LA CUCARACHA - Sem conteúdo prático desde 1985

Eu juro que tento falar pouco de futebol!


Visitas


Site Meter visitantes,
desde 7 de julho
de 2004
online nessa bagaça!

Escambo

Esse espaço é dedicado
à troca de links. Quem
quiser ser linkado aqui, me
linke antes e me avise,
que eu linko com muito gosto.

sábado, marzo 29, 2008
INSIGHT DO FRACASSO (ALHEIO)


Fui assistir ao Grande Prêmio da Malásia de Fórmula 1 no apartamento de meu amigo Albano. Estive na companhia de Allan, Mé, Brunella, entre outros. Saí de lá às seis da manhã e, apesar de não ter bebido, só cheguei em casa graças à carona do Allan. E com o pensamento fixo na cabeça de que Felipe Massa é um fracasso.

Sério. Pensando um pouco melhor, previ um futuro pouco glorioso para o brasileiro da Ferrari. Em cinco anos, Massa vai continuar sem títulos mundiais na Fórmula 1. De quebra, ainda vai estar se despedindo da equipe italiana para correr em uma equipe mediana, como a Toyota ou a Red Bull. Talvez seja até motivo de piada.


É evidente que a comparação com Rubens Barrichello é automática, o que torna as coisas ainda mais cruéis para Massa. Até porque Rubinho sempre teve talento e um carisma elevado entre a torcida brasileira. Nas épocas de Jordan e Stewart, alcançava resultados incríveis com carros apenas medianos. Com a equipe de Jackie Stewart, apesar de competir contra carros superiores, como Ferrari, McLaren, Williams e Jordan, conseguiu o segundo lugar no GP de Mônaco (1997) e três pódios em um ano (1999).

Em 2000, Rubinho foi para a Ferrari e, enfim, conquistou a primeira vitória da carreira. É claro, porém, que aquele GP da Alemanha só criou ainda mais expectativa na torcida brasileira, carente de um herói desde 94. Mimados que fomos por Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, achávamos que um brasileiro só poderia estar em uma equipe como a Ferrari para ser campeão. Sem sabermos que não era para vencer que Rubinho havia sido contratado.

Evidentemente, ele ajudou em seu próprio processo de achincalhamento público. Desde a época pré-Ferrari, incorporou o espírito de líder de uma nação – vide os capacetes especiais nos GPs do Brasil (foto). Nós, é claro, acompanhamos. Só que Barrichello soube se livrar de tal pressão com o tempo (embora ainda acredite que possa conseguir bons resultados com mais um fraco carro da Honda). Nós não; cobramos dele até o fim que está por vir.

Rubinho virou motivo de chacota, e Felipe Massa também pode virar. Embora as condições entre ele e Kimi Raikkonen e ele sejam menos desiguais do que eram entre Michael Schumacher e Barrichello, Massa igualmente incorporou o espírito de “serei campeão”, e não parece disposto a se desfazer dele por um bom tempo. Começa até a soar um pouquinho petulante.

É evidente que é demasiado cedo pra falar em desvantagem dentro da equipe – afinal, foram apenas duas corridas realizadas neste ano. Porém, Kimi vem de um título mundial e já venceu corrida neste ano. Por mais que seja completamente possível uma reviravolta na temporada (basta lembrar dos diversos cenários de 2007), é inegável pensar que o finlandês teria que se justificar menos se tivesse cometido um erro em Sepang.


Por isso, há boas chances de a história absolver Rubens Barrichello. No futuro, ele deverá ser lembrado como um piloto talentoso que se deixou seduzir pela chance de correr na maior equipe do mundo, e que acabou se frustrando por encontrar uma realidade incompatível com os sonhos nos quais ele estava mergulhado. E o principal álibi de Rubinho será Massa, que tinha completas condições de brigar pelo título e não soube administrar a própria vaidade, rebaixando-se a segundo piloto apenas por ter perdido uma briga em condições iguais.

---

Essa previsão, porém, não é apenas minha. Quando o finlandês Mika Hakkinen concedeu esta entrevista para Felipe Held, afirmou que seria natural que a Ferrari se voltasse para Raikkonen, relegando Felipe (o Massa, não o Held) à condição de segundo piloto. Hakkinen tinha alguma razão, mas não sabia nem de metade do problema. De fato, o bicampeão não sabia do tamanho do problema que o brasileiro criou para si.

Por EMANUEL NOVAES às 1:19 AM
|

lunes, marzo 24, 2008
NEOMENDICÂNCIA

Dias atrás, fui fazer compras na companhia do Mestre. E enquanto estávamos no supermercado, lembrei de contar a ele alguns fatos curiosos que me chamaram a atenção em ocasiões semelhantes àquela.

Por exemplo: é comum eu ir às compras e encontrar pedintes na porta do supermercado. Nessas horas, costumo ficar até meio dividido – já que, apesar do meu coração mole, não sou muito fã de pedintes. Geralmente, este segundo lado leva a melhor na batalha da consciência e eu faço como 98% da população mundial: passo e finjo que não vejo.

Apesar disso, certa vez, um menino de uns 14 anos me persuadiu. Viu que eu empurrava um carrinho em direção à porta do mercado e me pediu:

-- Traz um pacote de bolacha recheada pra gente, moço...

Era uma voz falsa, do tipo “vou falar mole e triste para ver se ele fica com pena”. Eu fiz uma cara de “ah, claro” e entrei. Mas como eu ainda tenho um pouco de sentimento pela humanidade (e também gosto de bolacha recheada), comprei um pacote para o menino. Entreguei na saída, com aquela expressão de Nice Guy, esperando que a voz mole e triste mostrasse alguma emoção ao receber aquele gesto carinhoso.

Claro que o moleque disse um “brigado”, como se tivesse pago pelas próprias bolachas. Só faltou dizer “compre alguma coisinha bonita pra você com o troco”. Humpf!

É claro que o menino tem o direito de querer comer bolacha recheada, e que não dá pra comparar a situação dele com a minha – um estudantezinho de classe média sustentado pelos pais. Mas me incomodou um pouco... Antigamente, o pessoal não escolhia tanto. Aceitava logo qualquer ajuda. Daqui a pouco, vão escolher até o sabor e a marca da bolacha. E se trouxer a Santa Marta, que é mais barata, não precisa nem se incomodar.

Sim, eu sei que eles devem pedir para 50 pessoas por dia, e que, de vez em quando, uma atende. Mas eu ainda gostaria de uma parada mais humana, sabe? Quem vive em demagogia como eu, sabe que não ajuda porque os caras não querem subsistência. Se você dá dinheiro, o mendigo vai beber, e não comprar comida. A molecada não está na rua a fim de se virar de maneira digna; quer é a mais fácil. E isso incomoda esse lado TFP que todo mundo tem – sim; todo mundo.

Essa semana, por exemplo, eu estava de novo no supermercado. Enquanto eu escolhia leite semidesnatado pra levar, uma menina chegou com um carrinho de compras perto de mim e pediu:

-- Paga essas compras pra mim, moço...

A voz era igualmente mole e triste pra ver se eu ficava com pena. Olhei para o carrinho e, menos mal, vi um saco de cinco quilos de arroz. Disse que não tinha dinheiro (afinal, quem é que vai para o supermercado com dinheiro, não é mesmo?), e ela logo foi embora. Não havia tristeza na menina, que depois eu encontrei saindo do caixa com as compras nas sacolas.

Isso me incomodou de novo. Pensando de forma científica, a menina otimizou seu lucro. Ao invés de esperar a entrada de uma receita X e comprar o que fosse possível no final do dia, ela comprou logo o que fosse necessário (ou o que queria mesmo, sei lá) e esperou que alguém cumprisse com a verba que deveria ter entrado ao longo do dia. É preciso que se diga que a menina, convenhamos, é genial.

Sabemos, todos nós, que eles fazem sacrifícios que nós não fazemos. Mas tem horas que os benefícios alcançados pelos pedintes incomoda. Ninguém está pronto ainda pra se despedir da mendicância romântica...

Por EMANUEL NOVAES às 9:31 AM
|

sábado, marzo 22, 2008
COISA RÁPIDA

Sonhei que bati um pênalti. Tão bem batido que a Xuxa não conseguiu defender.

Por EMANUEL NOVAES às 11:11 AM
|

lunes, marzo 17, 2008
FICÇÃO?

“Eu não fiz uma ligação dessas.”

Foi o que pensou quando abriu a ligação. Afinal, foram 66,60 reais por 1 hora, 32 minutos e 30 segundos no celular. “Eu nem conheço esse número.”

Iria reclamar na companhia, mas descobriu muito antes disso que conhecia, sim, o número. De fato, havia feito a ligação. E sequer era a primeira.

Era para ela.

Quando percebeu o tamanho da bobagem que havia feito, ficou com vontade de quebrar cada um dos ossos de seu próprio corpo.

Depois de um ano de conversa, ele esteve decidido a ligar para ela.

E ligou. Duas vezes.

A primeira, mais de 30 reais. A segunda e mais dolorosa, 66,60 reais. Olhar aquela conta era olhar a própria besta. O número da besta estava ali, sob seu nariz.

Nas duas vezes, a conta telefônica lhe caiu como uma bomba. Era como se a ligação cara tivesse sido feita para o Bahrein. De quebra, ela não saiu com ele. Conversaram, conversaram, e ela enrolou.

Como era boa para enrolar...!

Um dia, veio a ressaca. Ele desistiu de ligar. Encheu-se de tanta enrolação e foi encontrar o que fazer. Mas a conta chegou e ele decidiu manter o orgulho intacto. A vítima: a poupança de emergência.

Era isso ou pedir dinheiro para os pais.

Afinal, ela – a poupança – havia sido feita para isso mesmo. Para isso, para pagar despesas extras (como essa?) e para torrar quando julgasse que ela não seria mais necessária. Contas feitas, seria com o fundo de emergência que o problema seria sanado.

Assim foi feito.

Ficou então a promessa de pegar leve no telefone.

Isso, claro, até encontrar alguém para quem valesse a pena ligar.

O que aconteceu.

(Ao amigo Júlio Simões, para que saiba que não está sozinho. Ou para que recomende um comprador de rins.)

Por EMANUEL NOVAES às 11:21 PM
|

miércoles, marzo 12, 2008
“BRASILEIRO É APAIXONADO POR CARRO”

Dizem que é fácil conquistar uma menina no Interior: basta ter um carro. Pode até ser verdade (sem entrar no mérito da questão), já que quatro rodas te ajudam a buscar a menina na porta da casa dela e levá-la a qualquer lugar. Porém, nenhuma outra cidade no mundo deve viver uma relação tão peculiar com os carros como São Paulo. Falta pouco para o pessoal da Capital levar o carango ao pet shop, dando comida, banho e caminha.



Eu adoro dirigir, mas devo ser considerado um pedestre perto de um paulistano médio. Em nenhum outro lugar, acredito eu, um shopping center exclusivo para carros daria certo. Acho que o tal do “auto shopping” seria um fiasco em Berlim, e daria errado até em cidades emergentes com vocação para a bizarrice, como Mumbai e Sepang.

(Para quem não conhece, imagine um grande galpão. Dentro, ao invés de lojas de roupas e restaurantes, concessionárias e lojas de peças. Eis aí os tais dos auto shoppings, que entopem de “infomerciais” maletas a programação das manhãs de sábado nas TVs abertas, e que eu tenho dúvidas se recebem tantos visitantes.)

Já aconteceu de um amigo me chamar pra sair e me levar... a uma loja de peças! Aliás, não uma loja comum; uma megaloja! Garanto a vocês que foi um bocado chato passar o dia todo olhando ponteiras de escapamento, rodas, faróis de halogênio, pedaleiras, volantes... Até eu, que gosto de carros, saí de lá pensando que o paulistano troca um cerveja, um futebol, um dia de folga ou uma mulher por uma volta de carro. E sem exageros.

Claro que essa paixão acaba tendo reflexos no que eles chamam de trânsito. Eu nunca estive em Roma ou no Cairo, conhecidas por não terem ruas e avenidas das mais organizadas, mas o fluxo de automóveis em São Paulo beira o caótico. É até comum o pessoal levar uma hora ou mais para chegar em algum lugar na mesma cidade – e olha que dá tempo de fazer uma viagem como Ribeirão Preto-Franca, Ourinhos-Marília ou Assis-Presidente Prudente em um intervalo semelhante.

Culpa, evidentemente, dos engarrafamentos, causados pelos nada menos do que seis milhões de automóveis a solta por aí. Com vias que não foram projetadas para tantos carros e um asfalto digno de estudo da Nasa, não surpreende que paliativos como o rodízio tenham vingado. E olha que a medida foi implantada na década de 90, quando a cidade tinha 4,8 milhões de carros e motos circulando por aí – a mesma quantidade que circula hoje em um dia de rodízio.

Em uma cidade que parece não ligar muito para trens e ônibus, não é raro ver gente na faixa da esquerda fazendo conversões à direita, virando sem dar seta ou furando sinais vermelhos. Parece haver um certo orgulho paulistano na barbeiragem. Como se fosse coisa pra bater no peito, sabem? Não é. Tanto que a gloriosa CET precisa inverter o sentido de faixas em determinadas avenidas e determinados dias e horários. Caso contrário, carros menores virariam... COMIDA! de leões...

Certa vez, um outro amigo meu esteve em Presidente Prudente comigo e reclamou do pessoal que virava sem dar seta. “Coisa de caipira”, segundo ele. Comecei a observar e não tiro a razão dele, embora a quantidade de gente que faz isso em São Paulo seja proporcional e absurdamente maior. Como se lá os motoristas não precisassem, e aqui, não quisessem um trânsito melhor. O futuro? Vai saber!

O Interior tem problemas com carros? Certamente. A diferença é que São Paulo (e, dizem, Brasília) não parece querer resolvê-los. Para isso, temos entre as marginais motoristas loucos e buzinadores, motoqueiros, auto shoppings especializados em despejar carros por aí, pistas de rali que chamam de ruas, metrôs e ônibus insuficientes e calçadas - onde os pedestres desviam de motoqueiros e se protegem de carros que viram sem dar seta.

Por EMANUEL NOVAES às 12:52 PM
|

viernes, marzo 07, 2008
“AGORA EU SE CONSAGRO”

O problema dos jornalistas iniciantes como eu é que nós sofremos de uma soberba do tamanho do mundo. Qualquer oportunidade é útil para que nós mostremos uma experiência que nós não temos, uma malícia que não adquirimos. Por isso, se é sempre bom quebrar a cara para aprender, é melhor ainda quebrar a cara no início dessa trajetória. Se você sobreviver às decepções, deve estar no caminho certo.

E eu quebrei a cara de maneira deliciosamente frustrante há uns tempos, quando esperava dar meu primeiro furo exclusivo. Coisa de âmbito nacional, daquelas que todo mundo copia e cita você como fonte: jornais, sites, rádios, TVs... Infelizmente, não durou muito minha estadia no estrelato, e eu logo voltei ao mundo dos estagiários mortais.

Explica-se: ao final dos Jogos Pan-americanos, a confederação brasileira de um determinado esporte anunciou a saída do técnico da seleção masculina, que iria para a Europa. Havia passado um tempão aqui e queria treinar clubes lá, deixando o cargo que vinha ocupando com sucesso no Brasil. Não seria problema, já que os jogadores da seleção teriam compromissos apenas com seus clubes no segundo semestre.

A seleção ficou sem técnico então entre julho e novembro. Mas foi então que a assessoria de imprensa da confederação do esporte mandou um comunicado, avisando de um amistoso da seleção. O comando seria do auxiliar do técnico que foi para a Europa, mas que receberia o auxílio do “europeu” e seria observado pelo mesmo. Estranho, certo?

Falei com a chefia e entrei em contato com a confederação. Eles explicaram que o ex-técnico ainda era um técnico informal da seleção, e que estava na Europa apenas porque não tinha compromissos no Brasil. Por isso, ele continuava em um tipo de comando extra-oficial da equipe, embora devesse ser oficialmente reconduzido ao cargo no começo de 2008.

Me senti bêbado. Tinha uma baita informação nas mãos. Conversei de novo com meus editores e coloquei a nota (enorme, diga-se) no ar. A repercussão nos outros veículos, infelizmente, não veio. Não liguei, porque o melhor estava por vir. Só eu sabia que o técnico ia voltar no começo do ano. Só eu.

Foram dois meses de apreensão, até que janeiro chegou. Liguei de novo para a confederação e falei com o próprio presidente – aliás, um cara simpático. Devia ser uma quarta-feira, e ele falou que devia ter mais novidades nos próximos dias. Gostei do que ouvi e liguei pra ele de novo na sexta-feira.

Ele disse então que o técnico já havia voltado da Europa, mas que estava em São Paulo conversando com o auxiliar sobre o time e os tais amistosos. Na segunda-feira, os dois estariam reunidos na cidade da confederação pra discutir a situação e oficializar o acordo. Certo, eu estava de folga no final de semana e retornaria na segunda, e tudo caminhava perfeitamente dentro dos trilhos.

Mal falei com os meus amigos no final de semana. Era tanta ansiedade que eu evitava até conversar sobre trabalho com as pessoas. Dizia que tinha um furo nas mãos (opa!), mas não revelava. Eu tinha medo de que meus amigos atravessassem minha história! Definitivamente, a ganância cega mesmo as pessoas.

Assim, cheguei na segunda-feira pronto para a consagração. Cumprimentei a todos na redação com um sorriso que não cabia entre as orelhas. Sentei, liguei meu computador e abri minha caixa de e-mails. Entre eles, um da assessoria da confederação, avisando a todos os jornais e sites sobre o acerto para a volta do técnico. Que assinou o compromisso na sexta-feira, provavelmente antes do meu telefonema.

Meu chefe, que parecia ter criado uma expectativa sobre o caso, me olhou com um olhar condolente de “a culpa não é sua”. Eu, é claro, afundei na cadeira e voltei ao mundo real.

Como diria Carol Canossa, não existe almoço grátis.

Por EMANUEL NOVAES às 10:26 AM
|

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com