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martes, abril 24, 2012
A MINHA VERSÃO

Eu conheci o Thiago em 2002, quando eu tinha 16 anos e ele tinha 19. Ele tinha mais cabelo, e eu duvidava que eu seria tão magrelo.

Quer dizer, “conheci” é força de expressão. E vocês vão entender.

Eu estava no terceiro colegial (“ensino médio” é o escambal) e estava decidido a prestar vestibular para jornalismo. Gostava de escrever, de ler, de pesquisar, e meus textos eram elogiados pela minha professora Cidinha Campos. E gostava muito de esportes.

Nesta época, meu pai havia se tornado assinante da America On Line, graças aos CDs de instalação que chegavam gratuitamente pelo correio todas as semanas. E com a conta na AOL, tinha acesso a diversos sites parceiros. Entre eles, o F1 na Web, de um assunto que sempre me interessou: Fórmula 1.

Entre os diversos espaços do F1 na Web, estava a sessão de colunistas. E entre os diversos colunistas, estava o Thiago, de 19 anos. Ainda estudante, mas com um currículo bem bacana.


Currículo e cabelo em 2002. Imagem: reprodução (graças ao Web Archive)


Em busca de experiência, resolvi mandar um e-mail para aquele colunista, graças ao endereço que aparecia (acho) no fim das colunas. Ali, pedi dicas de vestibular, faculdade, carreira e essas coisas que um estudante interessado faz.

Para minha surpresa, o Thiago respondeu e foi bem gente fina comigo. Não vou lembrar ao certo da resposta, mas ele deu as dicas que eu havia pedido. E eu, que nunca tive dúvidas de que queria ser jornalista, me senti mais à vontade com aquela que seria minha profissão alguns anos depois.

O tempo passou. Eu me formei no colegial, fiz dois anos de cursinho (sabe aquele papo de “estudante interessado” e tal?) e passei no vestibular. Mudei-me de (Presidente) Prudente para São Paulo, comecei a faculdade e passei a estagiar em um importante site de esportes. Terminei a faculdade e fui procurar emprego.

Voltemos ao estágio. Foi neste período, entre 2006 e 2008, que conheci o Julio, que viria a ser um dos meus grandes amigos e com quem eu mantenho hoje o Última Divisão. Em uma determinada conversa sobre o nosso projeto, acho que em 2010 ou 2011, o Julisco comentou sobre um cara com quem ele trabalhava no site da ESPN, e que nós inclusive seguíamos no Twitter do site. Era um tal de Thiago, Thiago Arantes.

Neste momento, é importante salientar que minha memória se alterna entre “de elefante” e “seletiva”. Neste mesmo momento, eu lembrei do e-mail que mandei para aquele Thiago em 2002. Seria o mesmo? Pô, mas ele não mora em São Paulo.

Depois de algumas conversas com o Júlio, cheguei à conclusão de que era o mesmo. O Julisco gostou da história, e deve ter comentado com o Thiago - não sei se foi o caso. Eu fiquei curioso com a coincidência, mas ficou por aí.

Eis que, em 2011, surge o grande desafio profissional da minha vida: fui escalado pelo meu trabalho para cobrir os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México. Nunca tinha ido para tão longe de casa, e apesar de um pouco ansioso, fui para lá. Voltei feliz, apaixonado pelo país, com grandes amigos feitos, grandes amizades reforçadas e uma experiência que jamais vou esquecer.

E voltei também com esta curiosa história que se segue. E que explica todo este texto.

Certo dia, fui escalado para cobrir uma competição de boliche no Pan 2011, no carismático Bolerama Tapatio. Ali, em meio aos strikes, conheci o repórter da ESPN que estava ali. Justamente o Thiago.

Ao fim da cobertura do dia, devidamente apresentado, contei a história ao Thiago. E surpreendentemente, ele se lembrou do e-mail e tudo mais.

Desde então, o Thiago virou um amigo querido meu, dentre esses que a gente conhece em meio aos compromissos profissionais. Além disso, é um cara que aprendi a admirar ainda mais, e para quem não penso duas vezes se tiver que pedir um conselho. Como até já andou acontecendo.

Posteriormente, não muito tempo depois, o Thiago lançou seu livro, “Os dez mais do Santos”. Convidado para o lançamento, levei justamente o Julisco para me acompanhar ao evento. E o Thiago, como sempre, nos recebeu muito bem, deixando uma dedicatória especial para cada um na primeira página de nossos livros. Na minha, como esperado, lembrou modestamente o “pupilo” que pediu dicas a ele dez anos antes.


Eu, Julisco e Thiago. Imagem: Paulo Guimarães/Saraiva Conteúdo


Por isso, este texto é uma pequena homenagem a um jornalista e um amigo que admiro. E que ajudou a transformar esta história contada acima em uma pequena piada. Espero que entenda e que goste.

Por EMANUEL NOVAES às 1:54 PM
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