LA CUCARACHA - Sem conteúdo prático desde 1985

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miércoles, julio 25, 2007
DE COMO FUI PARA SANTOS, TOMEI SUCO DE MANGA E ALUGUEI UM APARTAMENTO
Parte IV

Santos, 20 de julho de 2007, 13h21
Dolce far niente


Chegamos lá e, como a própria dona Ângela havia antecipado, com o imóvel em faxina. Ela me tratou bem demais, falou para a funcionária que eu era o novo filho dela, me ofereceu um suco de manga e me mostrou a vista da sacada. “Deve ser duro acordar todo dia e olhar para a praia”, ironizei. As três acharam graça, enquanto dona Ângela me deixava com Fabiana na sacada.

Nós conversamos sobre trivialidades, ao passo que o suco do manga acalmava minha gastrite. O dia era tão maravilhoso que eu quase me joguei da sacada para morrer durante o ponto alto da vida. Fomos chamados por minha nova locatária à cozinha, onde acertamos os detalhes finais e onde ela separou uma papelada para a Fabiana. A filha iria me acompanhar até o banco para verificar a entrada do primeiro depósito de aluguel e me liberaria para ir embora, já com documentos, chaves e controle da garagem. Despedimos, dona Ângela e eu, ambos com a certeza de termos feito um bom acordo. E felizes.

A transação foi finalizada dentro do shopping Praia Mar, no quarteirão ao lado do prédio onde moram as duas. Fomos até um caixa e Fabiana verificou o extrato, confirmando a entrada do dinheiro. Entregou o envelope e me acompanhou até a saída.

São Paulo, 20 de julho de 2007, 14h47
Mãe, só tem uma. Pai também.


Saí do shopping com a papelada e peguei um ônibus gratuito até a rodoviária. Fui sentado atrás de uma aeromoça bonita como feita a mão, observando as ruas e com a certeza de que eu escolhi uma cidade para o crepúsculo da vida. Atrás de mim, um mala-sem-alça ouvindo Ivete Sangalo no último volume em seu MP3 Player – como é que podem reclamar de sertanejo e pagode, sendo que essa praga faz tanto sucesso?

Peguei o ônibus da Ultra das 14h15 para o Jabaquara, no mesmo ônibus da aeromoça. Na despedida, a fiscal da rodoviária era uma loirinha mais espetacular ainda, com um piercing no umbigo e um, digamos, “talento” que dispensa descrições – afinal, este blog também tem leitoras! O motorista era o mesmo que havia nos conduzido por Santos e que parou um motoqueiro no semáforo para perguntar “de coração” onde ele havia comprado sua moto. Seguiu-se um inacreditável bate-papo a gritos.

Passadas as fases hormonada e estranha da viagem, desembarquei no Jabaquara e peguei o metrô de volta para casa. Quando desci na estação, encontro o mala que ouvia Ivete. Desço até minha casa, almoço e ligo para meu pai, dando as boas novas.

E adivinhem quem havia depositado o dinheiro para mim no começo da viagem?

São Paulo, 22 de julho de 2007
Considerações final de um livro curta-metragem


- Logo eu volto para Santos. Hélder Júnior já até convidou para encher a cara na praia qualquer dia.
- Eu não comentei aqui tudo que eu havia anotado.
- Ainda fui trabalhar no mesmo dia.
- Até a conclusão do texto, ainda não havia me mudado.
- Para quem passou os dias contando a piada da camiseta “Fui à Rodoviária de Santos e me Lembrei de Você”, até que eu ganhei o dia, não?
- Impagável a cena em que eu grito palavrões na rua. De verdade.
- Depois que eu falo que tenho ódio de caixas automáticos, ninguém entende.
- Pós-conclusão do texto: Helda mora ali perto. Se eu soubesse... Bem, talvez não ajudasse muito, mas vai saber?

Por EMANUEL NOVAES às 9:18 AM
Xinga a mãe!



martes, julio 24, 2007
DE COMO FUI PARA SANTOS, TOMEI SUCO DE MANGA E ALUGUEI UM APARTAMENTO
Parte III

Santos, 20 de julho de 2007, 12h05
“Bonita roupa”


Foram uns 40 ou 50 minutos de ansiedade na poltrona 40, esperando para avistar o litoral. Neste intervalo, talvez a cena mais insólita que eu já tenha visto durante minhas intermináveis viagens de ônibus pelo Brasil: um tiozão se levanta lá na frente, no meio das curvas que descem a serra para Santos, e começa a vender cocadas! Carregando uma pequena estufa de vidro, ele caminhava pelo corredor, oferecendo suas iguarias de leite condensado, coco queimado e abacaxi pelo preço de dois reais. Eu quase comprei, mas como tinha acabado de solucionar meus problemas financeiros, resolvi manter o escorpião no bolso e controlar a gula.

Não sei se a viagem deu lucro para o tiozão ou se ele só vende quando está indo mesmo para Santos. Sei que logo eu cheguei a Santos e minhas dúvidas foram respondidas da maneira mais feliz: desci na simpática rodoviária da cidade e fui logo recebido por dona Ângela, provando que minha idéia de vir com uma blusa verde sobre uma camiseta laranja teve o efeito esperado. Fui reconhecido antes mesmo de descer do ônibus.

Ela havia trazido sua filha, Fabiana, que vestia uma blusa da mesma cor da minha. Foi impossível não fazer uma brincadeira e elogiar a escolha, quebrando o gelo do encontro. Acho que elas gostaram, e a gente logo foi assinar o contrato no carro das duas, uma Montana, do outro lado da rua. Uma última ligada a cobrar para dona Nair para dúvidas, perguntas minhas em relação ao imóvel, assinatura, vistos e papéis. Eu era o feliz locatário de um apartamento de um quarto nos Jardins.

Santos, 20 de julho de 2007, 12h25
A Vila mais famosa do mundo, canais e o bonde dos Milano


Eu já estava pronto para ir embora, quando fui surpreendido pelo convite das duas para dar uma volta e conhecer Santos. Geralmente eu recusaria, afinal havia viajado para tratar de negócios, mas embarquei na delas. E não me arrependi.

Elas me explicaram que a cidade de Santos é dividida em sete canais, que contêm a água do mar quando a maré sobe. Com base neste canais paralelos que se encontram na orla, a cidade inteira se localiza. A rodoviária é no Canal 1, o prédio das duas era entre os canais 5 e 6 e a Vila Belmiro era próxima do Canal 2.

Sei disso porque elas me levaram para ver o estádio Urbano Caldeira, e quase me colocaram para dentro do estádio para conhecê-lo! Adorei, mas a entrada estava fechada e a gente acabou não indo podendo visitar. Pode ter sido bom, já que eu sou palmeirense e a Fabiana era santista, tendo os dois times empatado em 2 a 2 na véspera. Melhor evitar confusão.

Chegamos à orla da praia, e eu admito que fiquei empolgado: há quase dez anos eu não via o mar ao vivo! Estava sentindo falta daquele cheiro, e ainda pude ver o famoso Jardim da Orla de Santos, além de ter me deparado com aquele bondinho turístico que fica parado por lá – que eu reconheci de ter visto em uma foto na casa do Milano, em Prudente. Ainda falei que “pegaria uma praia fácil” com o dia lindo que fazia, e elas quase me arrumaram um calção de banho! Hospitalidade é isso aí!

Foi aí que chegamos ao apartamento de dona Ângela.

(continua)

Por EMANUEL NOVAES às 9:24 AM
Xinga a mãe!



lunes, julio 23, 2007
DE COMO FUI PARA SANTOS, TOMEI SUCO DE MANGA E ALUGUEI UM APARTAMENTO
Parte II

São Paulo, 20 de julho de 2007, 10h21
Que dinheiro é esse?


Mães sabem mesmo das coisas, não? Só por ser mesmo idiota, eu cheguei ao meu banco da Paulista e fui olhar meu extrato. E não é que tinha entrado uma grana boa ali, que dava e sobrava para a viagem?

Por quê? Minha conta estava curta porque eu havia botado o meu na reta e tirado uma grana razoável de lá para acertar uma dívida alheia, com a promessa de que haveria um depósito da quantia nos dias seguintes. Eu achei que era o dinheiro desse depósito que havia entrado e liguei para minha mãe, comemorando o estranho senso de humor de Deus. Só mais tarde que eu descobriria a origem dele. Enfim, fui comemorar no metrô, indo para Santos.

As pessoas me olhavam no caminho, perguntando o que tanto anotaria um garoto de blusa verde no metrô. Eu comecei a ficar com medo, mas lembrava das coisas que aconteciam e já ia achando graça. Por exemplo; alguém já viu o stand da Depiladinha no metrô Ana Rosa? Trata-se de um creme (ou algo parecido) para tirar pêlos de pernas, mas bem que parece outra coisa com esse nome, não? Numa dessas, até serve para usos “alternativos”.

São Paulo, 20 de julho de 2007, 11h15
“Eu preeeefiiiiiro as cuuuurvas da Estrada de Santos...”


Enfim, consegui embarcar no Expresso Brasileiro das 11h15 para Santos, com menos dor no estômago. Fiz mais uma ligação a cobrar para minha mãe para explicar que eu estava indo, explicando a cor do ônibus, o horário, a minha roupa e pedindo para ela ligar para dona Ângela, explicando tudo (embora faça sentido agora acreditar que ela conhecesse as cores do Expresso Brasileiro, que é – oh! – verde e amarelo).

Depois de embarcar e receber uma mensagem do Lelê no celular (valeu, meu querido!), eu me acomodei na poltrona 40 ao lado de um japonês meio emo (sabe Deus fazendo o que rumo à praia) e de uma pernambucana chata que não parava de falar ao celular, explicando que não estava satisfeita com alguma coisa. Que coincidência, não?

Foi então que bateu o último medo. Fui olhar minha passagem e ela indicava a rota São Paulo (Jabaquara) – Santos (Ponta da Praia). OK, o Hélder me explicou que eu pegaria mesmo no Jabuca, mas eu pedi o busão para a Rodoviária. Será que eu desceria do outro lado de Santos, ficaria perdido em uma cidade desconhecida, perderia meu contato e, pior ainda, o apartamento?

(continua)

Por EMANUEL NOVAES às 10:45 AM
Xinga a mãe!



domingo, julio 22, 2007
DE COMO FUI PARA SANTOS, TOMEI SUCO DE MANGA E ALUGUEI UM APARTAMENTO
Mais um post enorme dividido em partes

“Você vai ter que ir para Santos na sexta-feira.” Foi com esta indescritível notícia que minha mãe me acordou na quarta, dois dias antes, fazendo com que eu terminasse de acordar naquele dia. Simpática ela, não?

Explica-se: estou me mudando de apartamento, para passar para uma das últimas etapas da vida evolutiva do homem. Vou morar sozinho. Acontece que, por conta de um pequeno atraso na documentação, eu não consegui encontrar minha nova locatária na quinta-feira aqui em São Paulo. Com isso, ela pediu que eu descesse para Santos para assinar o contrato de aluguel na sexta-feira. E como eu teria muito a perder se não fosse...

Por isso, já na quinta-feira, fui me informar sobre como ir para lá com quem sabe: Hélder Júnior, correspondente da Gazeta Esportiva.Net na Baixada Santista, ex-estagiário da redação de SP e que cansou de fazer esta viagem durante a faculdade. Segundo ele, não teria segredo: pegar ônibus no Jabaquara (eles saem a cada 15 minutos), descer na Rodoviária (já que eles vão até o final da cidade) e pronto. Sem crise.

Simples, não? Se fosse simples, não precisaríamos anotar as bizarrices que aconteceram durante as cinco horas de aventura e dividí-las em tópicos!

São Paulo, 20 de julho de 2007, 9h27
Como todas as coisas deram errado de uma vez


Estranhamente, o dia estava calmo. Nem quente, nem frio, ensolarado. Eu passei no banco e saquei meus dez mangos para o metrô, e ainda cheguei ao Jabaquara a tempo de pegar o ônibus da Expresso Brasileiro para Santos das 10 horas.

O problema começou quando eu tentei pagar a passagem no cartão, e as empresas que fazem essa linha não aceitam cartão nenhum – por mais que minha mãe tivesse insistido para eu levar algum dinheiro, eu não acreditava na possibilidade de alguém não aceitar cartão de crédito, ou de precisar de mais de dez reais. Sim, parece crise de patricinha. Enfim, me dirigi a um caixa rápido para sacar mais dinheiro (30 reais, para ida e volta) e...

Meu saldo era de pouco mais de seis dinheiros! Eu ainda tentei forçar a amizade com o caixa eletrônico e deixar meu saldo negativo, mas até aquela porcaria tinha mais juízo que eu e não aceitou. Pensei em vender parte do meu vale-refeição para viajar e não perder o apê, mas ninguém aceitaria. Então, tive que fazer a pior coisa que um ser humano pode fazer quando vai morar sozinho: ligar para os pais.

Não bastasse ligar para eles, ainda liguei a cobrar, de celular, pagando interurbano em dia de semana. Desespero que vinha, pedi para minha mãe ligar para a dona de minha nova morada, dona Ângela, pedindo para ela enviar o negócio por Sedex. “Melhor não”, disse minha sempre sábia mãe. Quase chorando, então eu pedi os dados da conta dela para tentar sacar dinheiro no nome dela no caixa automático. Ela passou, mas quem recusou foi o caixa automático – antipático, ele pedia obrigatoriamente o cartão para minha empreitada, o que nunca aconteceu antes!

Comecei a caminhar a esmo, procurando uma agência do meu banco para tentar falar com o caixa humano (sempre mais simpáticos) e quase vomitando. Uma senhora em uma loja me explicou que a agência mais próxima do meu banco era no metrô Conceição, e eu não iria até lá. Irritado, eu quase agrido a mulher quando ela começou a listar os bancos que tinham agência por ali. Era provocação?

Liguei para minha mãe já com a gastrite atacada, e minha solítica irmã atendeu perguntando se tinha agência do banco dela por ali. Não tinha. Minha mãe então mandou eu pegar o metrô de volta para casa e tentar na agência da Avenida Paulista para falar com o caixa e sacar dinheiro da conta dela. Como eu já estava prestes a me enfiar embaixo da roda de um ônibus, resolvi aceitar a sugestão.

(continua)

Por EMANUEL NOVAES às 1:44 PM
Xinga a mãe!



jueves, julio 19, 2007
E O VANDAIME?
Um post cheio de links.

OK, os ídolos da infância estão envelhecendo e engordando. Já não dão mais tanta porrada aqueles homens-máquina que incentivavam nós, meninos hiperativos, a brincar de “lutinha” (???). Stallone perdeu uns quilos e voltou a brincar de Rocky Balboa e Rambo. Schwarzenegger se ferrou ainda mais e virou político nos EUA. Mas alguém por aí pode dizer o que aconteceu com o Van Damme?



Para alegria da geração que socava seus amiguinhos após assistir O Grande Dragão Branco na Temperatura Máxima, o filho mais famoso de Berchem-Sainte-Agathe, na Bélgica, continua na ativa! Apesar de ter desaparecido após grandes filmes (ô!) como Legionário (98) e Replicante (2001), Jean-Claude Van Damme continua, literalmente, alive and kicking - como diria a música do Simple Minds.

Desde seu último grande filme (ô!), o já citado Replicante, o Rei da Porrada de Domingo acabou embarcando em alguns projetos que afundaram e que não passariam nem na Record ou no Domingo Maior. Casos, por exemplo, de Hell (2003), Vingança (2004), Segundo Comando (2006) e Sinav (2006). Por favor, não confundam Sinav com o Sivam, o Sistema de Vigilância da Amazônia.


A verdade incomoda.


Como já não contracena com nomes como Forest Whitaker (fizeram juntos “O Grande Dragão Branco”, em 88), Dolph Lundgren (Soldado Universal, em 92), Rosanna Arquette (Vencer ou Morrer, em 93) e Raul Julia (Street Fighter, em 94), Jean-Claude Van Damme vem sendo o principal responsável por segurar a bilheteria de seus filmes mais recentes – o que talvez explique tantos fracassos. De 2001 pra cá, o grande nome a contracenar com Muscles from Brussells (Músculos de Bruxelas) foi Vivica A. Fox, a Vernita Green de Kill Bill. Os dois estiveram juntos no aclamado Força de Proteção, em 2006.

Aos 46 anos, Van Damme continua na ativa, embora já não influencie tantas gerações da brincar de lutinha – este saudável esporte criado pelos meninos de oito anos para passar as tardes modorrentas de domingo provando que são homens. Melhor para nós, já que seu caminho foi diferente do Mr. Universo Schwarzenegger e que ainda podemos vê-lo em sua acrobática ação.

Queimando os Van Damme facts
OK, agora vamos falar a sujeirada da vida do Van Damme. Afinal, dificilmente ele nos encontrará na rua para dar porrada.



- Fã de pintura de música clássica, Van Damme estudou piano. Até aí, tudo normal, tudo ótimo, tudo OK, tudo certo, tudo bem – até que chegou a adolescência e ele virou bailarino. É sério!
- Campeão europeu de karatê (categoria meio-pesado) aos 16 anos, Van Damme teve que abandonar o balé aos 18 anos para seguir carreira dando porrada. Para isso, precisou abrir mão de uma proposta de uma companhia francesa que queria contratá-lo.
- Aos 24 anos (sério!), Van Damme participou de seu primeiro filme, uma comédia chamada Monaco Forever (84). Ele interpretava um boiola que ficava pegando na perna de um cara que pagava carona com ele - no fim, os dois saiam na mão e o Van Damme mostrava que estava condenado desde o início a fazer o mesmo papel. Triste. (Veja a cena.)

(Informações colhidas no IMDB e no Adoro Cinema.)

A quem possa interessar
Daria uma enciclopédia a quantidade de texto publicados por aí sobre celebridades dos anos 90 – definitivamente melhores que os 80! Pessoalmente, recomendo alguns.

Dos meus: sobre Street Fighter (em duas partes, aqui e aqui), Allejo, Janco Tianno, Trini (a Power Ranger japa) e Sonic (em três partes, aqui, aqui e aqui). Dos outros: sobre Jordy, Supercatch, Túlio Maravilha e International Superstar Soccer.

Por EMANUEL NOVAES às 11:46 AM
Xinga a mãe!



lunes, julio 16, 2007
POLICLORETO DE VINILA

Todo garoto que quer ser jornalista esportivo – e não somos poucos – gosta de futebol. É uma associação meio óbvia, já que todo mundo acompanha e gosta de falar de partidas, jogadores, esquemas táticos, craques, gols e treinadores. Inclusive quem não manja de absolutamente nada.

E para ser um bom entendedor, é simples: comece a assistir futebol. OK, Túlio Maravilha joga bem, fulano joga mal. Dado este pequeno passo, comece a acompanhar debates de futebol na TV, para descobrir que um time que perde cinco jogos seguidos entra em crise e que a regularidade e o elenco são importantes para ganhar campeonatos. Você já tem meio caminho andado para ser um desses debatedores empíricos com os quais a gente se encontra por aí.

O próximo passo é acompanhar as brincadeirinhas do Globo Esporte, para poder falar que seu time entra desfalcado na próxima partida porque dois estão lesionados. Depois disso, vai acompanhar o Juca Kfouri e todo seu denuncismo, que fará você reclamar de absolutamente tudo – pode chegar ao ponto de você virar um nostálgico, a ponto de dizer que bom mesmo era aquele time do Coritiba de 85.

Porém, como você é garoto, logo vai perceber que a imprensa esportiva nacional é tendenciosa e que o futebol brasileiro é muito chato. Legal mesmo é aquele futebol charmooooso e aleeeegre que se joga na Europa. Por isso, nada de Palmeiras, Corinthians, Atlético ou Botafogo. O legal é assistir o Campeonato Inglês, o Campeonato Italiano, a Copa dos Campeões da Europa – que logo será chamada apenas de Champions.

Legal mesmo, meu amigo, é ler o Trivela e assistir ao Paulo Vinícius Coelho. Coisas que eu assumidamente faço, embora a freqüência por ter caído muito nos últimos meses, por não ter ESPN em casa e por ter descoberto o PornoTube, que preenche muito mais meu tempo do que as análises futebolísticas de nossos amigos.

Passado isso, você já está praticamente formado na prática de discussão empírica de futebol. É claro que isso não te leva a lugar nenhum, mas fará você impressionar seus amiguinhos nas discussões de vocês. “Ah, esse time com três volantes e um meia só ganha jogo porque troca os laterais por alas e congestiona o meio”, dirá você, frente a outros menininhos boquiabertos, que argumentam que o importante é levar o jogo para dentro da área e contar com um matador.

O que esses meninos não sabem – e eu descobri mais tarde – é que não basta ter argumentos bons para ser um bom jornalista. Se PVC e Celso Unzelte conseguiram alcançar o objetivo de todo menino, que é ganhar a vida analisando futebol, é porque eles tiveram que passar por muita pedra no caminho. Talvez ninguém se preocupe em pesquisar, mas nosso querido jornalista com apelido de plástico já teve que trabalhar como repórter do Diário do Grande ABC e de alguns jornais menores de São Bernardo do Campo, antes de ser estagiário (depois de formado) na Editora Abril.

Longe de mim dizer que eu vou ser o PVC (até porque eu tenho acompanhado muito pouco o futebol atual), mas eu também sou estagiário de jornalismo esportivo. E adianto que o negócio não é simples como os meninos pensam. Antes de analisarmos Real Madrid, Chelsea, Milan, Manchester e Barcelona (e ganhar dinheiro com isso), é preciso ralar muito. É preciso falar sobre esportes menos populares, é preciso pesquisar muito, é preciso lidar com pessoas nem sempre animadas e é preciso abrir mão, não raro, de oito horas diárias de sono ou de três refeições balanceadas.

Talvez as pessoas não saibam como é difícil se tornar um jornalista esportivo – bem como é difícil se tornar um jogador de futebol respeitado ou um médico respeitado. Atletas frustrados em sua maioria, os garotos que queremos ser jornalistas futebolísticos talvez tenhamos esquecido que não nascemos sabendo tudo, e que mais importante do que querer ensinar é querer aprender mais, sempre.

Por isso é justificável a estupidez de nosso amigo Edir, que chegou botando banca no Orkut e pedindo uma camisa da seleção italiana com o nome do Henry nas costas. Sim, Thierry Henry, camisa 14, ex-Arsenal, atual Barcelona... e FRANCÊS!!! Pior foi o garoto não dar o braço a torcer, o que rendeu até comunidade.

Dizem que ele fez de propósito, que só queria tumultuar (conseguiu). Mesmo assim, em uma comunidade dedicada a futebol europeu, com gente que acha que Nedved e Raul realmente jogam pra caramba, deve ter muita gente assim. Onde até as eventuais piadas são feitas com base nos “craques” do Velho Mundo, deve ter um monte de gente que ainda não entendeu a graça da confusão até agora.

Deixa estar. Vou continuar acompanhando o badminton no Pan do Rio que eu ganho mais. Vai, Paula Beatriz Pereira!!

(Conto pra eles que eu sou fã do maestro Zinedine Zidane?)

Obs: Sem desculpa, Fábio. O caso do Edir está explicadinho, hein? Agora, se quiser entrar no Orkut, seja bem-vindo!

Por EMANUEL NOVAES às 10:56 AM
Xinga a mãe!



domingo, julio 15, 2007
LUTO

Pior que receber notícia ruim, é receber a notícia com atraso. E de longe.

Vai com Deus, Tio Chico. E obrigado por tudo!

Por EMANUEL NOVAES às 10:21 AM
Xinga a mãe!



jueves, julio 05, 2007
A NOSTALGIA NO PROCON

Nostalgia é um negócio interessante, embora seja um bocado chato. É meio senso comum dizer que tudo que é antigo é melhor do que o novo em quase todos os caracteres culturais que nos cercam. Bandas dos anos 70 são melhores do que as bandas mais novas, as mulheres da nossa juventude são muito mais bonitas do que as atuais, e o futebol que se jogava em 74 é muito mais vistoso do que o atual. Ô!

Embora nós não discutamos a mediocridade da “seleção” do Dunga, a resposta para este saudosismo é meio que óbvia. Não que as bandas e as mulheres da geração anteriores fossem melhores ou piores, mas eram as que marcavam a juventude das pessoas. Naquela inocência, Gina Lollobrigida era mais bonita do que é Ana Hickmann hoje, e as pessoas tinham a pachorra de achar a Blitz uma grande banda.

Como era a primeira impressão que os jovens de 60, 70 ou 80 tinham com mulher bonita ou “banda” (a Blitz? Sei...), aquela inédita sensação de euforia se traduzia em admiração e fanatismo, a ponto de a juventude acreditar que Evandro Mesquita era realmente um cara legal, apesar de seus quase palpáveis problemas de amadurecimento.

Mais tarde, entra em ação a minha geração. Sem ter vivenciado uma série de experiências, como a ditadura militar ou a abertura de mercado, nós temos a tendência a copiar o que foi experimentado pelas gerações anteriores. Por isso, nós precisamos, desejamos, necessitamos combater um inimigo invisível, precisamos achar legal o que os mais velhos acham – seja sobre a banda, o filme, a atriz, a comida, o desenho animado, a Coca-Cola em garrafa de vidro ou o futebol.

Citamos o exemplo da Blitz para deixar claro como este comportamento é bobo. Certa vez, um amigo meu comentou isso durante uma conversa particular em aula, citando É o Tchan!. Todos nós sabemos que Cumpádi Washington e sua trupe são uma anomalia musical - por mais que eu me esforce para popularizar o Cumpádi. Mesmo assim, daqui dez anos, teremos festas movidas a Dança da Bundinha, com gente vestindo calças de moleton e camisetas da Bad Boy.

Este comportamento nostálgico possibilita um futuro no mínimo tenebroso às gerações. Mas não nos esqueçamos de que é tudo apenas uma teoria minha até aqui, certo?

E ainda em minha teoria, que explica a admiração que as mulheres tem pela voz nasal de Chico Buarque, há o espaço para exceções. Diferente de Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo, Chaves é bom mesmo, independente da geração.

Adentrando os meandros das exceções, citemos o Nescau. Não precisaremos de dez anos para afirmarmos que o achocolatado em pó mais vendido do Brasil (fonte: eu) era mais gostoso antigamente. Isso porque a fórmula foi mudada recentemente e deixou o gosto do leite simplesmente um lixo!

Eu já havia sentido isso em minhas visitas recentes à minha casa, mas achava que o problema era o leite. Desta vez, quem levantou a bola foi a maior autoridade mundial no assunto, minha mãe, que falou que o efeito tinha sido o mesmo na cobertura de seu bolo de cenoura. De fato, o Leite com Nescau ficou com um ligeiro gosto de soro de leite, o que não havia até o começo do ano.

Nada indica que isso irá mudar. Sem nem mesmo perguntarem o que achávamos, deixaram o negócio meio light, mais saudável (eu acho) e tiraram toda a graça. Não seria de se estranhar se, em 2017, viesse um trintão e dissesse como o Nescau era mais gostoso quando ele era jovem.

Por EMANUEL NOVAES às 1:58 PM
Xinga a mãe!



lunes, julio 02, 2007
ANALISANDO A PLAYBOY DO MÊS

A revista Playboy é apenas um suspiro do que era há dez anos, quando a garotada de 12 anos não tinha acesso à Internet para ver pornografia. Com isso, a sanha por comprar 168 páginas com as melhores coisas da vida por míseros seis mangos era grande, e a competição era ainda maior.

Sim, competição. Eu me lembro que, nessa época, havia quase uma dipsuta velada entre o pessoal da quarta, da quinta séries para ver quem já tinha comprado uma Playboy. Os mais sortudos, como o Luis Henrique e o Vinícius, eram constantemente visitados pelos amigos para fazer os trabalhos escolares. A revista só competia com o vídeo game, e felizes dos que tivessem as duas coisas em casa.

Foi neste breve contexto que eu comprei minha. Eu tinha na época meus 11 anos e havia ficado fascinado com uma stripper chamada Malu Bailo, estão considerada a mais famosa do Brasil. Lembro que ela havia tirado a roupa no programa da Hebe (bem melhor do que hoje, não?), em um número inspirado no filme Bonequinha de Luxo. Aquilo era uma óbvia promoção para o lançamento da revista, mas não impediu que eu ficasse definitivamente abismado – havia uma mulher bonita pra caramba pelada no palco da Hebe!

Foi o empurrão definitivo para começar a transformação de menino em homem, embora eu já visse Playboy há muitos anos. Na terça-feira, abri o jogo e pedi dinheiro para minha mãe, imaginando que a revista custasse cinco pratas. Saí da escola depois de uma prova e fui à banca de um tiozinho poucas quadras antes, no caminho para casa. Tadeu estava comigo.

Ela custou um real a mais, o qual eu prometi (e cumpri) voltar no dia seguinte para acertar. Enfim, eu tinha minha primeira revista de mulher pelada em casa. A edição era de julho de 97, embora estivéssemos em junho. Não tinha essa bizarrice de lançar a Playboy só dia 8, como é hoje. Ah, não no meu tempo...!

Enfim, esse belo gesto de um menino entrando para o mundo dos adultos completa dez anos neste mês, oficialmente. 122 edições depois (calculo eu), estamos aqui para uma edição especial de “Analisando a Playboy do Mês”, em clima de revival. Com vocês, a edição de julho de 97 – com Malu Bailo na capa.


Um baile, hein?
(Pegaram o trocadilho?)


Não sei por onde ela anda, mas a atriz e stripper Malu Bailo era um espetáculo em 97. O ensaio da Playboy se preocupa em reproduzir um clima de cabaré, sem apelar. Não é como hoje, que também não tem baixaria, embora os ensaios sejam tão legais quanto almoçar bolacha de água e sal.

Sensual no ponto certo, Malu tem um corpão. Eu diria que aquele menininho de 11 anos não poderia ter escolhido uma revista melhor para começar sua coleção. E o melhor é que Malu Bailo era apenas o ponto alto das mulheres da revista, que ainda tinha um ensaio com a modelo mineira Cleonice Mesquita, com quatro irmãs norte-americanas (meio sem graça, vá lá...) e com 15 minas nuas em Ibiza – para vermos agora como o tempo passou.

Tinha mulher pelada pra caramba, mas também tinha letrinha. Entre as matérias, um perfil de Tarcísio Meira, a história do café no Brasil, e a vida dos casais que fazem sexo por dinheiro. Na época, Nirlando Beirão assinada a divertida coluna “Insiders”, enquanto David Zingg ainda tinha sua “A Volta ao Mundo em Uma Página”. Saudades...

Entre as entrevistas, 23 páginas de Carlos Heitor Cony (nunca lidas, por sinal) e 20 perguntas com a aspirante Liv Tyler. Encerrando a revista, a tradicional página de piadas, o que me ensinou a diferenciar uma piada criada há tempos por um tiozão e uma piada nova, realmente engraçada.

Nota de ensaio: 9,0
Destaques: Fora a relação custo-benefício, havia outras coisas excelentes na Playboy dez anos atrás. Havia uma preocupação de criar o mito do símbolo sexual na modelo da capa. Mas falando apenas da edição 264, Malu Bailo é um furacão! Cleonice Mesquita, mais um! As 20 perguntas, nem se fala! A matéria sobre rodeio, outra obra. As mocinhas de Ibiza... O que dizer das mocinhas de Ibiza? Ah, bons tempos de Ricardo Setti como diretor de redação e de Rosângela Petta como colaboradora...

Por EMANUEL NOVAES às 2:12 PM
Xinga a mãe!



domingo, julio 01, 2007
A VOLTA AO MUNDO EM 80 COISAS LEGAIS PRA CARALHO!

Depois do sumiço – talvez temporário, nunca se sabe – de sessões como “Ronaldo Responde” e “Analisando a Playboy do Mês”, o La Cucaracha, enfim, volta a apresentar novidades. Aproveitando as primeiras e merecidas férias deste que vos escreve após o início da vida junto aos proletários, este blog inicia uma nova sessão.

“A Volta ao Mundo em 80 Coisas Legais pra Caralho!” é uma desculpa esfarrapada para colocar “conteúdo” de diversos países encontrado no YouTube. Assim, quando passarmos por uma daquelas fases sem idéias (ou quando realmente encontrarmos algo interessante por aí), nós colocaremos. Talvez com um breve contexto histórico.

Iniciemos a Volta ao Mundo então pelo país mais legal do mundo.

1. Argentina

OK, um dia nós acabaremos que o sentimento zagallista que nos obriga a achar que o Brasil é o melhor país do mundo. Que a “amarelinha” é a principal ferramenta de defender nosso sentimento nacionalista. Ufanismo que nos obriga a acreditar que seremos destratados em uma viagem a Buenos Aires, essa terra de gente preconceituosa e arrogante.

Quem tiver a oportunidade de conhecer a capital argentina precisa passar por bairros como El Caminito e La Boca. Precisa assistir a espetáculos de tango, desde os mais luxuosos no bairro de Mataderos até os mais fuleiros, em qualquer restaurante de rua em bairros afastados. Mas antes mesmo de desembarcar em Ezeiza, nós podemos conhecer Astor Piazzolla.


E nem é o melhor!


Considerado o mais destacado compositor de tango da segunda metade do século XX, Piazzolla foi o principal expoente do movimento conhecido como Nuevo Tango. Falecido em 92, o músico platense inovou com a introdução de instrumentos como bateria e baixo no principal ritmo argentino, mesclando música contemporânea com o ritmo de seu bandoneón.

A música de Astor Piazzola tem violinos em fúria e pianos agressivos, presente em obras de arte como “Libertango”, “Adiós, Nonino” e (o preferido deste blogueiro) “Violentango”. Criticado pelos mais ortodoxos por suas novidades, o compositor respondia que seu tango era a melhor representação da Buenos Aires moderna.

Para quem acha que ele tinha razão, vale a pena conferir o vídeo acima, de uma interpretação nada menos do que brilhante de “Adiós, Nonino”. Para quem discorda ou simplesmente não gosta, achando que tango é coisa de tiozinho, é melhor ver também para rever seus argumentos. Para quem não conhece, a chance está aí em cima.

Update: Valeu pelos elogios, Fábio. Você realmente precisa conhecer a cidade! E eu preciso admitir que a idéia do "Volta ao Mundo" foi, digamos, "meio que" inspirada em seu "Música da Semana".

Por EMANUEL NOVAES às 1:57 PM
Xinga a mãe!