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Julho/2004
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viernes, mayo 02, 2008
A PRIMEIRA SAÍDA OFICIAL EM SÃO PAULO REVISITED
Aconteceu em 2005, em março. Eu tinha acabado de me mudar pra São Paulo e vivia em um pensionato com cerca de 20 caras que eu nunca tinha visto antes. Alguns me deram problemas, mas nomes como Ronaldo, Ilton e Felipe são considerados amigos até hoje. E foi com eles que eu decidi dar minha primeira saída oficial em São Paulo. Aliás, o rondoniense Ronaldo e o gaúcho Felipe igualmente haviam acabado de chegar. Por isso, resolvemos não arriscar muito e fomos a um bar no Bixiga, perto de onde morávamos. Escolhemos o Café Piu-Piu. Eu nem sei se o lugar ainda existe – se sim, é uma excelente opção para quem gosta de rock das antigas. Eu, sem saber disso na ocasião, coloquei uma daquelas camisas laranjas de ‘balada’. Felipe foi de cinza, Ronaldo com uma camiseta que ele usava em casa e Iltinho de calça-camisa-cinto-sapato. Ou seja: a chance de pelo menos três passarem vergonha seria grande. Na verdade, os quatro passaram vergonha. O bar estava cheio de gente cabeluda e de camisetas de bandas. Não era como um daqueles encontros de fãs do Whitesnake, mas a gente, embora gostasse de rock, estava um bocado deslocado. O remédio? Cerveja. Cada um com uma – menos o Ronaldo, que ainda hoje não bebe, e que não estava ligando muito para o ambiente. Apenas sorria e curtia a música. Grande cara. Foi então que, entre um Creedence e um Metallica, eu vi uma menina. Era morena, muito bonita e estava com sua amiga. Entre um bando de coroas de 40 anos tentando não crescer, era bom ver alguém ali com a vaidade natural de seus 20 anos. Consultei meus amigos para ver se alguém queria ir conversar com as duas. Diante da negativa, fui sozinho. De fato, Natália não era só bonita: era também simpática. Juliana, nem tanto – pelo contrário, era caladona e feia. Mesmo assim, comecei a usar as cantadas típicas que os meninos de pouca barba usam aos 19 anos. Isso, é claro, incluiu umas mentiras, já que eu jamais pensei que aquilo poderia se complicar. Em 10 minutos, eu me chamava Renato e era de Ribeirão Preto. Natália parecia ter simpatizado com aquele Renato, mas a amiga dela insistia em existir e complicar a situação. Foi aí que eu decidi voltar à minha rodinha de amigos e pedir, até mesmo implorar para que um deles fosse conversar com a amiga. Nada. Voltei a conversar com as duas ali e a me deparar com o mesmo cenário: a amiga ali, encalhando. Nada. Foi aí que eu tomei uma medida drástica. Mais uma vez de volta à rodinha de amigos, fiz uma oferta irrecusável. “Tenho uma garrafa de três litros de Coca-Cola na geladeira (da casa onde morávamos). Eu dou a garrafa cheinha para o primeiro de vocês que for lá pra conversar com a menina”, disse eu. “Só conversar”, reiterei. Felipe, mais comovido com meu desespero do que tentado pela Coca, foi. Felipe então chamou Juliana para conversar. Eu então tive liberdade para tentar pegar na mão de Natália. Nos 10 minutos em que tentei sem sucesso, Felipe conversou, curtiu, pegou na mão e beijou Juliana em um canto. E eu... Bem, conversando com Natália. No final, deu tudo certo, e o Renato ficou com Natália também – não antes de uns 40 minutos de mais conversa, presenciada pelo novo casal Felipe e Juliana. É claro que isso já seria embaraçoso o suficiente entre os amigos, mas ainda conseguiu piorar com as meninas. Quando íamos embora, Natália pediu o e-mail de Renato – que, para quem não sabe, é composto do nome de uma outra pessoa, um tal de Emanuel. Para explicar, claro, uma outra mentira, que, junto com as demais mentiras da noite, seria posteriormente confessada com pela Internet. Ah, vergonha... Enfim, virou uma história que Felipe e eu gostamos de contar até hoje. Ambos damos risadas de mim, que perdi uma Coca-Cola de três litros, e que levei umas duas horas conversando com a menina, enquanto ele ficou com a Juliana. Aliás, ficou por um bom tempo com ela. Só terminou mais de um mês depois porque ela foi ficar com outro cara. Natália nunca mais falou comigo, e Felipe e eu fomos tocar a vida como bons amigos – ainda que à distância – até hoje. Passagens pelo Piu-Piu? Só de camiseta preta, para beber e para cantar "Sweet Home, Alabama". (A versão original e menos detalhada desta história foi postada aqui, no dia 13 de março de 2005.)
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