
Eu juro que tento falar pouco de futebol!
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Julho/2004
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jueves, junio 12, 2008
DIA DOS NAMORADOS
A vida tem mesmo dessas coisas. Eu poderia ter sido um moleque mais aplicado e tentar virar jogador de futebol - talento no gol não faltava. Mas a timidez e o relaxo não permitiram. E eu tive que estudar. Estudar nada! Quase repeti o segundo e o terceiro colegial. Química? Matemática? Física? Decidi fazer jornalismo, mas não conseguia passar em uma faculdade que pedisse mais do que a assinatura com o polegar. Fiz cursinho. Tive gastrite. Ganhei grandes amigos. Pensei em Direito, Gastronomia, Administração, Economia, Arquitetura, Veterinária... Até em Medicina! Decidi pelo Jornalismo mesmo - especialmente depois de ganhar elogios nos textos. Aí quase apareceu a chance de ir para Curitiba, fazer universidade federal. Não rolou, mas rolou a chance de trocar o Interior por São Paulo. Era a oportunidade de uma vida. Deixei minha mãe chorando na rodoviária e vim para São Paulo, mesmo sem conhecer quase ninguém. Conheci mais gente, comecei a estudar e comecei a trabalhar. Quase quatro anos de faculdade. Nesses quatro anos, fiz ótimos amigos e arrumei um puta emprego. Porém, quando eu já pensava na vida profissional, apareceu alguém que resolveu mudar ainda mais minha vida. Para melhor. É claro que todos nós temos problemas na vida, mas todos nós também temos muito o que comemorar. Hoje, posso dizer que sou feliz - apesar de ter passado por tanto aperto. Tenho uma carreira legal, pais maravilhosos, amigos incomparáveis e um futuro. Mas acima de tudo, tenho uma namorada ímpar. Encontrei a mulher da minha vida. Minha metade. Aquela que a gente sempre imagina, sempre espera. Pra ouvir música, ver filme embaixo da coberta, beijar, abraçar, trocar apelidos, fazer cócegas, apresentar ao pais, almoçar junto no domingo. Em quem você pensa quando está com ela, quando está em casa, quando anda na rua. Aquela por quem você jura que pode fazer qualquer coisa! Enfim, encontrei alguém que me faz feliz, e com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Meu coração achou sua dona. Encontrei a mãe dos meus filhos. Aquela com quem eu quero crescer e envelhescer. Sim, todos têm problemas. Mas eles serão bem menores quando você encontra alguém que te complete. Hoje, a vida me ensinou a ser um cara bom, e eu tenho que ser grato a meus pais, a Deus, e a meus verdadeiros amigos. Mas no futuro, quando eu for um homem melhor, serei grato a ela. Aliás, desde já, obrigado, Sam. E como não ser grato a tudo isso? (Está no meu Orkut. A todos, sozinhos, ou encontrados, um feliz 12 de Junho.)
Por EMANUEL NOVAES às 1:49 AM
| domingo, junio 08, 2008
EXCESSO DE LUZ
Alguém aí tem medo do escuro? Se sim, não sabe apreciar o quanto são legais aquelas vezes em que acaba a luz em casa. De preferência, à noite, em uma daquelas tempestades bem fortes. Não me lembro ao certo quando foi a última vez em que eu estive em casa e que caiu uma daquelas chuvas monstruosas, de derrubar a energia elétrica e tudo mais. Mas lembro de algumas vezes muito legais – em todas, por sinal, eu estava na casa dos meus pais, em Presidente Prudente. OK, o meu nomadismo em São Paulo (foram quatro endereços em três anos e meio) ajuda a não lembrar de ocasiões recentes. Mas de uns tempos pra cá, a “força” não cai mais mesmo. Aliás, desde que eu comecei a faculdade, não me lembro de uma mísera queda de energia – e olha que eu estou quase me formando. Noves fora, as boas lembranças de dias sem energia elétrica não são de dias, mas de noites. Todas lá pelos 13 anos. Todas com chuva forte, em que meu pai acendia umas três ou quatro velas e distribuía pela casa. Ele tinha uma na sala, minha mãe tinha uma no quarto e uma devia ficar na cozinha. Minha irmã e eu passeávamos pela casa feito zumbis empolgados. Quando o céu terminava de cair, dava até para ligar para a Caiuá (a EletroPaulo prudentina) pra ver se tinha previsão de retorno. Nada. Era aquele silêncio, em que éramos obrigados a conviver sem TV, sem computador, sem rádio. Éramos apenas nós, e isso era ótimo! Apesar da falta de comunicação a médias distâncias, as conversas – ainda que isoladamente – costumavam ser boas, a ponto de eu sentir falta hoje de noites sem energia elétrica em casa. Será que realmente precisamos tanto de TV assim? Quando a luz voltava a se acender na sala, todos sentiam o mesmo alívio. Nós quatro podíamos voltar a ligar a TV, acender a luz e tudo mais que nos afastava. Acabava aquela agradável trivialidade. A vida seguia seu curso, sem medo de estragar coisas na geladeira ou de tomar banho frio. No fundo, o que nós precisávamos mesmo era que a luz caísse mais vezes.
Por EMANUEL NOVAES às 10:44 PM
| domingo, junio 01, 2008
PROSOPOPÉIA FLÁCIDA
A língua portuguesa passou pela tal reforma ortográfica, e logo deve perder os tremas e outras variáveis de utilidade duvidosa. Não é ruim, mas bem que podiam aproveitar a toada e eliminar de uma vez algumas palavras igualmente questionáveis. A Inculta e Bela Flor do Lácio está cheia de palavras que ninguém usa ou sabe o que significa. Em seu dia-a-dia, você usa a expressão “tergiversar”? Ou que tal “peremptório”? Sabe o que significam? Fazem falta pra você? Tergiversar, até onde eu sei, é sinônimo pra “conversar”. Peremptório, eu não faço a menor idéia do que queira dizer. E até hoje, eu me comunico com as pessoas ser dizer que algo é peremptório. E tudo na base da conversa – sem tergiversar mesmo. Tenho alguns amigos que dizem que eu falo complicado, e eu até admito que gosto mesmo de dar uma floreada no discurso. Mas ao mesmo tempo em que a gente não precisa falar todo empolado, a gente não adotar um vocabulário vulgar, certo? Quer coisa mais cretina que alguém que chama sua camiseta de “peita”? Será que nós não temos uma palavra suficientemente simples e bonita para definir a camiseta? Bem que a reforma ortográfica da língua portuguesa poderia se estender ao vocabulário e eliminar uma meia dúzia de palavras inventadas para complicar nossa vida. Ou será que alguém perderá o sono se não escutar expressões como “lupanar” e “chamarão” pelo resto da vida? Eu durmo bem. Obs: E isso pra não falar de gente que usa expressões em latim na conversa ou da letra mais inútil do alfabeto latino, o C. Mas isso é conversa para outro dia.
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