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Julho/2004
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martes, junio 26, 2007
HOMEM GOSTA É DE HOMEM!
Opa! Vamos com calma! Antes que vocês leiam isso aqui e pensem bobagem, vamos ler o texto inteiro, OK? Em primeiro lugar, a conclusão não é apenas minha. A primeira vez que eu eu “ouvi” isso de alguém foi de Mário Prata, que assinou uma crônica no Estadão há alguns anos com o mesmo nome deste post. E se Mário Prata disse isso, quem somos nós para discordar, certo? A pauta voltou à tona há algumas semanas, mais exatamente em um sábado à tarde. Após o religioso futebol de final de semana, Brunella, Tomiate, Queiroz e eu estávamos reunidos no bar para as eventuais cervejas. Até então, eu já pensava assim, mas não pensei que os demais homens-heterossexuais-ativos-machos-que-gostam-de-mulher dividiam da opinião. Nós estávamos conversando sobre o grande jogador que eu sou, sobre como eu sou bonito e do grande jornalista que eu serei após a faculdade quando, como é inevitável, a conversa foi parar em mulher. É bem provável que Márcio, nosso garçom/amigo, tivesse comentado sobre os dotes de alguma transeunte. Fato é que começamos a falar delas. Evidente que a gente conversa sobre Fulana e Cicrana, mas alguém lançou a conclusão: homem é hábito, mulher é vício. Os outros três ficaram se entreolhando com cara de “como assim?”, quando nosso amigo (mantido aqui no anonimato de propósito) explicou melhor. “Homem prefere a companhia de homem. Está sol, a gente vem jogar bola. Quer sair, chama amigo pra beber. Quer ir ao estádio, liga pra outro amigo. Agora, deixa ele ficar sozinho em uma noite fria pra ver se ele não vai pensar em mulher.” Fazia tanto sentido que foi impossível não dar risada. É bem assim mesmo, e as mulheres que não nos odeiem. Quando o cara quer estar com alguém, ele não chama mulher: chama homem! As mulheres só são solicitadas quando os homens estão sozinhos e não querem dar risada. Querem, no máximo, conversar e fazer alguém rir. Antes do apedrejamento, do linchamento ou das tochas, sejamos sinceros: mulher também gosta é de mulher. O que não falta é ver meninas por aí saindo em grupinhos exclusivamente femininos. Que ninguém pense a estupidez de que isso seria uma crítica, muito pelo contrário. Ninguém está proibido de manter amizades com gente do mesmo sexo. Apesar das discrepâncias entre amizades masculinas e femininas (vocês mesmas admitem), todo mundo gosta, quer e precisa de amigos do mesmo sexo. Parece até uma exigência da Mãe Só não é 100% assim porque homens têm amigas e mulheres têm amigos. Sem qualquer dose de sem-vergonhice, eu mesmo já consegui sair com amiga (no singular) e não fazer absolutamente nada. É possível, ainda mais quando a única malícia é pedir para sua amiga apresentar aquela colega bonita da sala dela ou do mesmo tipo. A gente cansa de ouvir que “mulher se veste para mulher” e coisas do gênero, e não deixa de ser uma verdade de mão dupla (opa!). Quem está dizendo isso sabe que sua coleção de camisas de futebol faz mais sucesso com os amigos do que com as amigas, que não entendem qual é a graça de andar por aí vestido de torcedor do Partizan Belgrado, do CRB ou do México. A coisa mais legal do mundo é os homens fingirem que não sabem que as mulheres preferem as mulheres, enquanto elas tapam o sol com a peneira e disfarçam a inveja da nossa idolatria masculina. Ainda bem que é assim, ou não haveria a menor graça no encontro entre nós e vocês. Um detalhe: na segunda-feira, estava com alguns esparsos amigos assistindo a um jogão do campeonato interno da faculdade, entre o Robberbills e o Bobô, A Gente Pimba!, discutindo com os companheiros sobre habilidade e posicionamento dos dois times em quadra. Aquilo era simplesmente a coisa mais importante do mundo no momento. Enquanto isso, três meninas discutiam à nossa frente, ao lado da quadra. Segundo a mocinha de jaqueta branca e rosa (muito bonita, por sinal), “o que é que homem vê nisso?”. Discorrendo com as amigas ao lado, ela se perguntava – de verdade – qual era a graça em ver todo mundo correndo, suando, xingando, batendo e gritando, para no final fingir que tudo foi lindo. Coitada. Ela jamais vai entender... Em tempo: o Robberbills saiu na frente, mas levou a virada do Bobiô. Mais experiente, o Bills devolveu a virada e fez 4 a 2. No finalzinho, eles tomaram um último gol e a partida terminou 4 a 3.
Por EMANUEL NOVAES às 2:53 PM
Xinga a mãe! viernes, junio 22, 2007
POR QUE ACREDITAR QUE JULHO SERÁ UM MÊS MELHOR
Em primeiro lugar, não teremos semanas de provas. Sim, pois a deste mês, além de ter durado pelo menos uns 20 dias, certamente me deixou com menos cabelos e mais gastrite. Prometo dar uma atualizada neste post com um DataCucaracha do número de páginas lidas, do número de caracteres digitados e coisas do gênero. Em segundo lugar, teremos férias. Não apenas na faculdade, mas também no estágio. Depois de 18 meses (ou 540 dias) de labuta, vamos para os primeiros verdadeiros e merecidos dias de descanso. É para a gente se sentir como um novato, não? Com se não bastasse, agosto chegou mais cedo. A boa notícia me obriga a antecipar uma "pauta" deste blog, cujo dono comemora no final do mês os dez anos da primeira Playboy comprada em banca. Enfim, daremos maiores detalhes dentro de semanas. Por fim, não contem com atualizações no começo de julho. Blog é coisa de gente solitária e desocupada!
Por EMANUEL NOVAES às 11:48 AM
Xinga a mãe! domingo, junio 17, 2007
SONHOS MALUCOS E MUITA CONFUSÃO DESSA GALERINHA QUE ADORA APRONTAR TODAS
Talvez culpa do trabalho, mas estou com a Febre do Tênis. Comecei a gostar tanto do negócio que comecei a sonhar com raquetes, bolinhas, quadras e essas coisas, pode? Dia desses, foi assim. Estava eu em uma quadra de saibro, enfrentando ninguém menos do que Rafael Nadal - para quem não sabe, o espanhol é vice-líder do ranking de entradas da ATP, atual tricampeão de Roland Garros aos 21 anos e melhor tenista do mundo em quadras de saibro. Jogávamos à noite em uma quadra que, bem, favorecia ao meu rival. Não apenas pelo piso, mas pelo formato da quadra. Ele tinha um espação para fazer sua movimentação no fundo da quadra e para sacar. E eu... Bem, tinha uma parede a 30 centímetros das minhas costas. Dava para sacar com dificuldades, certo, mas Nadal certamente devolveria a bola no fundo da quadra e impossibilitaria minha resposta. Um desgraçado esse Nadal. Quem organizaou essa partida é um brincalhão. Tentávamos jogar frente à pequena torcida (umas 300 pessoas nas arquibancadas, imagino), quando chegou o australiano Lleyton Hewitt, ex-número um do mundo. Como nós três éramos amigos (!!!), resolvi fazer uma piadinha em espanhol com Nadal, zuando o cabelo de Hewitt. Algo como "depois que ele abandonou aquela moto, deixou de lado o capacete também". Nem eu entendi, porque o cabelo do Hewitt sempre foi normal! Passada a enrolação, eu precisava usar meus 30 centímetros de fundo de quadra e sacar. O problema: uma bolinha de tênis de um centímetro de diâmetro. Menor que uma bolinha de gude. Para piorar, o pegador de bolinhas ainda ficava me apressando, me aporrinhando quase dentro de quadra. Errei o primeiro serviço e fiz o segundo. A rede tinha a altura de uma equivalente de badminton, talvez até de vôlei. Era ridículo, mas eu havia feito o saque sem que a bolinha tivesse chegado. Nadal começou a reclamar e eu fazia aquela cara de "ué, mas eu saquei!". Procura aqui, procura ali e eu descubro que ela caiu no meu bolso! Sem que conseguíssemos jogar, a quadra ganhou a companhia de mais um tenista - ou melhor, "tenista": um colega meu de colegial
Por EMANUEL NOVAES às 9:56 AM
Xinga a mãe! viernes, junio 15, 2007
E-MAIL PARA MINHA MÃE
From: emanuelcolombari@hotmail.com To: emaildaminhamãe@hotmail.com Subject: Interlagos Mãe, dá uma olhada nessa notícia do site do Estadão. Pode ir tranqüila, que não é vírus (se fosse, não diria "eu sou fado*!"). Dá uma olhada e vê se você reconhece o rapaz de camiseta preta atrás do cara de terno! Dica: o rapaz é o mesmo autor dessa nota. Beijão! * Piada interna
Por EMANUEL NOVAES às 7:36 AM
Xinga a mãe! martes, junio 12, 2007
DESTINO
Novamente parafraseando Doug Funnie, mas às vezes é engraçado como as coisas acontecem. Estava eu em casa no feriado e achei uma foto das antigas no meu computador, e pensei em dividí-la com vocês. ![]() É notável o quanto eu estou envelhecendo, não? Pode ser que a foto não esteja muito boa, mas esse negócio de estudar, trabalhar, beber e comer (tudo mal) realmente tem acabado comigo. Essa foto foi tirada em 2002, embora eu não saiba precisar o mês. Eu tinha 16 anos e, como pode ser visto pela camiseta sob a blusa, já torcia para a Portuguesa. Ao meu lado, Gabriel "Pyra" (de azul claro e boné) e Maurício "Mau" (ao centro), dois daqueles que a gente se encontra de vez em quando casualmente volta para casa. Eu atendia pela carinhosa alcunha de "Bozo", inexplicavelmente batizado por Pyra. Há alguns detalhes que chamam a atenção nesta foto, tirada em uma visita do pessoal do meu colegial (eu estava no Terceirão!) a São Paulo, onde passamos pelo Memorial do Imigrante e pela exposição do Monet, eu acho, no Masp. À primeira vista, talvez o principal deles seja alguém vendendo ovos de Páscoa na rua em um mês que, definitivamente, não tinha Páscoa. Mas nem era isso. O local da foto é a esquina da Avenida Paulista com o prolongamento da alameda Casa Branca, um pouco antes do Opção e do lado do próprio Masp. Na época, eu era apenas um estudante imberbe de 16 anos em uma esquina movimentada, da então mítica e desconhecida Paulista. Não imaginava que passaria por ali todo santo dia quatro anos depois, por pelo menos 365 vezes nos últimos 365 dias. Nem passaria pela minha cabeça comemorar meu aniversário de 21 anos naquele bar ali embaixo - o qual, se duvidar, eu nem percebi que existia na hora. Eu já havia me decidido pelo jornalismo, mas a idéia era tão recente que eu ainda estava buscando opções (com o perdão do trocadilho). De lá para cá, foram muitos amigos, muitas cervejas, muitos textos de política, muitas horas no estágio e muita barba que cresceu. Casas, em São Paulo, estamos na terceira. Jamais poderia eu imaginar que eu estaria tirando, naquela hora, uma foto tão perto do que seria minha casa, meu quintal em São Paulo. Não dá para encontrar muitos arrependimentos nesta trajetória. De vez em quando, eu imagino um encontro entre meu eu atual (embora eu odeie esta expressão, "meu eu") e o eu mais jovem, seja com 12, 14 ou 16 anos. Acho que eles poderiam sentir algum orgulho do que nós nos tornamos. Este menino imberbe da foto, acompanhado dos amigos, dos ovos de Páscoa e da camisa da Lusa, poderia até mesmo ficar feliz e dizer que se tornaria alguém na vida. Alguém de quem ele gostaria. Quer dizer, o garoto da foto iria me achar feio, descuidado e iria reclamar da minha vida sexual. Em compensação, ia morrer de inveja da minha coleção de camisas de futebol - que é bem maior que a dele! Pra vocês verem como são as coisas, não?
Por EMANUEL NOVAES às 8:42 AM
Xinga a mãe! sábado, junio 09, 2007
ACUSADO É PRESO NO BAIRRO DO SALGADO
Embriagado, Jeremias José do Nascimento revelou pacto com entidades satânicas e até cantou na delegacia Da reportagem local Caruaru (PE) - A Polícia Militar de Caruaru apresentou na tarde de ontem Jeremias José do Nascimento, 24 anos, acusado do furto de uma motocicleta marca Honda, modelo CG 125 Titan, de placa KKV-5284 e cor prata. Jeremias foi detido na Rua dos Guararapes, no Bairro do Salgado, onde se encontrava completamente embriagado ao lado da moto. A prisão foi efetuada pelo cabo Augustinho, do efetivo local, que se mostrou satisfeito com a detenção do acusado. De forma breve, o policial afirmou que Jeremias estava "colocando em risco a todos que estavam por perto". Ele ainda lembrou que o acusado foi abordado por seu pessoal e trazido para a delegacia do Salgado para que fossem tomadas as providências cabíveis. Soldado Ricardo, que também participou da captura, ainda destacou as duas multas dadas a Jeremias. "Realmente, ele foi multado por duas infrações: (dirigir) sem habilitação e com o documento atrasado", resumiu o policial, demonstrando tranqüilidade com a autuação do criminoso. Nenhum dos dois policiais, porém, fez menção ao estado de embriaguez no qual Jeremias foi encontrado. Nem mesmo o acusado conseguiu esconder a quantidade de álcool que havia ingerido, causando grandes constrangimentos na delegacia. "Bebi até umas horas, e digo que sou 'cabra' homem. Se eu pudesse, eu matava mil", ameaçou Jeremias, já algemado e elevando o tom de voz. "Eu mato até o delegado se ele for 'abuseiro'", completou. O comportamento de Jeremias ainda levantou as suspeitas das autoridades presentes ao ato da prisão, que foram recebidos com uma surpresa nada agradável. Visivelmente alterado, o acusado afirmou ter pacto com entidades satânicas, tendo ainda ido "ao inferno" para beber. "Eu estava bebendo no inferno. O 'Cão' foi quem botou para nós beber (sic)", revelou Jeremias José, em tom de voz pouco compreensível, no qual seguiu com o depoimento. "Diga à minha mãe que eu já estava matando mil. Diga à minha mãe, que ela vai dar uma risada." Música - Apesar do constrangimento pela embriaguez, a prisão de Jeremias ainda foi movimentada por cenas pouco comuns. Vestindo uma camiseta da banda norte-americana Linkin Park, o acusado ainda motivou muitas risadas ao cantar "Sem você não viverei", do veterano cantor Ovelha. O momento foi presenciado durante o transporte do preso até a delegacia, ainda no camburão da PM. Sem constrangimento, Jeremias repetiu a cena já algemado, na presença dos policiais e da imprensa.
Por EMANUEL NOVAES às 12:41 PM
Xinga a mãe! viernes, junio 08, 2007
BRINCADEIRA BESTA
Vou dar um desconto para os leitores mais recentes, mas os mais antigos não estão perdoados. O texto abaixo já havia sido publicado em 9 de novembro de 2004. E ninguém percebeu.
Por EMANUEL NOVAES às 12:01 PM
Xinga a mãe! miércoles, junio 06, 2007
LEMBREI DE SEU OSVALDO
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. (Manuel Bandeira) Eu tenho um vizinho, cruzando a rua de casa, chamado Osvaldo. Para mim, seu Osvaldo. Na falta de um biológico vivo, ele é meu avô por adoção. Não é dele que vou falar. Eu lembrava hoje, mais uma vez, de Dudu. E de quando fomos ao boliche com o irmão dele, o Rick e com uns amigos nosso. Aí, na saída, entrou outro Osvaldo em minha vida. Osvaldo era um daqueles tiozinhos que perambulam bêbados pelas noites da cidade. Vinha ele subindo a avenida em nossa direção. Devia ser pensamento comum que ele viria pedir dinheiro para "pegar o ônibus". Vez ou outra acontece com a gente. É bêbado, é mãe de criança com sífilis e por aí vai. Osvaldo chegou, começou a conversar com a gente. Falou que a gente era o futuro. Começou a divagar sobre a vida. Trocou gentilezas com o grupo. Filosofou. Foram tais comparações entre a vida e um espetáculo que... Bom, foram. Nunca ri tão inocente de um bêbado - nem quando era eu. Osvaldo se despediu. Deu orientações e partiu. Nós fomos embora, rindo. Não dele, mas com ele. Na próxima vez que eu encontrar Osvaldo (se o fizer), vou cumprimentá-lo. Um aperto de mão, talvez um abraço. Quando reencontrar Dudu, um abraço, um beijo no rosto, futebol e algo pra beber. Incrível como alguns homens marcam mesmo nossas vidas.
Por EMANUEL NOVAES às 3:12 PM
Xinga a mãe! viernes, junio 01, 2007
HOMEM ESTRESSADO
Um post tão grande que precisou ser dividido em partes Em primeiro lugar, deixemos claro: o atraso dos últimos dias para postar algo novo não foi nenhum charminho ou algo do gênero. Eu simplesmente não tinha idéias novas, ou não conseguia desenvolver as que vinham à mente. Em vez de colocar uma letra de música, eu preferi esperar um pouco e falar alguma coisa interessante aqui (já que quase ninguém de vocês curte música sertaneja, certo?). Mas eis que eu vinha martelando uma idéia há tempos na minha cabeça: lista de coisas que irritam profundamente. E ninguém aqui está falando de notas ruins ou ex-namorados (ou namoradas) bêbados, que podem até ter seus lados positivos; estamos falando de coisas que simplesmente parecem ter sido feitas para irritar, sem uma utilidade alternativa que preste. A minha lista já tinha aquela propaganda da Coleção Folha - Grandes Mestres da Pintura (um livro que se gaba por ter capa dura não pode ser grande coisa), pedestres turistas (tem coisa pior que andar por aí e ficar trancado atrás de gente que não anda?) e caixas automáticos de banco. Mas este último item resolveu passar dos limites dia desses... Parte 1 Um Dia de Fúria A esta altura, as pessoas que me conhecem um pouco melhor devem estar estranhando tanto ódio pelas coisas. Bem, eu costumo lidar com bom humor com quase tudo, mas caixas automáticos quase sempre me irritaram. Dificilmente eu vou ao banco para sacar mais de 20 reais. É uma tática que eu uso, de quem não tem dinheiro na mão não gasta. Geralmente, esses 20 dinheiros são suficientes para pagar contas menores, como luz e gás, ou para eventuais despesas com metrô, comida, compra de textos na faculdade e bebedeiras pantagruélicas de sexta-feira após as aulas. Apenas duas coisas por mês me fazem sacar mais do que isso: conta de telefone e conta da Net. Por isso, não tem nada que me deixe mais puto nesse mundo do que chegar ao caixa e descobrir que ele está trabalhando só com notas de 50. Oras, quem quer sacar 50 mangos, pode fazer isso com cinco notas de 10, certo? Se o cara quer sacar 400 reais... Bem, isso é um seqüestro-relâmpago, então é exceção. Mas, até provem o contrário, qualquer operação bancária que pode ser feita com uma nota de 50, pode ser feita com cinco notas de 10. Pode parecer meio óbvio ou que eu estou enrolando, mas não é bem assim. Acontece de eu ir sacar minhas duas araras de vez em quando e me deparar com uma caixa que só trabalha com onças. É questão de esfriar a cabeça, trocar de caixa, sacar o dinheiro e ir embora para ser feliz. Simples, certo, mas nem sempre é o que acontece. Dia desses, fui sacar os mesmos 20 reais e o caixa só tinha notas de 50 à disposição. Troquei de caixa e... Mesma coisa! Era ridículo, mas eu troquei de caixa para sacar e... Também??? Ah, vá pentear macacos! É claro que deu vontade de chutar os caixas automáticos até quebrar (o caixa ou o pé). Já era noite* e não havia gerente para chamar, então eu pensei em deixar um bilhete, em dúvida se o tom seria educado ou bucket-kicker mesmo. Na dúvida, fazer o quê, resolvi ir embora e seguir meu caminho a facul, sob o risco de me atrasar. E voltar no outro dia. No outro dia, mais tranqüilo, era momento da nova tentativa. Depois de sair do trabalho e almoçar, caminhei para me encontrar com esse terrível caixa. Não é necessário que eu conte tudo o que se passou pela minha cabeça no caminho, certo? Afinal, já existe muito ódio neste mundo, e eu não quero dar idéia contando o que eu faria aos caixas eletrônicos caso eles começassem com frescura de novo. Mas eles começaram. Fui ao primeiro, e só notas de 50. Fui ao segundo, e mais notas de 50. Antes que eu desrespeitasse a senhora que estava no terceiro caixa, resolvi tomar uma atidude: entrei na agência e fui falar com um caixa humano - eles são mais legais do que esses terminais malditos... Parte 2 Arara, ararinha... Peguei a fila e fui pensando em como eu iria demonstrar minha inabalável confiança e autoridade ao caixa, o Paulo - a essa altura, eu já tinha ouvido uma outra funcionária chamá-lo pelo nome. Como já era esperado, a fila demorou, e eu fui ensaiando mentalmente meu discurso. Assim como também já é costume o cliente antes de nós sempre levar uma eternidade procurando papéis e documentos para pagar. Eram 14h26 no meu relógio e eu já estava pronto para perder o jogo da "seleção" quando... -- Próximo! Paulo me chamou, todo simpático. Eu caminhei, pronto para fulminá-lo com os olhos, caso ele tentasse me colocar de lado. Segue mais ou menos o diálogo real: -- Ô-pa! -- assim mesmo, dito pausadamente, imitando o Tomiate para tentar demonstrar descontentamento. -- Boa tarde. Posso ajudá-lo? -- Seguinte: eu estou tentando sacar 20 reais, mas o caixa só está operando com notas de 50. Então eu vim ver se eu consigo sacar aqui -- falado devagar, porque não há nada mais ridículo do que as incompreensíveis gaguejadas que eu dou quando estou nervoso. -- Pois não. Posso ver seu cartão? Peguei o cartão na carteira e entreguei na mão de Paulo. Duvido que alguém esteja lendo até aqui, mas continuemos com a história mesmo assim. -- Hum... E ele não quis te dar metade do dinheiro, né? Estranhamente, a disponibilidade e o bom humor de Paulo conseguiram me esfriar um pouco. Droga! -- Pois é. Ainda se ele me desse 50 e tirasse só 20 da minha poupança... Ele riu, pediu para eu digitar minha senha, devolveu o cartão, o recibo e o dinheiro. Como eu não é sempre que eu perco a paciência, resolvi aproveitar a oportunidade e dar uma cornetadinha. É claro que não foi necessário um discurso do tamanho deste texto, o que livrou Paulo de um sermão involutário do tamanho do mundo! -- Escuta, e será que não tem como deixar avisado com alguém que o caixa está trabalhando só com notas de 50? Está desde ontem assim... -- Ah, mas já está avisado. A gente estava sem notas de dez para os caixas, mas o carregamento já chegou e a mocinha já está contando e separando para reabastecer os terminais. -- Ah, tá certo. Bom, desculpa o incômodo. -- Imagina... Até logo! E fui eu embora para casa. Com um stress a menos, 20 reais a mais na carteira (e menos na poupança) e feliz da vida por poder pagar uma conta. Fica para um outro dia a chance de descontar a raiva de maneira mais canalizada. * A falta de notas de dez não é a única coisa que me irrita em caixas automáticos. Teoricamente, eles funcionam entre as 6 das manhã e as 10 da noite, embora não seja exceção encontrar caixa que fecha às 9 da noite em plena Avenida Paulista. (Idéia copiada de um post do hoje em baixa Jesus, me Chicoteia!)
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