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à troca de links. Quem
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que eu linko com muito gosto.

martes, octubre 30, 2007
FANFARRONICE



Faltou diálogo do filme pra fazer piadinha com essa.

Por EMANUEL NOVAES às 12:51 AM
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domingo, octubre 28, 2007
PROJETO TÓQUIO
Um relato breve e mambembe, mas emocionado.


Jogo decisivo. Oeste Paulista e União Suzano, válido pela sexta rodada da terceira fase da Série B (equivalente à quarta divisão) do Campeonato Paulista. Anotaram tudo? Adiante.

Os dois times empatados em sete pontos, com o Opec jogando em casa e vindo de duas derrotas consecutivas. O Ecus tinha a vantagem de jogar pelo empate. Quem levasse a melhor garantia-se na briga pelo título e – o mais importante – o acesso à série A-3.



Eu não pude estar presente, mas sei que o time de Presidente Prudente viu Wendell marcar para o insosso time de Suzano. Mesmo assim, a Laranja Mecânica anotou com Thiago Lobo e Tarabai, vencendo por 2 a 1 a batalha no Estádio Municipal Eduardo José Farah. Simples assim. Teve comemoração e, dizem, excessos do policiamento – que deu um chega para lá na molecada saudável que apareceu ao estádio. De verdade, uma pena.

Ainda que de maneira periférica, está garantida a volta dos prudentinos ao espetáculo do futebol paulista. Com 10 pontos, o time terminou a terceira fase como líder do Grupo 11, à frente do Força. Itapirense e Penapolense passaram pelo Grupo 12, e também sobem. De quebra, Oeste Paulista e Itapirense fazem a final da divisão, provavelmente com transmissão da Rede Vida.

Ano que vem, é a vez de ver confrontos contra times um pouco mais tradicionais, como Linense, XV de Piracicaba, União Barbarense, Nacional, Taubaté e Francana, além de São Bernardo, Votoraty, Palmeiras B, União Mogi, Flamengo de Guarulhos, São Carlos, Independente de Limeira, Santacruzense e outros. Emoção garantida, e visita a alguns jogos também. Pensando, por enquanto, em não cair.

É a primeira vez desde 2000 que a cidade tem um time no terceiro mais importante certame profissional do estado – e que certamente já é mais importante do que muito Estadual sucateado por aí. Há sete anos, o Corinthians prudentino ficou em terceiro lugar no Grupo 1 da competição, com duas vitórias e sete pontos em seis jogos. Na fase geralzona, o time foi surpreendido e foi lanterna, com três vitórias, e rebaixado junto com a Ferroviária.

Seriam sete anos de ausência, compensadas e remediadas com orgulho neste domingo.

Nós subimos.

Por EMANUEL NOVAES às 3:42 PM
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jueves, octubre 25, 2007
L’AMOUR

É preciso admitir: se não fossem corintianos, o mundo seria uma grande chatice. Sim, pois dificilmente veremos torcedores tão fanáticos e apaixonados como os do Corinthians. E é de gente assim que o futebol precisa.

Diametralmente diferente dos são-paulinos, admitamos, a Fiel Torcida acredita que o Timão é o melhor time do Brasil, quiçá do mundo, independente do momento. Não importa se ganha tudo, como acontecia no final da década de 90, ou se briga pra não cair, como agora.

Há dez anos, por exemplo, São Paulo e Palmeiras já haviam vencido quase tudo o que disputaram: Campeonato Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Mundial... Enquanto isso, tudo o que o Corinthians tinha era o Brasileirão de 90. Os corintianos se defendiam com o número de títulos estaduais, maior que o dos rivais. Era um argumento minimamente válido, mas não deixava de ser engraçado ouvir de um colega de sala algo como “ei, quem tem mais Paulista?”.

Mas não demorou muito tempo para que o time ganhasse dois Campeonatos Brasileiros de forma brilhante e um Mundial (reconheçamos, vá). Eles até usavam o torneio chancelado pela Fifa como argumento, mas nós rivais gostávamos mesmo é de esculhambar. “Mundial com South Melbourne, Al-Nassr e Raja Casablanca? Tenha dó.” Até porque, oras, ninguém disputa um Mundial sem conquistar uma Libertadores.

Nos últimos anos, o time ganhou um monte de coisa, montou um timaço (meio sujo, é verdade) em 2005 e tudo mais. O Palmeiras caiu, o São Paulo ganhou mais ainda, o Palmeiras voltou, o Santos ressuscitou... E o gostoso continua sendo a provocação aos corintianos, que me arrepiaram ao comemorarem o Brasileirão de Carlitos Tévez na Avenida Paulista, bem longe da praça Campo de Bagatele.

E como diria Doug Funnie, às vezes é engraçado como as coisas acontecem. Neste ano, a esforçada equipe do Parque São Jorge é candidatíssima ao rebaixamento. Eu ainda acho que o negócio não está sacramentado, e até acho uma pena o que acontece. Mas não quer dizer que eu não torça pela queda do Timão, muito pelo contrário.

Mas tenho certeza ainda que os jogos contra Avaí, Bahia, Vila Nova, CRB e Ceará devem fazer bem ao Corinthians em 2008. Vou até torcer para o time subir logo. E tenho certeza que a torcida vai dar um show no ano que vem, lotando o Pacaembu para jogos contra times um bocado obscuros. E o futebol vai ter mais uma aula do que uma torcida é capaz.

É provável que o time caia e que suba em seguida. Assim como é provável que o time ganhe a Libertadores e construa um estádio um dia (eu até torço pelo Fielzão, mesmo sem acreditar muito). Os argumentos dos rivais vão acabar, certo? Vão nada. Conseguiremos outros.

Porque sabemos que o gostoso são as brincadeiras que fazemos com os rivais. E que o futebol não teria a menor graça se não fosse a torcida do Corinthians.

Por EMANUEL NOVAES às 12:34 PM
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martes, octubre 23, 2007
DISCURSO! DISCURSO! DISCURSO!

Recebi o seguinte comentário no blog.

OLÁ, ACHEI O SEU BLOG NA PÁGINA NO BLOGGER, ELE FOI UM DOS QUE MAIS CHAMARAM A ATENÇÃO NESSA SEMANA. PARABÉNS!!! SOU DE DE NITERÓI - RJ E TENHO UM BLOG PROFISSIONAL ATRAVÉS DO QUAL DIVULGO A MINHA CARREIRA DE ATRIZ E MODELO COMERCIAL. O MEU BLOG É CONSTANTEMENTE ATUALIZADO, ELE ESTÁ REFLETO DE FOTOS, NOTÍCIAS DE JORNAL E COMENTÁRIOS DE FÃS E AMIGOS. VENHA ME FAZER UMA VISITA, MAS NÃO SE ESQUEÇA DE DEIXAR LÁ UM COMENTÁRIO COM A SUA OPINIÃO, POIS ELA É MUITO IMPORTANTE PARA MIM. INDIQUE O BLOG PARA OS SEUS AMIGOS SE VOCÊ GOSTAR. MUITO OBRIGADA PELA ATENÇÃO, EVELYN MONTESANO

Evelyn não estava mentindo.

Certo, eu não gostei do spam no comentário, mas ele trouxe uma boa notícia: pela primeira vez em quase cinco anos de blog (entre este e o antigo), eu estou no Blogs of Note, no qual o Blogger.com.br destaca dez blogs bacanas da semana. Podem olhar ( ou aqui):


Percebam como a transformação de
BMP para JPEG continua
destruindo as cores.


Só pode ter sido por conta do post do Londrina.

Pelo sim, pelo não, agradeço à bela mocinha acima pelo toque dado. Evelyn, está linkada aqui.

Por EMANUEL NOVAES às 10:40 AM
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lunes, octubre 22, 2007
OS PIORES DO MUNDO

Renato Maurício Prado é uma mala.

Certo, boa parte dos comentaristas do SporTV é mala mesmo. Renato André Loffredo é pedante; Aydano André Motta é metido a engraçadinho; “o mestre” Armando Nogueira queria ser Nélson Rodrigues e não consegue; Lúcio de Castro acha que é bom; Telmo Zanini é um medíocre defensor de estereótipos; Dácio Campos é um cretino que narra jogos de tênis aos berros histéricos de um adolescente; Lito Cavalcante é ruim e Sérgio Noronha é uma mula. Mas há alguns que se salvam no canal.

Não é o caso de Renato Maurício Prado: ele é pedante, metido a engraçadinho e acha que é bom. 80% do que sai de sua boca é baseado em comentários "piadísticos", o que não consegue esconder a popular “ruindade” de seus comentários sérios. Ou seu ego inflado. Ou sua incapacidade de admitir erros.

Em sua coluna do jornal O Globo, por exemplo, nosso querido Renato já cometeu um sem-número de barrigas, sem nem sinal de um mea culpa até aqui. E não faltam exemplos.

Em 2004, o colunista anunciou – em primeira mão – que Romário estava encerrando a carreira. O craque, na época jogador do Fluminense, estaria apenas esperando terminar o Campeonato Brasileiro para pendurar as chuteiras.

Pois bem: o Brasileirão de 2004 acabou, o Santos foi campeão e Romário deixou o Fluminense mesmo. Foi para o Vasco, de lá para o Miami FC, de lá para o Adelaide United, de lá voltou para o Vasco. Marcou o milésimo gol pelo clube cruzmaltino em 2007, e só agora dá indícios de que irá abandonar os gramados. E Renato Maurício Prado, com suas bolas-fora, nem se manifestou.

Neste ano, em sua coluna no periódico carioca, o jornalista garantiu: Alexandre Pato vai trocar o Inter pelo Chelsea-ING. Já está tudo certo e o jogador está apenas dependendo de uma documentação para seguir para o clube inglês.

Mas a documentação jamais chegou, e Pato acabou se transformando no novo reforço do Milan-ITA. Já marcou até gol em amistoso dos rubro-negros de Milão. Enquanto isso, Renato Maurício Prado continuava lá, contando suas piadas sem graça.

Na mesma coluna de Pato, o carioca alertou a torcida do Botafogo, a menina dos olhos do futebol brasileiro do primeiro semestre, de que seu técnico iria deixar o clube. Segundo Renato, Cuca já tinha tudo certo para deixar a equipe para treinar o obscuro Al Ittihad, da Arábia Saudita, prontos para deixar órfã a locomotiva botafoguense.

Cuca não foi. Desta vez, Renato se manifestou, e afirmou que o negócio degringolou porque os dois lados não gostaram de saber que a transferência se tornou pública antes da hora. De lá para cá, Zé Roberto foi afastado, Dodô foi pego no antidoping, Cuca saiu e voltou, e quem perdeu o fio da meada mesmo foi o clube da Estrela Solitária.

E Renato voltou a atacar tempos atrás. Falou que Ronaldo poderia voltar a ser convocado para a Seleção, mesmo queimado após a Copa do Mundo. Segundo nosso colunista/vidente, tudo o que o Fenômeno precisaria fazer seria manter a forma física, ficar longe de baladas, assumir uma vaga de titular no Milan e alcançar uma boa média de gols. Só isso.

Ora, isso é subjugar a inteligência de quem acompanha esse tipo de notícia. Qualquer atacante de nível internacional que atenda a essa lista vai ser convocado para a Seleção! E não precisa ser o Ronaldo, não; pode ser o Túlio Maravilha mesmo. Convenhamos, Renato, que o que você falou não foi mais do que chover no molhado, mas com ares de “vem cá que eu vou te contar um segredo”.

E não me venha com “eu não disse?” se acertar. Porque a gente sabe que, se você errar, ninguém vai se lembrar mesmo disso.

OBS1: O texto está bem didático, para que não possam reclamar que fala só de futebol. Na verdade, a intenção é esculhambar um jornalista ruim, independente da área de atuação. Se ele é esportivo, é porque a gente olha mais para o próprio umbigo.

OBS2: O
SporTV tem comentaristas ruins pra burro, mas tem alguns excelentes. Pessoalmente, gosto muito de Marcelo Barreto, Alex Escobar, Reginaldo Leme, Claudio Carsughi, Cléber Machado, Milton Leite, Paulo César Vasconcelos e de outros que não me ocorrem no momento.

Por EMANUEL NOVAES às 11:38 AM
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viernes, octubre 19, 2007
O QUE EU FIZ NAS FÉRIAS

Eu e o Luiz matamos o Brunão.


Por EMANUEL NOVAES às 12:06 PM
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miércoles, octubre 17, 2007
COMO NASCE UMA PAIXÃO

Há cinco anos, eu já gostava muito de futebol. Não entendia muita coisa (como ainda não entendo, vá lá), mas gostava. Tanto que já colecionava camisas de futebol, e aproveitava determinadas viagens para religiosamente comprar as dos times locais. Hábitos de meninos, sabem como é...

Há cinco anos, porém, eu não tinha a menor intimidade com Londrina. Para mim, era apenas uma cidade como outra qualquer, onde muita gente ia estudar. Em uma dessas, minha irmã acabou integrando esse imenso contingente de prudentinos e foi pra lá fazer faculdade.

É claro que a chegada dela à Pequena Londres acabou aproximando também minha família à cidade – a qual ninguém tinha qualquer relação anterior. Eventualmente, meus pais e eu íamos visitar o apartamento da Mariana, e aproveitávamos para conhecer a cidade.

É claro também que as visitas à terceira maior metrópole do Sul (e segunda do Paraná) acabaram me rendendo uma camisa do Londrina. Curiosamente com um erro bizonho em sua concepção, mas este não interessa aqui. Tinha eu minha primeira camisa do Londrina, depois de muito insistir à minha mãe.

A essa altura, eu já tinha camisas de times como Criciúma-SC (sem visita), Racing-ARG e Juventude-RS (ambos com visita), mas com pouca “conexão”. Os três times eram bons, mas o carinho com todos era apenas eventual. Talvez pela proximidade, o Londrina despertou um carinho mais consistente. Como se eu ficasse com Criciúma, Racing e Juventude, mas namorasse o LEC.

A razão não é de fácil explicação, como a de toda paixão. Fato é que, em 2003, eu já tinha um carinho relativo pelo time. Talvez pelo Palmeiras na segunda divisão, onde a moral estava baixa por enfrentar times como CRB, Ceará, Avaí... e Londrina! Meu Deus! Puta mundo injusto!

Não interessa aqui, mas foi um jogo apertado. Dia 19 de julho no Parque Antártica. Foi difícil, 1 a 0, gol de pênalti do Vagner Love. No fim das contas, o Palmeiras terminou a primeira fase na liderança e subiu, enquanto o Londrina parou na primeira fase com o décimo lugar (passavam oito).

O Palmeiras subiu e, no ano seguinte, o LEC caiu. Foi para a Série C, de onde não voltou mais. Em 2005, passou pelas duas primeiras fases, mas parou na terceira com duas derrotas para o Ceilândia! Nos anos seguintes, pior ainda, perdeu as vagas paranaenses da Terceirona para timecos como Paranavaí e – heresia – Galo/Adap.

E era bem quando o time estava realmente pensando grande... Em 2004, o presidente Peter Silva havia prometido um presente para o cinqüentenário da equipe: colocar o Tubarão na elite do Brasil em dois anos. Trouxe Donizete Pantera, fechou com patrocinadores fortes (a camisa era da DalPonte, e eu até comprei)... Mas caiu.

Hoje, o Londrina talvez passe pelo pior momento de sua história. Quarto colocado no Brasileirão de 77, campeão paranaense em 62, 81 e 92, Campeão Brasileiro da Série B em 80, o time hoje perdeu espaço para outros timecos paranaenses. Não briga com consistência pelo título paranaense, mas sobrou no primeiro turno da Copa Paraná. É esperar para ver.


O time do título de 92. Em pé: André Dias, Alexandre, Souza, Roberto, Amarildo e Marcio. Abaixados: Aléssio, Marquinhos, Cláudio José, Tadeu e Celso Rei.
(Foto: site oficial/Londrina EC)


O time continua brigando para voltar a ser o que era. Como toda paixão futebolística, aumenta ainda mais quando o time está pior. Mas vai ser imensa quando voltarmos a ser grandes.

Talvez a falta de um time representativo em Presidente Prudente colabore. Ora, nós já tivemos Prudentina, Corinthians de Pres. Prudente (saudooooso!), Prudentino (que empolgava), Presidente Prudente, Oeste Paulista, e nenhum engrena. O Opec é um pouco mais consistente e pode até subir para a A-3 de SP, mas ainda não é suficiente para que eu abandone o LEC.

Afinal, há 50 anos, o Londrina já queria ser o meu time: “coube ao ponta direita Alaor, marcar o primeiro gol do Londrina. O amistoso foi contra o Corinthians de Presidente Prudente-SP”. Está no site, podem olhar.

Força, Tubarão!

Por EMANUEL NOVAES às 11:53 AM
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martes, octubre 16, 2007
A NOITE MAIS BONITA DO MUNDO

Foi em 93 ou 94, eu não me lembro direito. Eu devia ter uns oito anos e jogava bola na rua sempre com o mesmo pessoal, sempre no mesmo lugar, no mesmo horário. Nem precisava marcar.

Um dia, o Corinthians foi para a final de um campeonato, não me lembro qual foi. Nem se era importante. Mas o Zé Renato, que era o mais velho (e mais corintiano) da turma disse que nós devíamos assistir juntos.

Todo mundo topou na hora. A maioria era corintiana também (inclusive este palmeirense que vos escreve, que ainda buscava uma orientação futebolística na época) e adorou a idéia. Por isso, o Zé sugeriu que a gente fizesse um churrasco.

Era legal ter alguém com 13 anos, enquanto toda a turma não tinha mais do que 10 ou 11, para tomar essas iniciativas. O Zé logo se encarregou de fazer as contas, a lista de quem ia e fez uma vaquinha. Todo mundo pagou certinho para ter carne e tubaína.

Aí ele foi com a Aninha e a Marília, respectivamente mãe e irmã dele, fazer as compras no Carvoeiro (que depois virou Supermercado Lusitana). Eu não ligava o nome à pessoa e imaginava o Carvoeiro como uma construção pequena e branca de fundo de quintal, com aquelas pedras no chão e um monte de carvão empilhado em um cantinho. Lá, um cara sorridente e gordo, com cara daqueles americanos vermelhões, estaria esperando a gente com uma camisa azul.

O Zé fez as compras e chamou todo mundo para ir à casa dele no dia do jogo. Era de frente para o nosso “campinho” – a calçada da casa do avô do Gabrielzinho e a rua da frente, com duas palmeiras fazendo traves com as paredes. No caminho, eu e minha irmã devemos ter passado na casa do Gakiya, já que ele era corintiano e morava no outro quarteirão.

O Zé morava no final da rua, virando à esquerda, do lado da casa do Álvaro. Chegando lá, é bem provável que também estivessem o Diego, o Danilo e a Marília – todos torcendo para o Corinthians. O Thiago já era palmeirense e o Álvaro ainda é são-paulino, então nem devem ter ido.

A Aninha, que deu aula com a minha mãe, deixou o carro na rua para que a gente pudesse fazer o churrasco. A casa do Zé era de madeira, mas uma das que dão mais saudades. Na garagem, logo depois do portão, o pessoal armou a churrasqueira, colocou a TV e se acomodou.

Não devia ser muito tarde, mas já estava escuro quando o jogo começou. O Zé era da Gaviões da Fiel e tinha uma coleção de camisas do Corinthians, que emprestou para todo mundo que foi ver o jogo e que não tinha. Logo, Ronaldo, Henrique, Zé Elias e Rivaldo foram entrando em campo. E a gente, de chinelo de tira e camisa do time, vibrava.

Acho que o Corinthians ganhou aquele jogo, porque eu não fiquei triste, mas o Palmeiras deve ter sido campeão com o outro jogo. A gente nunca mais repetiu o churrasco, mas comemorou muita coisa juntos – e brigou também. E jogou bola por muito tempo.

Um dia, a Aninha decidiu se mudar, levando a Marília, o Zé, a guitarra branca e a cachorra – que tinha o nome de Viola, exatamente por causa do jogador. Nem foram para outra cidade ou coisa assim, só para outro bairro. A Aninha até escreveu uma carta bonita para alguns vizinhos (inclusive minha mãe), com o endereço novo e tudo mais. Mas o pessoal da rua, eu acho, nunca foi visitar.

A casa do Zé foi demolida, deixando só um terreno baldio e o portão que a gente se acostumou a abrir. A casa, onde eu e minha irmã jantamos, não existe mais. A torneira da frente, onde o pessoal bebia água entre os jogos, também não. Até o pé de romã do fundo foi cortado, e o toco coberto pelo mato que cresceu nos fundos.

O Zé, a Marília – que tinha o singelo apelido de “Harry” – e a Aninha, eu não vi mais. Nunca mais se comentou deles. Mas soube que o Zé se formou em direito e virou advogado. Parece até que se mudou de Prudente. A Marília, eu vi uma vez em 99 tocando violão na Igreja da Santa Rita, e nunca mais vi. O fusquinha vermelho da Aninha, também não.

Todo mundo sumiu. Uma pena. Eu tinha alguma esperança de que ia chegar em casa e o pessoal ia estar me esperando.

Por EMANUEL NOVAES às 10:27 AM
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lunes, octubre 15, 2007
THE INDIES

Musicalmente falando, não deve haver algo mais desgastante do que ser indie. Dá muito trabalho...

Veja bem; além de ter que sair na rua com aquelas roupas ridículas, ainda é preciso trocar de banda preferida todo santo dia. Sim, pois sempre haverá uma banda nova – possivelmente promovida pelo TIM Festival – a ser idolatrada.

Quer um exemplo? The Libertines. Ninguém mais se lembra dos pobres coitados. Hoje em dia, só se fala em Juliette & The Licks (que não são ruins). E isso porque Arcade Fire, Arctic Monkeys e Interpol passaram pelo meio do caminho. Antes de tudo isso, veio o Teenage Fanclub. E vejam bem, que estamos falando de um espaço de uns míseros três anos.

Coitados dos indies.

Mas não é culpa deles, não. É fácil hoje em dia ter uma banda indie. É só colocar um nome que começa com “The” (Killers, Hives, Libertines...), vestir umas roupas escrotas, ser da Irlanda (ou algo que o valha), usar um corte de cabelo estranho (chapéu-coco também conta) e tentar ser emo. Pronto.

Logo você fará sucesso na Avenida Paulista, na Consolação e influenciará um monte de fãs do Cansei de Ser Sexy. Aí, é só botar umas músicas no YouTube e voilá; você tem uma banda indie. É só esperar a Trama entrar em contato com você.

Mas não vale a pena. Logo aparece outra banda e tira vocês do posto de banda mais legal do mundo do mês de outubro.

Por EMANUEL NOVAES às 8:22 AM
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sábado, octubre 13, 2007
BIMBA
Uma piada interna


Minha irmã me ligou na quarta-feira para dar os parabéns, e aproveitou para achincalhar o São Paulo. São-paulina que é, estava injuriada com o time de Muricy Ramalho, que até então empatava em 0 a 0 com o Millonarios-COL.

No intervalo, ela me pediu para que assistisse o jogo com atenção, observando como o ataque era ineficiente. Assisti e percebi que o São Paulo realmente não conseguia ser efetivo frente ao gol colombiano. No final, Zapata ainda decretou a derrota por 1 a 0 do Tricolor no Morumbi – a terceira consecutiva e muito bem comemorada, diga-se.

Eu não sou muito bom de análises futebolísticas, mas não acho que o São Paulo peque pelo excesso de jogos. Então o time não perdia três seguidas desde 2004? Paciência. Depois de vencer o Brasileirão de 2006 com o pé nas costas e apenas quatro derrotas, nada mais natural que o time perca fôlego.

Contexto. E vida que segue.
O São Paulo tem menos qualidade do que o que foi campeão mundial há dois anos, com Rogério, Cicinho, Lugano, Fabão e Júnior compondo a defesa. Mesmo que eu achasse (e ache) Mineiro um volante apenas bom, o meio-de-campo do time era muito bem liderado pelo camisa 10 Danilo, que fazia a bola chegar em Amoroso e Christian. Um belo time.

É claro, o São perde alguns nomes, trouxe outros e perdeu pouco do nível em 2006. Perdeu outros, trouxe mais alguns e perdeu mais um pouco mais em 2007. Mesmo assim, conseguiu formar um bom time e vai conquistar de novo o Brasileirão com folga. Os resultados falam por si.

Em 2008, acho que o São Paulo deve perder fôlego de novo, como aconteceu com times vitoriosos de Palmeiras, Corinthians, Santos, Inter, Grêmio e Boca Juniors. A fase vai acabar. O que estamos acompanhando é apenas o fim de um ciclo natural. O melhor momento do Tricolor do Morumbi já passou, embora o atual seja muito bom.

Eu tenho a força – no lugar certo.
Não é culpa do ataque, já que os são-paulinos não têm podido comemorar os melhores ataques mesmo nos últimos anos. Desde que Luís Fabiano saiu, o time teve Amoroso, Christian, Grafite, Diego Tardelli, Luizão, Aloísio, Dagoberto... E nenhum conseguiu reverter a escrita de que o São Paulo ganha porque não perde, de que o forte do time é a defesa.

Vale isentar de culpa – e de mérito – o técnico Muricy Ramalho. Pessoalmente, acredito que qualquer treinador que tivesse em mãos o time do São Paulo poderia fazer um bom trabalho (vide Roberto Rojas). Apenas o que Muricy fez foi impor seu estilo defensivo de jogo, o que casou muito bem com o elenco do São Paulo. Se Cuca fosse o técnico, o time demonstraria mais ofensividade. Se fosse Antônio Lopes, seria mais cadenciado. E todos estariam bem e cotados como o melhor técnico do Brasil – o que não é verdade em nenhum dos casos.

Olho no lance. E no Lance!, na Band, no SporTV, na Record, na Gazeta...
Apenas o que não dá para aceitar é a subserviência da imprensa – especialmente paulista. O Botafogo deitou e rolou no primeiro bimestre, e todo mundo comemorava o time do jogo bonito. Aí o caldo entornou e todo mundo começou a atirar pedras no Glorioso, o que é uma grande injustiça. Ver o Botafogo campeão seria muito bom para dar um agitada no cenário futebolístico do Brasil, que há muito começou a rezar o mesmo rosário: planejamento, estrutura, títulos, elenco... Tem hora em que os 11 resolvem.

Vide, de novo, o São Paulo. O time ganhava tudo e os mesmos de sempre pregavam que Muricy tinha um elenco bom nas mãos para disputar duas competições paralelas. Depois da terceira derrota, o verborrágico e mal-humorado treinador cansou de repetir que não tinha tantos jogadores assim em condições de serem titulares. Bastou para que a meia dúzia de jornalistas citados acima se esquecesse do que dizia e concordasse: sim, realmente, o São Paulo não tem um elenco tão completo assim.

Por fim...
Os são-paulinos podem ficar tranqüilos, pois vão mesmo ganhar o Brasileirão – com ou sem derrotas pela frente. Especialmente porque o time do Cruzeiro é tão medíocre, mas tão medíocre, que parece não fazer esforço para perder pontos para equipes como Juventude, Flamengo, Figueirense, Santos (ambos no Mineirão) e Goiás. De antemão, dava mostras de não ter condições nem de brigar pela vaga na Libertadores no primeiro semestre, quando perdeu o título mineiro e o técnico Paulo Autuori. Mas alguém conseguiu criar um candidato que não existia ao título do Brasileirão.

Mas ano que vem, acredito eu, a coisa deve ser mais complicada para o São Paulo. No Paulistão, o Santos deve dar trabalho de novo. E eu torço para que o Palmeiras possa ir pelo mesmo caminho, como parece querer fazer.

La pregunta?
Que os são-paulinos não se preocupem com o ataque. Depois do 1 a 0 do Santos sobre o Independiente de Medelín na Libertadores de 2003, os parâmetros para gols perdidos em um jogo mudaram.

Por EMANUEL NOVAES às 12:51 PM
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jueves, octubre 11, 2007
FUNDAMENTAL

Vocês conhecem o prêmio IgNobel, né?

Bom, pra quem não conhece, o IgNobel é uma tentativa de mostrar os avanços da ciência na contramão – exatamente o contrário do prêmio Nobel, e por isso o nome. Enquanto o segundo presta homenagem a tudo de mais relevante que foi produzido por grandes mentes durante um ano, o primeiro mostra como os cientistas sabem desperdiçar dinheiro com inutilidades.

A edição deste ano premiou a famosa bomba gay do Exército dos EUA, o aroma de baunilha extraído de estrume e o censo de seres vivos que vivem em nossos colchões. Como vocês podem reparar, muita coisa útil e sem as quais o mundo pára.

Mas, pessoalmente, eu tenho o meu preferido: o IgNobel de lingüística. Segundo a nota do UOL Tablóide, Juan Manuel Toro, Josep Trobalón e Nuria Sebastián-Galles, da Universidade de Barcelona, “comprovaram” que ratos às vezes não conseguem distinguir uma pessoa falando japonês de costas de uma pessoa falando holandês de costas.

De verdade: como é que isso vai ajudar alguém em alguma coisa? Será que a Universidade de Barcelona realmente pagou por um estudo desses ou os três ocupadíssimos cientistas fizeram isso em seu tempo livre? IgNobel pra eles, já que até mesmo pessoas como eu têm dificuldades pra diferenciar uma pessoa falando japonês de costas de uma pessoa falando holandês de costas - e continuam vivos e felizes.

Por EMANUEL NOVAES às 11:58 AM
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miércoles, octubre 10, 2007
VALEU, RENAN!

Sim, hoje é meu aniversário. E você está se perguntando o que me dar de aniversário.

Resposta:



Se não der, a Playboy dela também é um bom presente.

Por EMANUEL NOVAES às 1:31 PM
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martes, octubre 09, 2007
O VICE DO BANCO

Os freqüentadores mais assíduos deste blog sabem que eu não me dou bem com caixas automáticos de bancos. Sim, pois não há nada mais insuportável do que você querer sacar míseros dez reais em uma agência e descobrir que aquele computador estúpido só trabalha com notas de cinqüenta.

Bom, ir ao supermercado também pode ser um esforço hercúleo, embora a experiência não seja tão detestável quanto a dos bancos. A diferença é que o problema entre as gôndolas e os caixas são os imbecis que circulam por aí, e não um computador mal-programado ou um terminal desabastecido ou sem conexão.

Tempos atrás eu tive que ir ao Casino Extra da Brigadeiro para fazer umas eventuais comprinhas saudáveis. A coisa não é tão demorada assim, mas poderia ser mais rápida senão houvesse tanta gente despreparada, passeando pelos mercados e trancando passagens.

É uma merda querer pegar uma mísera caixa de leite e ter que ficar atrás de uma senhora de cabelos pintados de acaju que fica andando com um carrinho a 0,5 quilômetros por dia pelo meio do corredor. E isso porque a miserável pegou um carrinho dos maiores para pegar um leite e um detergente. Acontece sempre, seja para pegar leite, pão, suco, frutas ou desodorante.

O trânsito entre as gôndolas de um supermercado consegue ser pior do que os que existem nas ruas de São Paulo, Roma, Cairo ou Muzambinho. Sempre há uma tia com seu carrinho andando no meio da ‘pista’, fechando o insípido casalzinho indie, impedindo que eu vire para mudar de corredor, de frente para o engravatado – que tem que parar e impedir que a bonitinha de blusinha verde se mexa. Uma lástima.

OK, pode parecer que são os mais velhos que atravancam os supermercados, mas não precisa ter mais do que 60 ou 70 para ser um incômodo. Quer coisa mais irritante do que entrar na fila do caixa rápido, onde o limite de itens no carrinho é de 15, e ver que tem uma mal-casada com 27 produtos? Sim, e ainda fica desfilando com aquela cara de “não, mas é rapidinho, é que eu estou com pressa”... Sei!

(É, eu olho as compras dos outros. E conto os itens. Inclusive nos caixas!)

O caixa rápido, por sinal, é uma das maiores invenções da humanidade, e que seria mais reconhecido se fosse bem utilizado. No do Extra, são 18 caixas trabalhando para atender clientes que comportem até 15 itens. Logo, as filas costumam ser enormes, mas costumam ser mais rápidas do que as menores de caixas normais. É claro que algumas pessoas se precipitam e trocam o caixa rápido, mas eu não tiro a razão delas. Afinal, com tanto imbecil levando seus 27 itens pra lá...

Em uma outra ocasião, tive que fazer umas compras um pouco mais fresquinhas e estourei os 15 itens. Como eu sou bom menino, educadinho pela Tia Nair, peguei a fila de um caixa normal e fiquei esperando, à frente de duas mulheres esteticamente descuidadas (entendam como quiserem), com uma pequena fila. No caixa, um cara com uma compra grande.

Nesse meio-tempo, entrou um senhor de muita idade com sua bengala e, sem pedir licença, se colocou logo como o primeiro da fila, atrás do cara da comprona. Eu admito que fiquei um pouco incomodado, uma vez que os idosos têm caixas preferenciais e ele optou por entrar no nosso caixa sem pedir licença. Mas nada que um “alguém se importa se eu furar a fila?” não resolvesse.

Isso para mim. Para as duas mulheres atrás de mim, aquilo foi uma afronta. Sim, pois era por isso que a fila demorava. Ninguém ousaria fazer um ultraje daqueles na fila de idosos, elas reclamavam. Uma falta de educação, mas nenhuma das duas parou para pensar que a demora talvez fosse culpa do cara com a compra enorme que ainda passava seus cento e vinte e poucos itens. O preço, para constar, foi superior ao meu orçamento mensal.

Alguém deve ter pensado que eu perco muito tempo no supermercado ofendendo mentalmente as pessoas, e não deixa de ser verdade - assim como enquanto pedestre. Apesar de toda a simpatia, eu não sou muito de fazer amigos em situações como essas. Convenhamos, os supermercados não foram feitos para serem os lugares mais receptivos do mundo.

Mas ainda sim são melhores que os bancos. Esses sim, bastante hostis.

Por EMANUEL NOVAES às 2:38 PM
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domingo, octubre 07, 2007
MANEVERSÁRIO

A quem foi, a quem se lembrou, obrigado.

É positivamente difícil colocar quase 50 pessoas na mesma mesa. Mas alguém duvida que compensa?


Essa foto não vale. Já era quase no final do festa.


Eu já estou pensando no que vai ser no ano que vem. Vocês são demais.

Crédito da foto: Talita Marchão.

Por EMANUEL NOVAES às 2:18 PM
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sábado, octubre 06, 2007
DA ARTE DE SE FAZER UM TRABALHO

Terça-feira. Um dia de folga no trabalho que veio em ótima hora. A missão de Jack Bauer é fazer um trabalho que vale nota bimestral na faculdade. Pela frente, cerca de 3000 caracteres e um tema extremamente desinteressante.

9h47
Fim do café na cama. E da leitura dos três textos de base. A dúvida entre ligar o computador e assistir à TV é grande. Ainda mais com as convidativas cobertas nesse dia frio de setembro.

9h51
Computador ligado. Droga, lá se foi todo o lirismo.

10h03
“Os estudos de Caio Prado acerca da formação da sociedade brasileira, iniciados na década de 30, mostram como a formação da esquerda marxista no país foi praticamente uma reação à colonização em moldes comerciais promovida pelos portugueses no Brasil.” Hum, exatos 250 caracteres e uma construção bem feita. Quem sabe se eu copiar e colar a mesma coisa 12 vezes, eu não tiro um 10?

10h19
Desembestou. Já são 1486 caracteres. Tudo bem que chegamos em um ponto em que a coisa começa a se desvirtuar. Ainda dá tempo de evitar a cagada.

10h22
OK, parou.

10h32
“A partir daí, (Caio Prado Júnior) inicia a defesa de suas teses do Brasil da época – e atual – como conseqüência da colonização portuguesa. Em uma época de poucos pensadores marxistas, Caio Prado é um dos primeiros a explicar a formação do Brasil como conseqüência da exploração lusitana nos séculos anteriores.”

Você já teve a impressão de que está falando às paredes? E pior: de que as paredes estão ouvindo bobagem?

10h38
O pior é que estava ficando bom. Aí, neguinho pára pra pensar, para reler e perde o fio da meada.

10h39
Acho que com uns 5000 mil caracteres ia ficar legal. Periga este post ficar maior que o trabalho.

10h49
“Mais próximos das classes populares, os modernistas como Mário de Andrade e Menotti del Pichia se tornam fundamentais para a compreensão do Brasil entre as décadas de 30 e 50 (...).”

O que diabos Mário de Andrade e Menotti del Pichia estão fazendo no meu trabalho?

10h54
3180 caracteres.

E eu, querendo chegar a 5000. Quanta leviandade...

10h55
Antigamente, a gente fazia pausas para descansar. Hoje, a gente faz pausa para rever conteúdo.

Quem roubou nossa coragem?

11h04
AGORA VAAAAAAAAI!!!!

(O que é “imbricação”?)

11h16
Será que acabou minha parte? 4326 caracteres? Não está ruim, mas nem está bom. Melhor dar uma lida.

11h26
4352 caracteres. É tetraaaa!!! É tetraaaa!!!

Certo, não acabou. Eu ainda preciso mandar para o Mestre, para ele dar o aval dele e completar no texto. Mas o importante é a consciência tranqüila e os dois outros trabalhos para fazer nos próximos dois dias.

Sim, porque ninguém tem que trabalhar mesmo. Todo mundo só faz faculdade e festa, né?

(E só pra constar: este post tem 2800 caracteres!)

Por EMANUEL NOVAES às 10:14 AM
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viernes, octubre 05, 2007
MEMÓRIAS DO CÁRCERE

Nunca gostei de estudar no Anglo.

Estive por lá durante cinco anos e admito que fiz alguns ótimos amigos, entre alunos e funcionários. Tive bons momentos, principalmente na sétima série. Mas o colegial, definitivamente, não representou os melhores anos da minha vida.

(Colegial, sim! “Ensino Médio” é o cacete!)

As meninas pareciam não dar a mínima para nós, só para os caras mais velhos e ricos. A grande maioria dos professores não parecia fazer tanta questão de se importar com seus 140 alunos por ano. A escola estava demasiada interessada em preparar ratos de laboratório para os vestibulares.

Desde o primeiro colegial, os alunos passavam a realizar simulados, abandonando seus nomes e passando a se chamar 5534078. 6298017. 3471560. Eram provas de 80 questões para apresentar aos imberbes o esquema de vestibular. Cartão de respostas, gabaritos, cadernos de questões. Um horror.

O desempenho nas simulações valia 3,0 pontos na nota, 1,5 na média. Era somado aos 7,0 da prova bimestral, aos 10,0 da prova mensal e divididos todos por 2,0. Por não saber química, eu jamais consegui tirar notas máximas em geografia. Em compensação, inglês já salvou algumas notas minhas de física. Sem sentido.

Eu sempre acertava umas 55 questões das 80 e tirava 2,0. Já tirei 1,5 e encostei nos 2,5, mas nunca cheguei perto das míseras 64 questões certas para tirar 3,0. Só quem acertava 70, 72 questões eram os japoneses do 1º A, dos 2º A1 e das salas de nerds que a escola estranhamente rebatizavam todo ano. Acho que por razões motivacionais.

Ah, sim: a gente era remanejado bimestralmente de sala, sentindo na pele o peso de notas boas ou ruins. As melhores notas (e não raro, as melhores meninas) iam para o 1º A, 2º A1 ou 3º A1. Lá estavam alguns amigos, enquanto alguns estavam no 1º B (eu), no 2º A2 e no 3º A2. As notas pesavam no 1º C, no 2º B1 (eu) e no 3º A3. Não raro, a gente passava o ano todo na mesma sala.

O legal mesmo era quando as desastrosas notas de finais de ano insistiam em colocar a gente no 1º D, no 2º B2 e no 3º A4. Completamente Içami Tiba esse remanejamento (o nome era este mesmo) como mérito das notas. Pura motivação estar uma sala abaixo dos amigos. Eu mesmo comecei terceiro colegial no A4 (vide camisa azul do Homer “Made in Dzão 2002”) e passei os demais bimestres no A3 (vide insossa camisa Calvin “Até Nóis Passa”). Feel gooooood!

E no fim das contas, tudo isso para quê? Para aparecer em propagandas de jornal e outdoors, de cabeça raspada e feliz por ter passado em Engenharia Elétrica na UFSCar. Por ter passado em primeiro lugar em Engenharia Química na Unicamp. Por ter passado como treineiro na Unesp. Depois de um, dois ou onze anos em uma escola cheia de grades.

Cheia de mauricinhos e patricinhas. Cheia de pequenos burgueses, moradores de residenciais fechados, filhinhos de médicos e que, no fundo, estão preocupados em ostentar. Pretensos marginaizinhos. Quase um episódio de Malhação. O exato contraponto dos japas nerds que se adaptavam melhor ao sistema.

E eu, no meio de tudo isso? Passando sem absorver muita coisa, e preferindo muito mais as escolas menores onde estudei. E vendo hoje que simulados, remanejamentos e vestibulares pouco podem fazer por nós.

Por EMANUEL NOVAES às 10:10 AM
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jueves, octubre 04, 2007
PROBLEMAS TÉCNICOS

Sim, os comentários estão com problemas.

Não, não é o seu computador.

Não, eu não sei o que aconteceu.

Sim, eu pretendo resolver.

Não, eu não sei quando.

Não, eu não sei como.

Por EMANUEL NOVAES às 10:23 AM
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miércoles, octubre 03, 2007
OS INICIANTES

Ninguém gosta de atendentes de telemarketing.

Sim, porque nós temos aquela mesma visão estereotipada deles, de gerundismo e de horas de espera por uma informação burocratizada. Eu já conheci alguns operadores e admito que não gostei da grande maioria. Só do Lelê.

Mas admito que tive uma experiência mais feliz com uma dessas pessoas que fazem luzes no cabelo e que trabalham com headphones. Faz um tempinho, mas foi legal.

Isso foi quando eu estava sem internet em casa, na época em que eu ainda escrevia textos no meu PC e deixava-os armazenados numa pasta. Eu estava procurando algum serviço de provedores de internet, e apanhando um bocado por aí.

Aí eu resolvi assinar o Speedy e esperar. Esperar. Esperar. E a instalação não veio. Aí eu esperei mais. E não veio. Aí então eu resolvi ligar para a Telefonica, puto da cara. E Natália me atendeu.

Depois de um início claudicante de conversa (a gente nunca sabe por onde começar), ela logo entendeu meu problema. E explicou certinho como eu tinha que fazer, como proceder com meu modem e como fazer sozinho a instalação do Speedy. De casa.

Como se não bastasse, Natália ainda me passou o nome, o telefone, os preços e as formas de pagamento de cinco (um, dois, três, quatro, CINCO!) provedores que tinham acordo com a Telefonica. Um por um.

Natália entendeu que eu não entendia nada dessas coisas... e não se aproveitou disso! Pelo contrário; fez questão de me explicar tudo em detalhes. Foi tão simpática – carinhosa, eu diria – que eu até agradeci. Disse que ela foi muito atenciosa. Ela deu uma risadinha e agradeceu. Aliás, ela e a Telefonica.

Desliguei o telefone com a missão cumprida, pronto para definir minha conexão. Mas com vontade de ligar para Natália de novo.

Friamente, descobri que o melhor dia de ligar para algum teleatendimento da vida é na segunda-feira (como eu fiz). É maior a chance de pegar um novato que te entende, e que até a sexta-feira vai se corromper. E vai estar solicitando para você estar aguardando um momento.

OBS: OK, foi carinhosa e a gente conversou um bocado. Mas se a Telefonica cobrar a ligação para a Central de Atendimento, o bicho vai pegar.

Ou quem sabe eu tenha outro motivo pra ligar pra lá.

Por EMANUEL NOVAES às 10:02 AM
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martes, octubre 02, 2007
BOZO

A oitava série foi um ano legal. Ah, foi.

Talvez 1999 tenha sido o ano em que eu decidi questionar um pouco mais a razão das coisas. Geografia me servia e os TQPs da matemática eram grandes bobagens, por isso eu prestava atenção nas aulas do Ademir.

Nada contra os professores tão entretidos com contas, já que Rita, Wilson, Raul e Tamiko sempre foram muito engraçados, simpáticos, educados e esforçados. O problema estava mesmo nos receptores da mensagem, que já haviam decidido não se envolver com a matemática para o resto da vida. Eu estava mais ocupado comemorando a Libertadores do Palmeiras.

Em 99, a bem da verdade, eu estava preocupado em me encontrar no mundo. Estava na fase de ouvir Iron Maiden e de xingar quem escutasse pagode e música sertaneja. Aquela fase em que a gente usa boné para trás, calças largas e é capaz de achar que Charlie Brown Jr. é realmente uma grande banda. Mesmo sabendo que o Raimundos era bem melhor.

Fase ainda em que eu tinha três grandes amigos na 8ª C: Chacaça, Hugo e Jaspion. Grandes tempos de idas para a diretoria, de trabalhos em grupo e de recuperações. Dias indo de bicicleta à casa do Cachaça na Vila Marcondes. Jogando bola com o Jaspion ou de ouvindo música na casa do Hugo. E ainda sem barba, mas com um tênis muito bonito.

Fase também em que a gente passava de meninos para homens ao estourar bombinhas monstruosas na praça em frente à escola. Nessas horas, nomes como Pira, Mindu, Ganso, Hugão e Thiago também apareciam, e a gente se divertia horrores.

Passados oito anos, cada um tomou um rumo diferente. Cachaça e Hugo eu não sei bem, mas acho que o primeiro foi fazer administração, enquanto o segundo foi fazer veterinária. Jaspion faz ou fazia Engenharia Cartográfica na Unesp e foi para o Japão (sem sacanagem). Pira e Thiago também foram para a Unesp, mas fazer Ambiental. Acho que Mindu foi outro a cursar ADM (já se formou?), e Ganso e Hugão simplesmente desapareceram.

E eu, estou aqui. Sentindo falta de alguns bons amigos e de estourar bombinhas na escola. Sem rever gente como o Nishida (publicidade) e o Oriva (veterinária) há muito tempo. O Rafa vai ser engenheiro da UEL. O Mirilo veio depois, foi ao Canadá e voltou para fazer jornalismo na UFSC – nada mal, hein? Eu, o Bozo, me formo também em jornalismo no ano que vem. E até trabalho e moro sozinho!

E já houve um tempo em que os anos pareciam não querer passar jamais. Em que a gente chegava da escola, almoçava e ia ver TV antes de ir para o inglês. Em que a própria oitava série parecia que não ia chegar nunca. E de repente, uma formatura, duas formaturas, fotos de terno, bebedeiras, carros e carreiras.

E eu me encontrei no mundo. Ouvindo sertanejo, pagode, rock e tango. Morando sozinho, fazendo barba e trabalhando com o que eu gosto. Sem a mesma roupagem agressiva de antes, e ainda apegado aos amigos.

Quem diria que a gente iria tão longe, caras?

Por EMANUEL NOVAES às 8:43 AM
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lunes, octubre 01, 2007
ANDRÉIA E O FRACASSO

Tempos atrás, descobri que eu e um amigo temos uma amiga em comum.

Na verdade, eu nem conheço ela tão bem. Nem ele. No fundo, nós dois só adicionamos a Andréia (vamos chamá-la assim) no Orkut porque ela é bonita e solteira. Sim, nós não prestamos muito, mas ela tampouco.

E qual é a da Andréia? Certo dia, meu amigo e eu começamos a conversar, e o assunto foi o fato de um não saber que o outro era ‘amigo’ dela. Passadas as revelações, meu amigo falou uma coisa que me fez pensar – e, dessa vez, foi bom. Algo como:

-- Sabe, certa vez eu já tentei conversar com ela, mas não dá. Ela é muito bonita, e o pior é que ela sabe disso. Fresquinha, a cabeça fica ruim, meio fraquinha, sabe como é...

Fez sentido imediatamente. Faz parte de toda a arte dos relacionamentos elogiar a pessoa e fazer com que ela se sinta a mais bonita – nem que, para isso, você precise convencê-la disso. O problema é que algumas pessoas se convencem muito rapidamente disso, e sem a ajuda de ninguém.

Andréia, claro, foi uma dessas. É tão bonita que ficou esnobe, uma falsa-legal - e nem é exceção. Conheço uma meia dúzia de meninas que têm a cabeça tão ruim, mas tão ruim, que me dariam vontade de passar o resto da vida almoçando picadinho com tubaína a seis reais para não sair com uma delas e tomar chopp belga. À primeira vista, juro.

Sim, pois os caras que saem com essas meninas costumam ser caras dos quais ninguém gosta muito – bombadinhos, riquinhos, cabeludinhos, mimados, faculdade particular, roupinhas da moda, Peugeot 306. Além de ter que conviver com um estigma desses (por mais que seja de fato um estereótipo), quem encara as Andréias da vida têm que suportar a menina falando d’O Teatro Mágico por cinco horas. Nauseante.

A verdade é que eu gosto muito mais de sair com uma ou outra menina que não seja a líder de torcida do filminho. Gosto muito mais de dar risada e fazer dar risada, conversar sobre um monte de bobagem e falar sobre meu estranho gosto musical do que desfilar com uma menina que vai pensar que todo mundo está olhando para ela e dizendo como ela é bonita.

Pra sair com gente assim, prefiro sair sozinho.

Por EMANUEL NOVAES às 8:30 AM
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