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Julho/2004
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martes, febrero 27, 2007
BORAT
Eu me sentia a última pessoa do mundo a não ter assistido Borat. Perigava ficar chato todo mundo comentar o filme e eu só falar que pretendia assistir. Ora, eu mesmo estava decidido a ir antes ainda de saber quando o filme estrearia. Por isso, aproveitei que saí mais cedo do trabalho e corri para pegar a sessão das 14h45. ![]() Quando entrei, já havia perdido parte dos trailers - aparentemente, apenas o do filme da Havaiana de Pau ou algo assim. Logo o filme (escrito e estrelado por Sacha Baron Cohen) começou. Entrei na sala com um pensamento, lido em uma crítica, em mente. "Borat faz você rir; Sacha Baron Cohen faz você pensar." Evidentemente, o filme é hilário e as risadas no começo da película são incontroláveis. OK, nada justifica a histeria do bando de adolescentes que escolheu a mesma sessão que eu, mas o humor politicamente incorreto do começo do filme é acima da média. Não há nada parecido no gênero, seja ele qual for. Vamos aos pormenores do filme: o título original é Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, algo como 'Borat: Ensinamentos Culturais da América para Benefício da Gloriosa Nação do Cazaquistão' no inglês deles. Evidentemente, os produtores resolveram trabalhar apenas com o nome 'Borat', que batiza nosso personagem principal: Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen, pela última vez), um intrépido repórter cazaque que parte para os 'E, U e A' para introduzir uma cultura mais ocidentalizada ao seus conterrâneos. Junto com ele, parte o produtor de TV Azamat Bagatov (Ken Davitian), bancados pelo Governo local. O choque cultural antes mesmo da viagem dói na barriga, de tão bom. Sua irmã é a quarta melhor prostituta do país, sua mulher Oxana foi negociada com sua família aos 12 anos, seu pai é um estuprador e ele tem uma vaca dentro de sua casa. É deste cenário que parte nosso intrépido repórter rumo a Nova York, onde ele deveria filmar toda a parada. De alguma forma, vocês já devem saber que ele está num quarto de hotel deitado quando assiste um episódio de Baywatch. Apaixonado por Pâmela Anderson, Borat inventa uma desculpa para Azamat e eles decidem atravessar o país rumo à Califórnia. Nessas, o documentário realmente consegue o que queria; mostrar o american way of life. O que pode não ser necessariamente bom. Depois de atrapalhar a previsão do tempo, fugir de uma demoníaca hospedagem judia, virar amigo dos manos, trazer um saco de cocô para a mesa do jantar de um pastor, levar uma prostituta ao touro mecânico, brigar com o produtor (a cena mais bizarra do filme) e procurar uma igreja protestante... Enfim, depois de tudo isso, Borat chega a Los Angeles e reencontra Azamat. Juntos, eles descobrem Pamela Anderson e ele tenta persuadí-la a casar. Com métodos charmosos, há que se admitir. Pena não ter conseguido. Certo, vocês já sabem a história do filme. E que ele realmente ensina muito aos cazaques em sua volta. Mas Borat talvez seja muito mais um filme de comédia do que uma reflexão inteligente. A idéia do filme, até bem mostrada, é que a cultura ocidental não consegue aceitar as diferenças culturais dos outros países de forma mais... Hum... Aberta. Humilde. Enfim, não consegue. Mas a obra não consegue provocar esta reflexão de forma natural. Ironicamente, o problema talvez esteja no excesso de humor. Um dos adolescentes histéricos até mesmo comparou o negócio a Jackass, pode? Até que pode, embora uma coisa esteja beeem longe da outra. Numa dessas, a gente até esquece das críticas pesadas que ele faz ao governo Bush (a mais óbvia), ou a segmentos sociais, como os universitários, os protestantes, a classe média (sempre ela), entre outras. Nisso, o filme falha. Mas não podemos deixar de dar crédito ao britânico Sacha Baron Cohen. Depois de interpretar coisas bizarras como Ali G (sabiam?), Borat é um avanço - embora não seja definitivo.
Por EMANUEL NOVAES às 5:39 PM
Xinga a mãe! domingo, febrero 25, 2007
LEDO ENGANO
De uns tempos pra cá, além de meus cadarços que desamarram, outra coisa tem me incomodado muito: pessoas têm ligado aqui pra casa. Nada contra o povo que me liga, é óbvio, ou que liga para o Antônio. O problema, na verdade, é número enorme de enganos. Imagino que, na última semana, atendi a mais gente ligando errado do que telefonemas certos. E olha que nós temos o mesmo número há uns oito, nove meses! Depois de um certo tempo, mesmo quem gosta do negócio, começa a ficar meio incomodado. Acreditem! Só nos últimos dias, depois do carnaval, foram três pessoas. OK, eu imagino que o meu número pertencesse a outras pessoas antes de chegar aqui ao apartamento. Mas será que ele é tão promíscuo assim, rodando de endereço a cada semana, como se fosse uma dessas damas da noite? Já procuraram até por consultório aqui! O melhor é o povo que insiste. Ligaram procurando um tal de Felipe, e o Felipe não mora aqui. E daí? -- Tem certeza? -- Como assim? -- O Felipe não mora aí? -- Não, não... -- Aí não é XXXX-2592? -- É sim, mas ele não mora aqui. -- Felipe não-sei-o-quê da Silva? -- Nunca ouvi falar. -- É que foi o número que ele me passou... -- Olha, eu tenho esse número há quase um ano. E não conheço o Felipe. Antônio também não conhecia - mas vá saber se ele passou o telefone de casa como contato de um amigo, certo? Que nada. Sinceramente, fiquei pensando agora que Felipe deve ser um desses calhordas, que pega a menina e depois passa o telefone errado. Ah, meu filho, deixa ela te descobrir no Orkut... Quanto ao médico, o negócio foi mais simples. Perguntaram ser era da clínica do doutor cicrano, eu disse que não, pediram desculpas e tchau. O problema é que foram duas pessoas diferentes no mesmo dia! Em mais uma teoria, doutor cicrano deve ser um desses médicos calhordas, que pega a menina e depois passa o telefone errado. Ah, meu filho, deixa o Cremesp te descobrir no Orkut... Curioso é que ainda me ligaram errado até no carnaval, quando eu descansava em casa, do outro lado do estado! Pode? Poder não deveria poder, mas até o Itaú veio me incomodar dia desses. Menos mal é que foi rapidinho: -- Oláboatarde! EusoudagerênciadodepartamentoderelacionamentosdoItaú, meunomeéSuzana. Comquemeufalo? -- Ahm... Emanuel! -- Olá, Emanuel! EugostariadefalarcomosenhorRenannãoseioquêdaSilva! -- Olha, não é daqui não! -- OK, queiradesculpar. Umaboatardeparaosenhoremuitoobrigada. Engano bom é engano assim: curto. A amiga do Felipe tem muito a aprender com a gerente do Itaú. Quanto ao Renan, deve ter trocado de número sem informar ao banco. Ou pode ser apenas um desses clientes calhordas, que pega a gerente do departamento de relacionamentos do banco e depois passa o telefone errado. Ah, meu filho, deixa o Itaú te descobrir no Orkut...
Por EMANUEL NOVAES às 7:51 AM
Xinga a mãe! viernes, febrero 23, 2007
'QUE PAÍS É ESTE?'
Eu me decidi pela carreira jornalística em 2001, no segundo colegial, depois de um elogio de uma professora para uma redação. Desde então, admito que já me ocorreu mudar de curso - especialmente quando os futuros coleguinhas começam a discutir os rumos da política educacional de candidato fulano e coisas do gênero. Mas eu sei que, se abandonasse o curso, iria decepcionar a mim, a meus pais, meus amigos e a uma professora que sempre me incentivou pra caramba. Foi professora Cidinha Campos. Não foi ela que elogiou minha redação em 2001, mas ela foi minha professora no terceiro colegial e nos dois anos seguintes, no cursinho. Uma das melhores e mais dedicadas que eu tive até hoje, sem dúvida. Pena que alguns alunos, especialmente no ensino médio, não percebam isso a tempo (eu mesmo só fui sacar isso no cursinho). Ela já foi reconhecida como uma das melhores do estado, e nada é mais justo do que esse reconhecimento, dado que ela já não precisava mais aturar alunos insolentes. Durante as aulas de redação quase noturnas que ela dava de segunda-feira no cursinho (que me obrigavam a perder a única novela que eu gostava, Cabocla), ela realmente instigava os alunos a colocar mais do que palavras nas folhas. Sempre havia material para discussão preparado por ela. E nós discutíamos, levantávamos idéias, argumentávamos... e escrevíamos. E bem! No meu caso específico, ela gostava das minhas redações. Eu era sempre um dos primeiros a acabar (a turma não era muito grande), e ia logo me sentar ao lado dela pra que ela lesse, corrigisse, apontasse, orientasse. Cidinha sempre se interessava pelas carreiras escolhidas pelos alunos, e dava toques importantes sobre as redações de diversas faculdades. No meu caso, sei que devo parte razoável das minhas redações da Cásper Líbero e da UFPR a ela. Já aconteceu, certa vez, de ela não poder dar aulas na escola por motivo de saúde. A maioria das professoras que tive telefonaria e se justificaria. A escola compreenderia, dada a excelência do trabalho de Cidinha, e colocaria uma substituta em seu lugar por algumas aulas. Mas ela preferiu ser um diferencial; telefonou para a escola, se justificou, e pediu para que os alunos fossem até sua casa para ter aulas. Acredito que isso aconteceu em 2002 ou 2003, e eu não fui. Hoje, se eu soubesse, seria o primeiro a ir e arrastar os colegas. Falando neles, sei que alguns lerão este texto. Alguns, com bom tempo de formado como eu, irão compreender a idéia. Outros, que ainda têm aulas com ela este ano, poderão fazer diferente do que fiz no colegial e devem aproveitar. Afinal, não é sempre que se pode ter aula com uma verdadeira mestra como Cidinha Campos. Obs: Foi difícil não batizar este post de 'Ao mestre, com carinho'. Chavão por chavão, achei mais legal colocar um que ela e os alunos achavam graça.
Por EMANUEL NOVAES às 9:34 AM
Xinga a mãe! lunes, febrero 19, 2007
PERSONA NON GRATA. PRA CARAMBA.
O Brasil já não agüenta mais Ivete Sangalo. Perceberam? Sim, porque nossa amiguinha é uma espécie de Cicarelli II, só quem sem filmes pornôs. Legitimamente, Ivete passa por um processo de superexposição, e já conseguiu o que queria: ninguém suporta mais topar com sua ilustríssima figura em todo lugar. Pensem bem: ela lança 625 CDs por ano; fica com a mesma música tocando nas rádios por 18 meses a fio (vide "e vai rolar a festaaa..." ou "poeeeiraaaa..."); faz duetos com Deus e o mundo; apresenta programa na Globo; participa de filme da Xuxa; faz propaganda da Nova Schin... Tudo isso em um espaço de tempo pra lá de breve! Algo que levaríamos a vida toda pra fazer, ela faz em dois anos! Eu me pergunto se existe alguma coisa que ela ainda não tenha feito, uma vez que a tendência é que algum boato apareça logo para derrubar sua carreira. Algo como um filminho softcore na praia, um casamento-relâmpago com algum jogador de futebol bem gordo, a restrição de acesso a algum site, um incentivo polêmico ao uso de drogas (como a propaganda da Nova Schin) ou um programa de beijo de lésbica na MTV. Não podemos negar, contudo, que a mulher do vozeirão faz sucesso. O problema é que toda trajetória atinge um máximo, um ápice, antes de começar a cair (exceto a de Frank Sinatra, que não cai jamais). Ivetinha vem em ascensão desde que se separou da Banda Há que se ficar atento ao excesso de exposição, às inúmeras capas de revistas, às participações especiais em programas, aos 625 CDs lançados por ano. Caso contrário, ninguém vai suportá-la dentro de pouco tempo, e Ivete terá que conviver por alguns anos com o ostracismo. Logo, ela vai estar velha e vai começar a apelar para se sentir gostosa. Algo como Susana Vieira - essa sim, a mais indesejada das pessoas superexpostas.
Por EMANUEL NOVAES às 2:13 PM
Xinga a mãe! jueves, febrero 15, 2007
ANALISANDO A PLAYBOY DO MÊS
Ordinááária! Sinceridade: alguém aqui acompanha o Tchakabum ou as eleições de rainha de bateria do Salgueiro para saber quem é De tanto desdém, Eu avisei. Nem o marreco Alexandre Pato ou Cláudia Leite jurando que é virgem salvam. Esta sessão está suspensa por tempo indeterminado.
Por EMANUEL NOVAES às 5:59 PM
Xinga a mãe! miércoles, febrero 14, 2007
A RAINHA
Eu sou uma pessoa bastante metódica. Do tipo de organizar algumas coisas por tom de cor ou data de compra, por exemplo. Essa minha característica gera interessantes discussões com minha mãe, que diz que eu já nasci com 50 anos. Minha tal irritabilidade à desorganização faz com que, indiretamente, eu goste de ir ao cinema sozinho. Às vezes em grupos pequenos, mas no máximo três pessoas. E foi sozinho que eu aproveitei uma eventual folga no trabalho para ir ao cinema assistir o filme A Rainha (The Queen). Apostei em uma sessão bem cedo, para poder almoçar perto do cinema e aproveitar o dia - afinal, folgas têm que render, certo? Assim, depois de encontrar casualmente meu amigo Adriano na portaria, 12h30 estava eu na bilheteria do Bristol da Avenida Paulista sem um pingo de voz (resquício dos dois dias de trote na faculdade), tentando fazer o vendedor entender que eu queria uma meia entrada. O problema é que o filme começava às 13 horas, e eu teria que ficar meia hora esperando enterrado na poltrona da sala de cinema. Cheguei lá e havia outras pessoas de 71 anos como eu para ver o filme de uma família real que, bem, também não esbanja jovialidade. Nessa meia hora, eu vi um trio bastante empolgado falando sobre tomates secos, enquanto a senhora atrás de mim falava que estava de mau humor. Imagine um velho ranzinza como eu, que estava pronto para xingar aquele povo que continuasse falando. E olha que o filme sequer havia começado! Humildemente, sou obrigado a reconhecer que todos se comportaram muito bem durante a projeção, menos eu (vocês entenderão mais pra frente). Depois da projeção de um videozinho de propaganda do Tele Cine (pode isso?) e um de boas maneiras no cinema (não deixe seu lixo por aí, desligue os celulares, há extintores e luzes de emergência por aí...), começaram os trailers. De interessante, apenas Ventos da Liberdade (The Wind that Shakes the Barley), e um dramático mais ou menos com Jim Carrey, O Número 23 (The Number 23). De resto... Enfim, o filme começa. Trata-se de uma espécie de documentário ficcional (existe esse gênero?), contando os bastidores da família real britânica nos imediatos da morte da princesa Diana, em 97. Tony Blair havia acabado de ser eleito e tinha uma senhora bucha nas mãos. Entre os conflitos familiares e crises administrativas da monarquia, o filme mostra como aquilo foi teoricamente conduzido. Eu imaginava o filme mais interessante, mas ele não deixa de ser. Entre os detalhes mais legais de A Rainha, há a preocupação de mostrar Tony Blair (Michael Sheen, bastante fiel ao cara) como um cara comum, morador do subúrbio e torcedor no Newcastle - ele chega a desfilar com uma camisa dos magpies com seu nome nas costas durante o filme. Além disso, Sua Majestade, a rainha Elizabeth II (Helen Mirren, que ganhou fãs na sessão) vira mãezona na trama, mostrando pulso firme, fragilidade, dirigindo Land Rover, passeando com cachorros e diagnosticando problemas mecânicos no carro. Algo bastante bacana ainda é o uso de imagens de arquivo de telejornais, o que dá o maior tom documental ao negócio todo. Capas de jornais são reproduzidas com destaque para também reforçar ainda mais a credibilidade do filme. Algumas cenas misturam ficção e realidade, como o velório na abadia de Westminster, a presença (não real) de Steven Spielberg, Tom Cruise, Tom Hanks e Elton John, e ajudam com que a gente entre no clima. Foi numa dessas que meu celular tocou. Bem o meu, que sempre fica no vibratório, estava na campainha. Bem eu, que fico praguejando contra todo mundo, passei uma vergonha dessas. Mais tarde, descobri que era a Rê me ligando para pedir o telefone do Buca. Admito que acabei me desconcentrado um pouco do final do filme e, talvez até por isso, tenha achado que ficou faltando algo. Como quando você almoça e, mesmo sem sentir fome depois, sabe que não ficou satisfeito. Sei disso porque saí de lá para almoçar sem muita fome. Por tentar recuperar o estrago 'laringogástrico' (sensacional) dos últimos dias, resolvi pegar leve: sanduíche de atum e suco de laranja. Só com o pedido feito, descubro que o estabelecimento não aceita Visa Vale e eu teria que arcar com o custo do lanche. Que era bom, mas demorou. Que se pese cada um dos fatores, a experiência antropológica de ir ao cinema deveria ter sido horrível. Mas eu voltei bastante feliz para casa - afinal, não é todo dia que a gente arruma um tempinho desses para achar que a vida é uma maravilha. Mas já basta de experiências mais culturais. Está na hora de ver os destes de Rocky Balboa voando por aí!
Por EMANUEL NOVAES às 4:28 PM
Xinga a mãe! lunes, febrero 12, 2007
UM GRANDE GAROTO
Algumas pessoas entram em nossas vidas com o único intuito de mudá-las. OK, o começo deste post não é muito promissor. Mas apesar do preâmbulo (!!!) com cara de Orkut ou fotolog, o negócio aí acima é uma verdade. Ainda mais quando estamos falando de um menino chamado Thiago Borges. Borjão, para quem é seu amigo (o que não é muito difícil), é um enviado. Mesmo um pouco afastado de nós agora, não posso esquecer as coisas que Borjão fez e faz por mim. Seja você religioso ou não (ele é), Borjão faz você acreditar que existe bondade dentro das pessoas. Claro, ele simplesmente descobre a bondade dentro de você, e faz você querer corrigir o que há de errado. Não só com você, mas com o mundo. Sim, pois ele faz parecer possível e fácil. É um cara que não banaliza as coisas, que se dispõe a ajudar a todos. Eu sei disso, porque já pude ver Borjão comprar um lanche do McDonald's para um garoto de rua, sentar-se com ele e conversar com o garoto sobre a vida. Eu não tenho dúvidas de que o menino era a pessoa mais feliz do mundo no momento, enquanto eu tentava levantar o meu espírito derrubado de quem não ajudou o mesmo menino no primeiro momento. Tudo bem que eu não pagaria um lanche do McDonald's nem pra mim, mas era importante para o menino, oras! Não são apenas as lições que Borjão passa que te conquistam, mas a preocupação que ele tem com o bem-estar de todos. Ele sempre parece disposto a relegar os próprios problemas para perguntar como estava minha família. Eu posso dizer - e pude dizer a ele pessoalmente - que as coisas melhoraram muito desde que Borjão apareceu.
Eu de saia, Borjão de vestido, uma bunda empinada... É até meio constrangedor ter um crucifixo ali no fundo! Quem lê isso tudo, logo pensa: "meu, que cara chato. Deve ficar do seu lado, enchendo o saco e pregando para ser o certinho". Que nada, seus invejosos ingratos! Borjão toma cerveja, joga bola muito bem, vai a festas (vide foto da Pororoca), é um excelente parceiro de truco, conta suas piadas politicamente incorretas... Por trás de suas perninhas curtas (que não lhe conferem muita estatura), do nariz avantajado, da montanha de comida que coloca no prato e das piadas impublicáveis aqui, há sempre um grande e contagiante sorriso. Afinal, trata-se de um rapaz como nós, que acabou de deixar a adolescência. Talvez eu me identifique com ele por ele ser um cara interiorano como eu - além de ter nascido em Marília, já morou em Bauru, Sâo Roque, Cotia e Vargem Grande Paulista. Hoje, ele mora em uma pequena cidade da Itália, onde faz um ano de estudos religiosos. Nós ficamos aqui, sem o maior referencial de caráter entre os alunos. Mas com a certeza de que ele logo volta, para poder nos ensinar muita coisa novamente. Há muitas coisas que poderíamos dizer deste cara. Apenas ficamos no aguardo, reservando nosso melhor abraço. Cuide-se, Borjão!
Por EMANUEL NOVAES às 9:09 AM
Xinga a mãe! sábado, febrero 10, 2007
A IMPORTÂNCIA DE NÃO SER INGÊNUO
Eu já contei esta história para praticamente todos, e talvez já a tenha contado aqui também. Mas na dúvida, conto de novo. Eu tinha muita vontade de conhecer Buenos Aires desde pequeno. Depois de muito pentelhar minha mãe, consegui convencer ela a me financiar uma viagem quando fiz 18 anos, em outubro de 2003. Foram quatro dias muito bons, passeando por uma cidade bonita, limpa, moderna, com gente educada e que convive muito bem com sua história. A foto do banner do blog, por sinal, foi tirada em frente à Casa Rosada. Como me é conveniente, eu aproveitei uma tarde livre da programação da viagem para dar uma volta. Nós estávamos hospedados próximos ao imenso obelisco da avenida Nove de Julho, e eu decidi passear pela Corrientes. Evidentemente, o grande intuito era comprar camisa de futebol, como eu faço em todas as viagens. Fui, olhei algumas lojas e voltava para o hotel com uma bonita camisa do Independiente. Foi quando fui abordado por uma senhora loira de cerca de 45 anos. Animada, ela me convencia a conhecer o seu bar. Eu tentava me livrar daquele engodo sem ser indelicado (preciso parar com isso), mas a senhora era bem persuasiva - e chata mesmo. Depois de alguns minutos de 'preciso ir', ela me convenceu e eu a segui. Subi por uma escadinha escura, enquanto ela me perguntava coisas como de onde eu era. 'Ah, um amigo do Brasil', disse a senhora, o que eu não vou esquecer tão cedo. Cheguei lá e... Bem, era um puteiro! Ela me apresentou duas meninas, as quais cumprimentei. Dei uma olhada no lugar (todo escuro), fiz algum comentário elogioso à senhora e falei que voltaria à noite. Ia indo em direção da porta, enquanto ela me convencia a ficar, a conversar com as meninas. Encheu o saco, me fez sentar em umas das mesinhas e tomar um suco. Evidentemente que eu não tomei, com medo de acordar em uma banheira cheia de gelo, sem o rim, o dinheiro e os documentos. Ou pior: sem minha camisa do Independiente. Comecei a ficar realmente com medo depois de algum tempo. Ela me pediu garantias financeiras de que eu voltaria à noite. Assim, poderia reservar as meninas (duas!). E o quarto. E não sei o que mais, porque meu pavor não permitia que eu a compreendesse. Com medo, fui pedir ajuda ao único pateta que não ajudaria: o segurança do puteiro, um imenso careca, que não moveu uma pálpebra desde que eu entrei. Desnecessário dizer que foi inútil. No fim, dei as tais garantias, já que tive o grande azar de sair com uma quantidade razoável de dinheiro na carteira. Deixei lá mais de cem pesos - quantia equivalente em reais. Em troca, a senhora me deu uma espécie de 'vale-prostituta' para que eu voltasse lá à noite e, digamos, consumisse meus serviços adquiridos. Constrangido, com medo, triste e puto da cara, não pensei outra coisa que não fosse não voltar. Peguei o telefone da polícia turística e do consulado brasileiro, mas resolvi não tentar dar queixa. Criar um incidente diplomático para compensar minha burrice era um negócio bastante desconfortável. Provavelmente, eu seria a piada da Polícia por algum tempo. Vale lembrar: até hoje, eu tenho o vale-puteiro lá em casa. Só preciso procurar direito. Aliás, eu estava reservando o dinheiro para comprar uma camisa do PSV Eindhoven quando voltasse. Ficou na vontade até hoje. Para encerrar: talvez seja bom levar isso em consideração quando eu for para a Cidade do México.
Por EMANUEL NOVAES às 9:42 AM
Xinga a mãe! viernes, febrero 09, 2007
MÚSICA DE CORNO
A relação entre estar na fossa e ouvir música talvez seja tão antiga quanto estar na fossa ou a própria música. Mas eu lhes garanto que, certamente, tem pouca coisa pior do que ouvir música quando nós estamos na fossa. Não digo isso por ter tomado um fora recente, mas por estar constantemente levando foras. Alguns doem menos, e a gente pode continuar ouvindo o que quiser. Outros doem mais, e é melhor a gente passar os dias em silêncio, ou lendo, ou vendo TV, indo ao cinema... Enfim, curtindo o marasmo sem música! Aconteceu comigo, talvez deve ter acontecido com alguém. OK, você está triste e abre sua playlist (estão na moda). Com certeza, a primeira música que você vai ouvir é aquela que você vinha ouvindo há alguns dias e que, com certeza, recomendou à pessoa. E lógico, você não vai sequer suportar escutá-la, porque vai lembrar da pessoa. Sim, pois deveria ser a música de vocês. No meu caso, embora a letra não seja tão bonita, é Eye in the sky, do Alan Parson's Project. OK, próxima. Pronto, caiu na música que ela falou que ouve ou ouvia. E você não escutaria aquilo, porque não é o seu tipo de música. Mas ganhou o ingrediente especial, a aura de sagrada, porque aquela pessoa gostava, e isso era mais do que necessário para tornar aquela música em algo muito legal. Algo que você jamais escutaria fazia você imaginar a vida ao lado da pessoa em câmera lenta. Você, triste, quase começa a chorar ouvindo uma música que nem legal é. OK, próxima. Logo, você escuta as versões 2000, 2002 e 2005 do tópico acima. Burro que é, você não apagou do seu computador as músicas que te recomendaram. Curtindo esses bodes, eu passei quase um ano sem ouvir Semisonic ou até mesmo Reação em Cadeia (que é muito ruim, convenhamos). Counting Crows não; eu simplesmente achava - e acho - a música fraca mesmo. Mesmo assim, você não consegue escutar a música dois, três, cinco anos depois do fim do grande amor da sua vida (qualquer um deles) sem ficar triste, e pensar que poderia ser diferente, e que a pessoa podia te dar outra chances, e... OK, próxima. Mas aí você descobre que ainda há esperança. É quando toca Deep Purple, Ramones, Rolling Stones, Creedence, Dire Straits... É quando toca a música do único amor que não te abandona - o hino do seu time. Sim, pois ele pode ser rebaixado, perder clássico, ser goleado por time pequeno, te deixar triste, mas o amor não acaba nunca. Pois ele te enche de esperança, sempre, você lembra de quando ele é campeão e já está mais feliz. OK, próxima. Aí, toca Beatles, Bob Dylan, Bob Seiger, Cypress Hill, Deep Purple... E você lembra de um monte de coisa legal que fez e faz com os seus amigos embalados pelos versos de Old times rock 'n roll e Burn. E tem a certeza de que os amores virão, irão, mas Borjão, Léo, Buca, Mestre, Tatá, Ronaldo e Wilke jamais te abandonarão. Animado, até esquece que você ainda sofrerá de novo por culpa de alguém. OK, próxima. E vem o golpe de misericórdia: começa a tocar João Mineiro & Marciano, Bruno & Marrone, Chico Rey & Paraná e Milionário & José Rico. Você tem a certeza que pode ouvir aquilo feliz, porque sua ficante, rolo, namorada, noiva, esposa, amante, cabrita, caso ou mão esquerda jamais permitiria que você escutasse aquilo ao lado dela. E você se lembra das noitadas bêbado ao lado de Brunão, Rick, Gui, Jaú, Dudu e Luiz, e de como era feliz ouvindo música de corno - que nunca foi mesmo de corno. OK, próxima. A próxima é Astor Piazzolla, ou é Amália Rodrigues, ou quaisquer outras coisas de velho, que até sua mãe se espanta ao saber que você ouve. Coisa triste, e que você não sabe se vai te derrubar de novo. O bom é que não derruba, pois jamais conseguia convencer a pessoa a ouvir tango ou fado - ou sequer contava, com vergonha. Aquilo é só seu, e pra você se sentir bem com você mesmo. Ou pra você lembrar de seus pais, e sentir aquela saudade gostosa. OK, talvez ouvir música talvez não seja ruim quando se está na fossa. Talvez o que seja necessário seja ouvir a coisa certa. Obs: Escrito de uma vez só. Duro foi linkar tudo isso...
Por EMANUEL NOVAES às 8:27 AM
Xinga a mãe! jueves, febrero 08, 2007
SONHO BIZARRO. E ENORME.
Eu andava por uma cidade muito parecida com a imaginária Vice City, a de Grand Theft Auto - Vice City. A única diferença é que eu encontrava pouquíssima gente pela rua, e sequer queria matar o povo. Numa dessas, eu encontrei uma pessoa, outra... E comecei a ser perseguido por uma madame. Escondi-me numa loja, ela entrou, perguntou para o meu chefe sobre o meu destino e foi embora. OK, não foi o sonho mais legal do mundo. Mas logo depois, eu estava à minha casa de Pres. Prudente, onde iria presenciar à morte de Jim Morrisson. Estava ele - um pouco gordo, é verdade - e seu 'assassino', um rapaz louro, alto, magro e com o cabelo meio bagunçado, chamado J. Chumaki (parente do Schumacher! Ahn, pegaram? Certo, foi fraca). Chumaki e Jim trocaram pílulas que pareciam balinhas de açúcar. Logo Jim começou a suar, andar de maneira tensa pelo meu quintal e morreu. Minutos depois, Chumaki também. Pior: minha cachorra Pitucha idem! Começou a chover e nós tínhamos que levar todos para um hospital, para que fosse decretado óbito. Fiquei para fechar a porta, e meu pai saía com a família e o corpo de Pitucha a bordo de um Peugeot 206. Talvez Jim estivesse no porta-malas, já que ninguém liga para Chumaki. Enquanto o carro andava com dificuldades, eu conseguia correr para alcançá-lo. Papai subiu a rua, o carro patinou para um lado, para o outro, e bateu de frente em um muro. Todos estavam bem - exceto Pitucha e Jim Morrison, que haviam morrido no acidente. Certo, foi fraca. Mas aí eu peguei o carro, no melhor estilo 'dá aqui e deixa na minha mão'. Realmente, consegui dirigir o carro de maneira heróica até bem próximo do destino: o Shopping (haveria hospital lá? Enfim...). O problema, mais um, é que havia um desvio para a construção de um túnel bem no trecho final do caminho. E fomos nós embarcar naquela viagem curta por uma estrada de terra. Que de curta, não teve nada! Entre trechos de terra, barro, poças d'água e pouco asfalto, logo nós estávamos na simpática cidade de Jaú (que se escrevia 'Jahl'). Como eu já estava bem enrolado mesmo com aquela corrida, resolvi oficializar o negócio, e logo estava em uma prova estilo endurance de kart. Com um belo macacão verde, de detalhes brancos e amarelos. O capacete seguia o mesmo padrão, enquanto as minhas sapatilhas eram azuis. OK, eu admito que meu desempenho em um kart sobre uma rodovia não foi o que eu esperava. Depois de alguns bons quilômetros, nós chegamos a um posto de controle, que nada mais era do que uma grande armação de madeira no meio da pista. Tirei o capacete, as sapatilhas, e conversei com meu pai por um tempo. Subi umas escadas levando o kart no braço, enquanto eu via umas pessoas com três laptops lendo a Gazeta Esportiva.Net. Logo desci e coloquei meu kart para relargar. Antes disso, Nando (irmão do Sérgio) me pediu para trazer um cheeseburger na volta, mas sem queijo e sem salada. Eu argumentei que, se era pra trazer um cheeseburger sem queijo e sem salada, era melhor trazer um hamburguer sem salada. Longa discussão depois, concluímos que seria o cheeseburger mesmo, já que ele vinha com mostarda, e o hamburguer não. Eu já estava saindo, quando me dei conta de que eu estava sem capacete e descalço. Voltei correndo apoiado por fora da estruta e pedi ajuda para meu pai, para ganharmos tempo: ele colocava uma sapatilha, eu colocava a outra. Eu era devagar, ele já tinha colocado a dele e eu ainda estava botando a meia! Troquei a bizarra armação de madeira onde eu estava apoiado por um banquinho, onde um garoto tirava uma foto com uma camiseta do Rubinho Barrichello. Alguns karts atrasado, inclusive um onde uma menina relargava com óculos escuros no lugar de capacete, eu sai. O kart já tinha em vista uma descida em uma longa curva aberta para a direita, em um trecho cheio de árvores como aquele que a gente encontra no Paraná. Impaciente, eu resolvi que seria melhor acordar logo e sair logo de toda aquela confusão (como eu fazia nas redações da quarta série).
Por EMANUEL NOVAES às 9:47 AM
Xinga a mãe! miércoles, febrero 07, 2007
VEJAM BEM
A filha de Dunga faz moda.
"Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar..." Se ela fizesse psicologia, Dunga provavelmente seria um transtornado. Se ela manjasse de futebol, provavelmente daria alguns sugerimentos para a convocação. Como escalar três volantes e colocar o Elano como responsável pela criação na linha defensiva do meio. Vai longe essa menina!
Por EMANUEL NOVAES às 4:36 PM
Xinga a mãe! martes, febrero 06, 2007
GASTRITE
Alguém leu os comentários do post de ontem? Um cidadão chamado Gustavo, que não deixou e-mail, site ou qualquer identificação que não o primeiro nome, questionou minha gastrite. Bem a que me fez acordar cedo hoje para ir ao médico. O que dizer a um cidadão desses? Simples; como diria o carismático prefeito Gilberto 'Chuck Norris' Kassab, "respeita doente! Vagabundo!". Kassab, o ídolo das massas. Update: Gustavo, na verdade, é Gustavo. Ah, então pode!
Por EMANUEL NOVAES às 7:53 AM
Xinga a mãe! lunes, febrero 05, 2007
TUTTO BUONA GENTE
Uma das coisas mais interessantes sobre os paulistanos é que eles se acham um pouco italianos. Aliás, não um pouco; eles provavelmente se consideram a maior cidade italiana fora da Itália. É bem verdade, antes de mais nada, que a colônia italiana em São Paulo é grande. Mas eu já morei no Bixiga e sei que não é 112% do povo como se pensa, que a pessoas não tocam acordeon na rua e dançam tarantela. Talvez 103% do povo se empolgue e vá na onda - quase como ser emo, mas depois dos 40. De domingo, na hora do almoço, tem até uma rádio com um programa só de música italiana, o Buon Giorno , Itália - o qual, de vez em quando, eu escuto. Fernando Vanucci talvez escute também, com toda aquela festividade efusiva. Mas duvido que alguém realmente ficaria insatisfeito de ouvir em português a explicação sobre as músicas de Carlo Bucci. Tem hora que o excesso dessa 'charmosa' italianidade do povo atrapalha. Um negócio meio Glória Maria viajando, sabe? Talvez se fosse outro país, incomodasse menos. Mesmo porque, a grande ligação que esse povo tem com a Itália, fora ter assistido Terra Nostra, é ter um bisavô que veio pra cá trabalhar com café e passar o legado dos Cannavaro, Totti e Zambrotta da vida. Pior: tem gente que não tem nem sobrenome, nem nariz, nem nada de italiano! De lá pra cá, o imigrante de boininha marrom em questão já passou o legado a uma portuguesa, que teve um filho brasileiro, que teve um filho com uma espanhola e depois com um libanês... A linha é longa, mas a pouca genética italiana parece brilhar no DNA de São Paulo. O que é suficiente para que eles praguejem dizendo cazzo, por exemplo. Uma tristeza... Mas poderia ser pior, sem dúvida. Benedito Ruy Barbosa poderia escrever novelas sobre poloneses, e todos ficariam trancados dentro de casa. Ou poderia escrever sobre... Bom, quem nasce nos Emirados Árabes Unidos, e as pessoas realmente achariam que podem comprar tudo. Ou pior ainda: já pensou se ele escreve sobre estudantes de comunicação?? Meu Deus, passar a vida ouvindo Los Hermanos e Chico Buarque e discutindo sobre a Venezuela ia ser pior que a minha gastrite!
Por EMANUEL NOVAES às 9:39 AM
Xinga a mãe! sábado, febrero 03, 2007
PATÉTICO!
Só mesmo um cara muito do interior pra pensar que organizar uma reunião pré-trote em um bar daria certo. Lamentável...
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