesinha e uma cama. Sob a cama, um balde de lata, que me levou a pensar os terríveis reflexos que meu corpo poderia ter quando colocassem aquela mangueira garganta abaixo. Foi quando o médico me avisou que eu seria sedado para fazer o exame. Menos mal, mas eu ainda tinha (muito) medo de acordar com aquela sonda entrando pela minha boca, como um figurante de ‘Alien’. Mesmo assim, aceitei a injeção de sedativo que a enfermeira aplicou em meu braço. Logo depois, ela borrifou um anestésico no fundo da minha boca e pediu para que eu engolisse. Em poucos minutos, minha glote (ou algo que valha) parou de responder. Eu não conseguia mais engolir nada. Deu MUITO desespero. Não que eu achasse que ia morrer ou coisa parecida, mas é realmente um pavor quando seu corpo não responde a uma ordem do seu cérebro. Mas o medo passou, o sedativo agiu e eu apaguei. Perdi a noção do tempo. Não sei quanto tempo demorei para dormir, nem quanto tempo passei deitado ali. Mas acordei bem – com a exceção da dor na garganta, equivalente ao efeito esperado após o braço do Mike Tyson descer pelo seu esôfago para buscar alguma coisa lá dentro. Mesmo assim, garanto ter tido uma das melhores ‘noites’ de sono da minha vida. Afinal, eu havia dormido oito horas à noite, e mais umas cinco pela manhã. Logo descobrimos que se tratava de uma gastrite, devidamente tratada. Voltei ao cursinho, passei no vestibular no ano seguinte (após mais um ano de cursinho), e tive mais uma ou duas crises. Nenhuma tão grave quanto a de 2003, nem com exame tão agradável como o da ocasião. Ah, saudosa endoscopia...
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