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Julho/2004
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jueves, mayo 24, 2007
A PIADA MACHISTA
Dia desses, deitado, antes de dormir, eu estava pensando: alguém já se deu conta de quão velhas - e legais - são as mp3? Sim, pois elas parecem novidade depois da ascensão do iPod, mas elas já estão por aí há tempos. Já no colegial, eu me lembro de gente que escutava MDs (uma espécie de disquetezinho porreta que armazenava músicas) durante a aula. Tudo graças à ascensão do formato mp3 no início do século (como se fizesse muito tempo). Por exemplo: eu tenho algumas músicas armazenadas no meu computador lá em casa desde 2000. É muito tempo! Elas ainda estão lá e, mesmo que eu tenha baixado mais músicas depois disso (umas 500, passando pelas eras Napster e KaZaA), as primeiras ainda estão lá. Elas não reclamam de não serem mais escutadas e não reclamam da concorrência, mesmo sabendo que, enquanto o HD funcionar, a gente pode ter todas as músicas que quiser. Sim, porque sabem que, no fundo, eu não tenho coragem de jogá-las fora. Sei não... Tem horas que eu gostaria que as mulheres fossem como as mp3. (Desculpa, mãe...)
Por EMANUEL NOVAES às 9:30 AM
Xinga a mãe! domingo, mayo 20, 2007
"'CAUSE THIS IS THRILLEEEER..."
Sabe aqueles dias em que você acorda e pensa "puxa, no meu casamento, eu vou dançar 'Thriller'"? Pois é, alguém já pensou nisso antes. Eu reconheço: tenho inveja desse cara, que convenceu até a própria noiva a fazer isso. Ah, o meu casamento que me aguarde... (É notável como a idéia só pode ter sido do noivo. Observem como os padrinhos e a mina de azul se perdem um pouco de vez em quando na coreografia.)
Por EMANUEL NOVAES às 8:23 PM
Xinga a mãe! martes, mayo 15, 2007
DONA MARIA E DONA ANA
Uma das coisas da qual eu mais sinto falta é de ter tido contato com meus avós. Enquanto os pais dos meus pais se foram muito cedo (e eu sequer cheguei a conhecê-los de verdade), as mães dos dois estiveram conosco um pouco mais de tempo. Mesmo assim, fico triste hoje por ter sido pouco - e mal-aproveitado - o tempo que tive ao lado delas. Dona Maria, mãe do meu pai, se foi quando eu tinha cinco para seis anos. Apesar disso, consigo me lembrar de forma muito viva de algumas coisas, como de seus olhos pequenininhos, de um vestido escuro dela, de seus cabelos sempre presos e de seu rosto sereno, cujos sorrisos conseguiam ser a imagem da (minha) felicidade. Hoje, sem surpresa, eu vejo o mesmo sorriso em meu pai, e talvez isso compense um pouco a ausência que ela provoca. Afinal, não é todo mundo que tem uma avó tão avó, com fogão a lenha e tudo mais, para poder se vangloriar. Já com Dona Ana, mãe de mamãe, a convivência foi quatro anos maior. Na verdade, foi bem maior, uma vez que dona Maria morava no Paraná, enquanto Dona Ana morava há poucas quadras de casa. Eu admito que tinha alguns problemas com ela, porque não conseguia compreendê-la na época: ela sempre chegava em casa aos domingos, séria, e almoçava conosco, antes de passar muito tempo em seu canto. Reconheço também que tinha um pouco de implicância, de relutância em conviver com ela. Mas apenas hoje consigo entender como eu fui uma criança idiota a esse ponto. Mesmo assim, isso não impedia que eu corresse até a casa dela no final de semana e colhesse jabuticabas no pé que havia nos fundos. Aliás, está aí uma coisa que tem passado com muita freqüência pela minha cabeça ultimamente. Dia desses me peguei lembrando de todos os detalhes daquela pequena casinha azul na rua José Claro: desde a grama na entrada, passando pelos cômodos, pela pequena escada que descia para a sala e para a cozinha, indo até os inúmeros gatos que apareciam por lá e pelo grande e denso matagal atrás de sua casa. Hoje, fico triste por perceber como eu fui um nada - ou até fiz mal - no ocaso da vida de Dona Ana. Quase sempre, as crianças têm a receita certa para serem muito idiotas nessas horas. Admito que não sei se seria um neto melhor hoje, mas a idéia seria tentar. Com seu João Novaes e seu José Colombari (não há nomes muito criativos na minha família) então, nem se fala. Por isso acho mais do que necessário, acho minha obrigação (embora seja também um prazer) estar sempre perto da minha família. Se não é fácil estar sempre ao lado de tios e primos, que eu me esforce sempre para estar ao lado de meus pais e de minha irmã. Afinal, são eles que me mantêm ligado a seu José, dona Ana, seu João e dona Maria. Não é fácil, ainda hoje, passar de carro pela José Claro. (A uma moça, que me acha grosso. E que teve a sorte de conviver por mais tempo do que eu com sua avó, que hoje zela por ela lá do céu.)
Por EMANUEL NOVAES às 11:16 AM
Xinga a mãe! viernes, mayo 11, 2007
DERCYCLOPÉDIA (OU "O PODER DAS CRIANÇAS")
Hoje teria post novo, mas não vai ter. Eu gastei minhas últimas 16 horas para descrever na Internet um dos mais importantes movimentos políticos da história recente brasileira. Pode ter passado de maneira discreta, mas o Levante Infantil foi decisivo para o final da Ditadura Militar e para o impeachment do Collor, por exemplo. (OK, pode não ser tão bom quanto o do Cumpádi Washington, mas fazer o quê?) Inspirado em uma aula de Ciência Política na faculdade, na qual discutíamos sobre Proudhon, Malatesta e outros nomes Mas pelo menos, estamos dando uma satisfação por aqui.
Por EMANUEL NOVAES às 11:00 AM
Xinga a mãe! lunes, mayo 07, 2007
A BALELA NAZISTA DO PAPA
O Papa está chegando aí, então talvez não haja melhor oportunidade. Pode ser por eu ter ficado um pouco mais religioso nos últimos dois anos, desde que eu me mudei para São Paulo. Mas seja pelo motivo que for, é preciso que diga que fico revoltado toda vez que escuto alguém dizer que "o Papa é nazista". Acho preocupante, desrespeitoso, revoltante, vulgar e de uma ignorância sem tamanho. Sim, ele é alemão e é velho. Logo, é óbvio que ele quer, desesperadamente, a instalação de câmaras de gás para matar judeus. Sem dúvida, ele vai devastar a população homossexual mundial e vai torturar ciganos. Sim, pois faz tanto sentido quanto imaginar os argumentos das pessoas - já que ouvi pelo menos dois desocupados dizerem que "o Papa é nazista". Vamos contextualizar a situação do jovem Joseph Ratzinger. Nascido na Alemanha em 1927, ele viveu até os 18 anos (quando acabou a II Guerra Mundial) sob o regime do Terceiro Reich do Partido Nacional Socialista de Adolph Hitler que governava o país. A primeira ligação principal do papa Bento XVI com o regime de então deve-se ao fato de que ele era filho de um oficial da polícia nazista da Baviera. Pronto. Já é mais do que suficiente para que venha o primeiro ignorante e diga que isso é o necessário para provar a ligação do Sumo Pontífice com o nazismo. Sejamos razoáveis: meu pai se aposentou no banco, e nem por isso eu passei muito perto de uma carreira bancária. Pelo contrário, não há sequer uma alma na minha família que tenha optado por seguir a carreira jornalística. É verdade que eu não fui verificar a informação, mas eu duvido que haja um outro Papa na família de Joseph Reitzinger - especialmente por ele ser o primeiro alemão a assumir a principal função da Igreja Católica apostólica romana mundial. Se servir de consolo, ele tem um irmão também ordenado padre, Georg. Aos 14 anos, em 1941, o jovem Joseph adere à Juventude Hitlerista, quando já era um jovem seminarista. Até aí, nada muito surpreendente, uma vez que o alistamento era obrigatório na Alemanha entre 1938 e 1945, cobrindo todo o período da Guerra. Foi conseqüência de seu alistamento aos nacionais socialistas que o futuro Papa pôde receber educação gratuita de qualidade, já que teve aulas com um professor de história voluntário, que era filiado ao mesmo partido e que lhe dava aulas no seminário. No final da Guerra, em 1943, Reitzinger acabou sendo incorporado ao Exército Nazista e convocado para os campos de batalha, onde fez parte de uma bateria de defesa anti-aérea, participou do treinamento da infantaria e participou, sim, de uma divisão de minas terrestres anti-tanque até 1944. Foi então que, em abril, resolveu fugir do exército, correndo o risco de ser condenado à pena de morte, antes de ser dispensado do serviço militar sete meses depois alegando controversos motivos de saúde. Com a chegada das forças aliadas à Alemanha, Reitzinger se entregou e foi preso em um campo de prisioneiros de guerra, sendo libertado em 1945. Era o fim da história militar de um soldado covarde. É difícil não fazer a relação, mas a ligação do Papa com o Nazismo é relativamente tão forte quanto a de qualquer brasileiro que já completou 18 anos com o Exército. Não vejo nele grande ligação dele com o militarismo da época de guerra, bem como não vejo muito sentido na obrigatoriedade do serviço militar no Brasil em tempos de paz (e não entraremos na discussão da ocupação de fronteiras, nas ações militares em favelas ou da ocupação de territórios como o Haiti). Opinião pessoal, mas Joseph Reitzinger parecia tão disposto a lutar na II Guerra Mundial quanto os jovens norte-americanos estão animados a lutar no Iraque, ou estavam empolgados para embarcar para o Vietnã. A biografia nazista do Papa cabe em meia dúzia de parágrafos, enquanto um ou dois descerebrados fazem comparações dele com Adolph Hitler ou Josef Mengele. Prefiro acreditar que Sua Santidade mereça ser lembrada pelos mais de 60 anos os quais tem se dedicado à vida religiosa. Certamente quem tem a coragem de fazer uma acusação tola como "o Papa é nazista" não tem tempo suficiente para fazer uma pesquisa básica ou para ler o mínimo sobre a biografia do Pio XII - este sim, de um pontificado no mínimo controverso. Entendo que a rejeição das pessoas ao papa Bento XVI é natural, fruto da difícil aceitação à substituição de João Paulo II, papa de toda uma geração e dono do maior funeral de um chefe de Estado na história. Ele mesmo foi goleiro em sua juventude, e ninguém coloca Karol Wojtyla na lista dos craques poloneses que poderiam ter sido e nunca foram. Gosto de pensar que iniciar seu pontificado após o de João Paulo II seja como tocar depois dos Beatles, e isso talvez crie tanta rejeição à atual Santidade. Admito que me surpreendi ao descobrir que Bento XVI tinha alguma ligação com o Nazismo em sua biografia (o que não justifica qualquer celeuma) ou ao descobrir que foi Pio XII o "papa de Hitler" - e não João XXIII, como eu pensava. Estamos apenas provando que um pouco de pesquisa cura a estupidez. Mas nada justifica a ignorância de acusar o Papa de nazista, por pura vontade de ser questionador em relação a dogmas e tradições mais conservadoras, como é comum dos jovens. Ainda que se trate de uma piada de péssimo gosto, é necessário que sejamos razoáveis.
Por EMANUEL NOVAES às 8:52 AM
Xinga a mãe! jueves, mayo 03, 2007
FALTAM 999
Como diria Doug Funnie, às vezes é engraçado como as coisas acontecem. O XV de JoC, que vocês todos conhecem (daqui e daqui), fez sua estréia em campeonato oficiais nesta quarta-feira. No caso, foi dia de jogo pela Copa Gérson. O adversário que teríamos pela frente seria o Cretinos de RTV, um time estreante em competições que havia levado 10 a 0 em sua primeira partida, contra o Obina é Melhor que o Eto'o FC. É claro que uma goleada deste tamanho entre dois times estreantes é animadora, especialmente quando seu adversário é o time que perdeu. Seria a oportunidade para que eu atingisse meu objetivo perseguido há mais de dois anos: meu primeiro gol oficial. Sim, eu jamais havia marcado um gol pelo XV em competições. Primeiro lugar, há que se considerar que eu sou reserva do meu time em todo esse tempo. Além disso, precisamos ser realistas e encarar o fato que eu sou pouco talentoso - embora não seja tãããão ruim assim. Por fim, se servir para os registros, eu já marquei três gols pelo time em um amistoso, um deles de cabeça. Serve, né? Bom, não é a mesma coisa sem torcida. E eu estava decidido que a quarta-feira seria o dia de acabar com este incômodo jejum. Por isso a preparação foi feita desde a segunda-feira, quando a famosa "mochilinha" de tênis que todo peladeiro tem foi preparada. Continuou dois dias depois, com uma sessão de relaxamento movida a cinema - Ventos da Liberdade, que nem é tão bom, foi devidamente interrompido três vezes por mensagem do Tomiate e ligações do Buca e do Léo, todos sobre a partida. Daí pra frente, toda a preparação dos quinzeanos estava voltada para o confronto contra os Cretinos. Inclusive a aula de Jornalismo Cultural. Enfim, sejamos breves no jogo. Passeamos no primeiro tempo, abrindo 5 a 0. Durante os 20 minutos iniciais, o máximo que consegui foi sair do banco e colocar uma bola na trave, comentando com a imensa massa torcedora que aquele, novamente, não seria o dia. Enfim, fui tranqüilo para o intervalo, com a certeza de que o time jogava bem e de que a vitória estava praticamente garantida. Jogávamos muito bem até então. Antes de voltarmos para o segundo tempo, conversei com Buca e pedi para entrar em seu lugar (no bom sentido). Ele, serenamente, aceitou, e eu não disse os 6x10²³ "obrigado" que eu deveria. Retomada a partida, os dois times partiam para cima: nós para tentarmos fazer saldo, embora cansados, eles para tentar diminuir. Numa dessas, Cláudio bateu da intermediária e a bola passou rente à trave com perigo. O goleiro deles se preparava para sair com a bola e eu recuava para trás da linha do meio-campo para auxiliar na marcação. Na frente, Cláudio marcava o setor esquerdo, enquanto um jogador deles se prontificava na nossa direita para receber a bola. Assim que o goleiro lançou a bola rasteira, alguém gritou sobre a possibilidade de eu encostar. Não sei se foi a torcida, se foi Cláudio, Léo, Gustavo, nosso banco ou Deus. Não sei se foi o time deles alertando o cara. Não sei se eu pensei e gritei que o cara era meu. Sei que eu fui para cima dele e efetuei o desarme (nossa!). Sozinho, com Cláudio aberto na esquerda, éramos nós dois contra o goleiro. Cláudio é craque, mas aquele era o meu momento. Bati e a bola passou por baixo das pernas do goleiro. Acreditem, isso não é tamanho sinal de deficiência técnica de quem fica debaixo das traves. Às vezes, o chute vai por ali e o reflexo não é rápido o suficiente. Voltando ao lance, foi questão de ver a bola indo rasteira em direção ao gol e comemorar feito uma criança com a torcida, que vibrava ainda mais do que eu. Foi então que, braços pra lá e pra cá, braços em todas as direções, tomei uma belíssima "braçada" na mandíbula. Doeu. E ainda dói um bocado. Confira uma simulação elifootica do lance. Percebam que salvar imagens em .GIF destrói menos as cores, embora não mantenha as cores do original. Observem também como Cláudio está bem posicionado na esquerda, enquanto o ala deles foi desarmado. Ao fundo, a torcida vibra. Enfim, saí de quadra cansado e com dores na cara. Não por isso, mas pela falta de um número satisfatório de reservas, o ritmo do time caiu. Tomamos um gol, marcamos mais dois no final e vencemos por 8 a 1 - três do iluminado Buca, três do imbatível Gustavo e um do leão Léo. Não foi o placar que queríamos, mas uma vitória é sempre uma vitória. E eu ainda marquei meu esperado gol. Enfim, não teve camiseta "Chupa JoD", não teve sambadinha, não teve apertos de mão. Não consegui dedicar a todos que esperavam o gol, mas Tatá, Tatá e Rê sabem que eu faria 600 gols para eles. Enfim, tinha que agradecer a Deus, que apareceu no meu sonho e disse "vai, Mané, ser gauche na vida". Eu perguntei "o que é gauche?", e ele respondeu "tipo 'vai, Mané, se dar bem na vida'". Ah, bom. Última paráfrase deste texto: como diria o ex-tenista Jimmy Connors, quando você vence, nada dói. Meu rosto que o diga. Valeu, XV! Que venham 22 Old Boys e Obina é Melhor que o Eto'oFC! Obs: Tiramos foto posada do time mais uma vez. Assim que o Léo liberar, no bom sentido, eu coloco aqui.
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