LA CUCARACHA - Desperdiçando Internet desde 2004

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martes, junio 23, 2009
DA ARTE DE PREVER O FUTURO

Durante praticamente minha vida toda, eu tive um mesmo hábito. E vou tentar explicá-lo pra vocês.

Hoje, eu estou com 23 anos. E se, quando eu estava com 15 anos, eu pudesse me ver aos 23? Eu estaria feliz com o que eu virei?

È um exercício de reflexão. Será que eu atingi algum sucesso nos últimos anos? Será que eu estou abaixo das minhas próprias expectativas? Haverá alguma evolução nos próximos anos? Como é que eu estarei aos 30?

Pensando no exemplo dos 15 anos, tenho a impressão de que eu estaria satisfeito. Nesses últimos oito anos, eu consegui três namoradas, comecei a dirigir, passei no vestibular, vim para São Paulo, me formei na faculdade, passei a morar sozinho, viajei para o exterior, arrumei um estágio, depois dois empregos...

É claro que nem tudo é perfeito nessas projeções – especialmente se a visão que eu “tiver” aos 15 anos é de um passageiro de ônibus, preso no trânsito da Avenida Paulista quando volta do trabalho. Mas essas frustrações são partes da vida.

Por exemplo: quando eu tinha uns oito anos, achei que conseguiria aprender uns cinco idiomas até os 20. Parecia algo fácil, e não é – aliás, é difícil até mesmo aos 40 anos! E tenho a impressão ainda de que não me casarei na idade que planejo, ou de que não virarei vereador, não assumirei a presidência da Prudentina... Enfim, essas coisas comuns que todo mundo planeja.

Eu queria de verdade poder enxergar o meu futuro agora. Queria saber se, aos 30, eu já cobri uma Copa do Mundo. Se aos 40, já virei um jornalista respeitado (a ponto de poder escolher onde morar e o que fazer da vida). Se posso me candidatar à Câmara de Vereadores aos 50. Aos 60, se posso ser presidente da Prudentina. Se poderei comprar uma chácara para me aposentar aos 70 anos.

Pode ser que nenhum desses planos se concretize. Mas isso não será motivo para lamentações. Afinal, eu não falo os seis idiomas que eu gostaria, certo? Mas se eu pudesse me ver “crescido”, eu certamente estaria feliz com um aprendizado: a de que a gente descobre coisas novas ao longo da vida. E mesmo que essas coisas não sejam os nossos planos originais, acabam nos completando um pouco.

Por EMANUEL NOVAES às 11:10 PM
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lunes, junio 15, 2009
LA CUCARACHA ENTREVISTA: FERNANDA FERNANDEZ



Entre as famílias, é um tanto quanto comum que o filho opte por seguir a carreira do pai. São médicos filhos de médicos, advogados filhos de advogados, jornalistas filhos de jornalistas, engenheiros filhos de engenheiros... Nada muito incomum. Mas e se estivermos falando do ramo do “entretenimento adulto”?

É mais ou menos isso que acontece com Fernanda Fernandez. Irmã da modelo, dançarina e pornstar Vivi Fernandez, Fernandinha não quer ser conhecida apenas pelo parentesco. Por isso, incentivada pelo próprio namorado (o também ator pornô Gustavo Asbach), ela decidiu abandonar a faculdade e aderiu ao mundo do hardcore. Concorrência com a irmã? Ela garante que não.

“Foi meu namorado quem me incentivou a procurar um produtor, pra ver como iria me sair em frentes às câmeras”, explicou a própria Fernandinha, em entrevista exclusiva ao La Cucaracha por MSN, refutando qualquer comparação com Vivi. “Alguns preferem a Vivi, por ser mais encorpada. Mas eu estou bem feliz com tudo que vem acontecendo”, assegurou.

Em junho de 2009, pela Brasileirinhas, Fernandinha lança seu primeiro trabalho: “Agora é a Vez Dela” (pré-venda aqui). Antes disso, porém, ela mesma apareceu pelo mundo da internet divulgando seu filme e seu trabalho – curiosamente, sem nem mesmo ter visto o filme finalizado. Resultado: o marketing pessoal a transformou em sucesso absoluto antes mesmo do lançamento oficial (marcado para o dia 16 deste mês), no qual a própria produtora a classifica como “a revelação mais devassa do pornô nacional”.

Muito atenciosa, Fernandinha nos atendeu para uma entrevista – atenção: de verdade. Por isso, a partir de agora, vocês acompanham aquela que talvez seja a primeira "entrevista de verdade" deste blog. Com vocês, Fernandinha Fernandez, a nova estrela do pornô brasileiro.

La Cucaracha: A repercussão, pelo jeito, está grande.
Fernanda: Graças a Deus.

La Cucaracha: Mas conta aí: o filme tem uma história ou é tipo uma coletânea de cenas?
Fernanda:
Em uma das cenas, tem uma historinha, uma pequena introdução. Mas não sei como eles vão colocar, né?

La Cucaracha: Ainda não viu finalizado?
Fernanda:
Na verdade, eu vi um pouco, mas muito rápido. Eu pedi para os meninos da edição me mostrarem, mas eles me mostraram muito rápido, passando muito pra frente.

La Cucaracha: E antes de fazer o pornô, você fazia o quê? Modelo, faculdade, alguma coisa do tipo?
Fernanda:
Eu fiz um semestre de Direito, mas desisti porque não era pra mim. Não consigo me imaginar devorando os livros. Mas eu tentei. Talvez algum outro curso... Mas agora não; agora quero me dedicar ao pornô mesmo.

La Cucaracha: E como surgiu o interesse? Você já assistia antes?
Fernanda:
Sm, já assistia filmes, sim. Desde os nove anos que me masturbo. O interesse surgiu porque meu namorado me incentivou a procurar um produtor, pra ver como iria me sair em frentes às câmeras.

La Cucaracha: Bom, eu ia perguntar mesmo: ele é do ramo?
Fernanda:
Ele também é ator. Mas o mercado está muito mais para a mulher do que para o homem. Mas assim que der, a gente vai fazer uma cena juntos.

La Cucaracha: E ele não fica com ciúmes do pessoal comentando?
Fernanda:
Ele não tem ciúmes, não. Pelo menos, ele não demonstra, né? (risos)

La Cucaracha: A abordagem do pessoal aumentou muito? O pessoal chega meio pedreiro em cima?
Fernanda:
Teve um fã que me reconheceu, mas eu estava com o meu namorado e ele me falou depois que não chegou em mim por causa do Gu (risos). O Gu é tri de boa – (afinal), se foi ele mesmo quem me incentivou pra isso, né? Sabia que ia ter muito cara que ia chegar em mim depois... Nada, eu ando na rua normalmente!

La Cucaracha: É que o namorado é meio grande, né?
Fernanda:
O Gu é MUUUUUUUUUUITO grande (risos)

La Cucaracha: Você disse que ele te incentivou a procurar um produtor. Imagino que isso aí tenha facilitado para negociar com a Brasileirinhas, né?
Fernanda:
Sim, foi a Brasileiinhas que me procurou.

La Cucaracha: Você sabe por que rolou a procura? Se foi indicação do Gustavo, se foi da Vivi...?
Fernanda:
Eu procurei um produtor, que decidiu me apresentar para o Jazz (Duro), que é diretor da Buttworx. Aí ele levou o material pra lá; eles gostaram e resolveram fazer o filme.

La Cucaracha: E a Vivi? Incentivou, curtiu a idéia?
Fernanda:
Incentivou, sim. E gostou da idéia. Falei com ela poucas vezes, mas ela sempre me deu a maior força.

La Cucaracha: Rola muita comparação com ela? Tipo aquela pressão de "é a irmã da Vivi"? O pessoal cria uma expectativa?
Fernanda:
Rola. Mas eu sei que eu tenho potencial. E nosso sexo é muito diferente. Ela mesma disse que não curtiu fazer os filmes. Já eu gosto de fazer. Alguns preferem a Vivi, por ser mais encorpada. Mas eu estou bem feliz com tudo que vem acontecendo – e isso porque nem saiu o filme ainda.

La Cucaracha: Do pessoal que já viu o filme, como foram as reações? Aliás, quem já viu o filme? Pessoal da época da faculdade, família, o Gustavo...?
Fernanda:
Ninguém viu o filme.

La Cucaracha: Sério?
Fernanda:
Sim. Mas o pessoal da edição que viu, gostou. Disseram que eu tenho tudo pra ser a melhor.

La Cucaracha: Bom, então você já tem planos para fazer mais filmes.
Fernanda:
Eu já fiz mais duas cenas. Sei que vai sair um filme com elas, mas se vou fazer um segundo filme, aí eu já não sei. Quero muito, mas tem que ver como as pessoas vão receber esse primeiro, né?

La Cucaracha: Você já divulgou uma cena pela internet. Pelo visto, é tranqüila com a história de vídeo na internet, pirataria...
Fernanda:
Não é uma cena. Na verdade, é um vídeo amador, que meu namorado e eu fizemos há muito tempo. Aí, resolvemos soltar na net.

La Cucaracha: E como você analisa a questão da pirataria?
Fernanda:
As pessoas têm total direito de fazer o que acham melhor. Mas isso desvaloriza muito todos os artistas, que ganham a vida com isso.

La Cucaracha: Você disse que tem gente que prefere a Vivi por ela ser mais encorpada. Tem alguma “encanada” com o corpo?
Fernanda:
Não, eu gosto muito do meu corpo. Claro que eu acho que posso melhorar - por isso freqüento a academia. Mas eu gosto de ser pequena. Mesmo que eu me mate na academia, nunca vou ficar um mulherão. Meu biótipo é ser pequena, então tenho que gostar de mim assim, né?

Por EMANUEL NOVAES às 9:15 PM
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jueves, junio 11, 2009
COMO SOBREVIVER À TV ABERTA

Passar o feriado em São Paulo tem dessas coisas.

Como não vou viajar, resolvi colocar em prática uma idéia que eu tinha há tempos, e que batiza este post.

Acredito que boa parte de vocês também esteja sofrendo com o frio – e, por isso, que vocês também irão passar boa parte do dia em casa. Então, publico aqui um pequeno guia para passar o dia em casa. E como não é todo mundo que tem TV por assinatura, vamos facilitar as coisas e provar que é possível passar todo o dia a base de Globo, Record, Bandeirantes e outros.

(Não, não é possível assistir ao SBT. Nem de brincadeira. Nem por 10 minutos.)

6h05
Se você acordou às 6h05 da manhã em pleno feriado, pare de ler por aqui. Mas se você está desempregado, ou tem todos os dias livres por algum motivo (tipo o Bruno Chateaubriand), pode começar assistindo ao Globo Rural. Pode não ser a melhor escolha, mas às 6h05 da manhã, digamos que não há muita opção.

Alternativa(s): Às 6h00, começa o Jornal do SBT. Ainda é com o Hermano Henning e a Analice Nicolau, mas é uma opção – e preenche seu dia até as 7h00.

6h25
Começa o Bom Dia SP (ou Bom Dia RJ, ou Bom Dia PR, ou Bom Dia AC...). Notícias do próprio estado são sempre uma boa pedida – especialmente se você não tiver como acompanhar outras notícias durante o dia.

Alternativa(s): Ainda está passando o Jornal do SBT. Mas como o Bom Dia SP vai até as 7h15, dá tempo de pegar o começo do Primeiro Jornal (a partir das 7h00, na Band). Se seu negócio for mais light, às 7h00 começa o Carrossel Animado no SBT.

7h15
Começou o Bom Dia Brasil. Você tem programação (particularmente, uma que eu gosto muito) até as 8h10.

Alternativa(s): Não tem. Dê uma enroladinha de cinco minutos com o Radar SP (Globo) ou vá ver desenho no SBT. E torça para não estar passando aqueles animes estúpidos.

8h15
Por uns 15 minutos, há pouca garantia na TV aberta. Por isso, até umas 8h30, aproveite para tomar seu café da manhã, tomar um banho, escovar os dentes...

Alternativa(s): A menos que você tenha simpatia pela Ana Maria Braga (ou pelo Louro José, o que é aceitável), você terá os desenhos do SBT. Ou o Dia Dia (Band).

8h30
Se você ainda não se informou o suficiente, pode ligar na Rede TV! e assistir ao Leitura Dinâmica – primeira edição (e como a Rede TV! parece não ter sites específicos para seus programas, não será mais linkada). Até as 9h00, você tem programa garantido.

Alternativa(s): Já falamos da Ana Maria Braga?

9h00
Agora não tem jeito: você vai ter que ir para o SBT – pelo menos por uns minutos. Ainda há desenhos legais, mas também há os Action Man da vida. É só sobreviver ao PLAYSTATION PLAYSTATION PLAYSTATION e pronto. Você chegou às 9h30.

Alternativa(s): Acho que é uma boa comer alguma coisa, dar uma volta...

9h38
Acredite: é o horário do Globo Notícia. Tudo bem que você já viu tudo que podia ver de noticiário durante a manhã, mas como o programa dura só três minutos...

Aliás, às 9h41, começa a TV Globinho. É verdade que eles insistem em passar Três Espiãs Demais, Team Galaxy e outras bobagens. Mas como ainda passa Bob Esponja e DuckTales, digamos que o programa tem salvação. Além disso, tem Os Simpsons, né?

Alternativa(s): O programa vai até às 11h55. Portanto, se você topar abrir mão de Os Simpsons, pode assistir à TV Corinthians (Jogo Aberto, às 11h30 na Band) ou ao Rede TV! Esporte (mesmo horário). Percebe-se que o tom da grade começa a mudar, não?

12h00
Acabou a manhã, e você pode assistir ao SPTV – ou RJTV, ou Acre Telégrafo. De quebra, você ainda emenda o Globo Esporte, ao 12h45 (se não ligar de assistir reportagens de vídeo-game), e o Jornal Hoje, das 13h15 às 13h45. Pronto, numa tacada só, você arrumou o que assistir por quase duas horas.

Alternativa(s): A única viável é o SBT. A partir das 12h45, tem Chaves (acredite), seguido de Um Maluco no Pedaço (13h15). Às 13h45, tem As Visões de Raven, que dispensa muitas atenções.

13h45
Essa vale: Doug começa na Cultura às 13h30. Você pode perder o finalzinho do Jornal Hoje, ou pode assistir ao segundo episódio entre 13h45 e 14h00.

Alternativa(s): Não há. Sério.

14h00
A Cultura passa O Pequeno George. A Band passa sabe-se lá o quê. A Globo passa Vídeo Show. A Rede TV! se divide entre infomerciais e TV Kids. O SBT passa As Visões de Raven e Cory na Casa Branca. A Record passa o Programa da Tarde. Por isso, tire uma hora para almoçar. Você merece.

Alternativa(s): Dormir.

15h00
Um dos piores períodos do dia para se acompanhar à TV aberta. Torça para ainda passar Todo Mundo Odeia o Chris (Record), ou para o Cinema em Casa (SBT) estar inspirado. Caso contrário...

Alternativa(s): Voltar mais tarde do almoço. Aproveite o banco aberto e pague suas contas em dia. Limpe a casa, tire um cochilo...

17h15
Pica-Pau na Record. Precisa mais? Até as 18h45, você tem motivos de sobra para não mudar de canal.

OK, mas caso você não queira ver uma hora e meia de Pica-Pau (tem louco pra tudo), voltamos a ter diversas opções. Na Cultura, entre as 17h30 e as 18h00, temos mais Doug. No SBT, temos o Programa do Ratinho às 17h30. Na Globo, minha indicação de noveleiro: a partir das 18h10, tem Paraíso. Até as 19h00.

19h00
É agora que começa um lance genial das TVs abertas: a alternância de programação. Os canais simplesmente começam a se revezar entre programas ruins e bons. Só que, quando um programa bom está em uma emissora, tem um programa péssimo em outro.

Neste caso, até as 19h20, você pode se virar com o SPTV segunda edição. Ou com os correspondentes das outras praças.

Alternativa(s): Se te apetece, TV Kids na Rede TV! (entre 18h10 e 19h50), SP Record (às 18h45) ou Eu, a Patroa e as Crianças (SBT, às 19h15).

19h20
Acabou na Globo, começar o Jornal da Band – que vai até as 20h15. Sério, se a Cultura fosse esperta, colocaria Doug pra passar no meio da tarde.

Alternativa(s): Ainda está passando Eu, a Patroa e as Crianças no SBT. Aliás, até as 20h00.

20h15
Acabou o Jornal da Band. Você pode assistir à Escolinha do Professor Magal, na seqüência. Se acha que merece mais do que isso (nós achamos), mude para a Globo e pegue o Jornal Nacional no comecinho.

Alternativa(s): Às 20h00, começa o Cartão Verde, na Cultura. Ainda que Xico Sá continue por lá, é uma ótima opção por uma hora. Se nem isso te animar, tem A Praça é Nossa (mesmo horário, quinta-feira, no SBT).

21h00
Bom, você deve ter dado um jeito de tomar banho e jantar. Por isso, pode prestigiar o Jornal da Cultura (até as 21h40) ou à novela Caminho das Índias (cuja duração depende do que passa depois).

Alternativa(s): Ahm...

21h40
Na Cultura, passa o Metrópolis (não sei se diariamente ou só de quinta-feira). Na Globo, passa futebol na quarta-feira. No SBT, você perdeu só o comecinho do SBT Brasil (que vai até as 22h00). Aí, depende do dia, né?

Alternativa(s): Pô, com tanta opção, vocês ainda querem mais?

22h05
Se for quinta-feira, coloque na Globo e seja feliz até as 22h50 com A Grande Família. Se for segunda-feira, não pense duas vezes: CQC, na Band. Se for sexta-feira, Globo Repórter. Se for terça-feira, ainda dá pra engolir o Casseta & Planeta.

Alternativa(s): Tem o Superpop na Rede TV!. Torça por uma briga de sub-celebridades ou por um desfile de lingeries – que, dizem, só passa na quarta-feira, durante o intervalo do futebol da Globo.

22h50
Na falta de opções, é melhor começar a pensar em dormir – afinal, você acordou às 6h05 da manhã. Vá escovar seus dentes, sei lá.

Alternativa(s): Força Tarefa, na quinta-feira da Globo. Quem mandou não ir para a cama? Vai ter que assistir ao programa que a Globo copiou da Record.

23h40
Horário do Jornal da Globo. Depois disso, sem desculpas: vá dormir.

Alternativa(s): Entre 23h45 e 00h15, a Rede TV! transmite o Leitura Dinâmica – segunda edição. Coloque o timer para desligar a TV e seja feliz.

00h00
Se você insiste em não dormir, pode colocar na Band e assistir ao Jornal da Noite. Salvo engano, é com o Joelmir Betting – então, merece atenção.

Alternativa(s): Espere até as 00h10 e torça para o Jô Soares ter algum entrevista interessante. Como o programa vai até 01h40, você não tem mais desculpas para assistir TV aberta depois disso. Vá dormir.

Por EMANUEL NOVAES às 1:28 PM
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domingo, junio 07, 2009
A DIFÍCIL TAREFA DE ENCERRAR CICLOS
Um relato prolixo, nerd e cheio de um questionável sentimentalismo.


Parte das pessoas que usam a internet hoje em dia pode não acreditar, mas já houve um tempo em que o PlayStation era popular. E acreditem: não é como alguns de vocês imaginam.

Há uns dez anos (se muito), os vídeo-games não funcionavam com CDs, mas sim, com cartuchos (ou fitas). Nesta época, piratear um jogo era uma tarefa um pouco cara e complicada, o que tinha lados positivos e negativos – poderíamos discutir isso posteriormente. E nessa época, era difícil achar um console que desafiasse a hegemonia do Super Nintendo ou do Mega Drive.

Eis então que chegou o Sony PlayStation, conseguindo um lugarzinho entre os dois gigantes citados. Foi aí que o mercado dos games voltou a ganhar fôlego, facilitando a compra de jogos (piratas) em CD por R$ 5 e dificultando a vida das saudosas locadoras – reparou que elas já não existem mais, né?

Fim do preâmbulo, vamos à história. Durante toda a década de 90, eu fui um ferrenho jogador de Mega Drive. Entre 1992 e 2002, passei tardes e tardes jogando Sonic, alugando Road Rash e lendo revistas sobre Mortal Kombat. Não raro, amigos de infância iam lá para casa nas férias às 8h da manhã, e só iam embora à noite, depois de testarmos todos os golpes na última edição da SuperGamePower.

Quando esta época já estava no fim, até mesmo eu vi que era hora de trocar de vídeo-game. Tanto que lá pelo fim de 2003 ou 2004, em um Natal, eu pedi um PS One – péssimo negócio, já que o PlayStation 2 foi lançado pouco depois. E hoje, meio de saco cheio do mundo dos vídeo-games, eu dedico algumas poucas horas mensais a Gran Turismo, Street Fighter e outros jogos.

Alguém mais atento, porém, pode ter percebido um pequeno vácuo entre o “fim” do Mega Drive e o meu presente de Natal. Sim, houve um período entre 2002 e 2003 (ou 2004), no qual os vídeo-games ainda existiam. E eis, enfim, o lado curioso deste relato.

Eu não me lembro ao certo o ano. Mas lá perto da minha casa, ao lado da igreja, havia uma farmácia. Um dia, a farmácia se mudou de lá (posteriormente fechou), deixando o ponto ali da esquina vago. Então, uma moça gordinha teve a brilhante idéia de alugar o espaço, colocar uma TV nos fundos e conectar um PlayStation a ela. Na antessala (segundo a reforma ortográfica), um balcão com a lista de jogos à disposição.

Era simples, e logo virou febre. Todo final de tarde, a gente juntava R$ 1 com um amigo e ia passar uma hora lá. Foram longas corridas de moto, longas lutas, várias manobras. O tempo de testar os golpes da SuperGamePower estava de volta.

Pensando nisso, eu mesmo comprei uma revista com todos os golpes de Mortal Kombat Trilogy, que era a grande novidade da época e que já estava disponível “lá no Play”. Estava doido pra testar tudo, pra fazer combinações amalucadas e pra, enfim, voltar a àquelas férias de julho de 1993.

O interessante aqui é que eu não me lembro quem foi comigo nesse dia. Tenho a impressão de que era algum amigo gordinho, mas poderia ser algum japonês. Sei que, no dia, perdemos toda a confiança que tínhamos com a proprietária, de quem já havíamos nos tornado assíduos fregueses.

Durante uma das lutas em que eu apelava com meus ensaiados golpes, acabei me distraindo em toda a minha empolgação. Meu amigo então, sem que eu percebesse, soltou meu controle do vídeo-game. Logo, começou a me humilhar. Eu, que perdi um round assim, logo fiquei puto e percebi o que havia sido feito. Então, do alto do meus 17 anos (acho), comecei a berrar uma porção de palavrões. Meu amigo ria.

Quem não achou a menor graça, é claro, foi a gordinha dona da loja. Apavorada, ela entrou na salinha, avisou que o nosso tempo tinha acabado (???) e nos convidou a ir embora dali. Fomos, e o “Play” fechou menos de um mês depois. Diziam até que tinha se mudado pra outro lugar, mas ninguém nunca mais viu o vídeo-game ou a gordinha.

Talvez terminasse ali meu amor pelos vídeo-games.

Por EMANUEL NOVAES às 1:23 AM
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domingo, mayo 24, 2009
CARTA AO AMIGO FELIPE

Olá, meu caro. Como anda a vida?

Espero que esteja melhor do que da última vez que conversamos. Sim, pois o que havia então era que você estava mal, passando por uma dessas fases ruins da vida. E eu, intrometido, saí por aí distribuindo conselhos.

Escrevo então pra dizer que quem precisa escutar aqueles conselhos agora sou eu. Sim, pois como dito naquela conversa, as fases boas precedem as fases ruins, que precedem as fases boas, que precedem as fases ruins. E não há nada que possamos fazer quanto a isso, já que teremos bons e maus momentos a vida toda.

(E que não digam algo como “a vida não teria graça se tivesse apenas bons momentos”. Eu garanto que meus problemas seriam bem menores fosse este o caso.)

Mas acontece que o momento ruim agora é meu. Nem vem ao caso dizer o que está ruim – ou todas as coisas que estão ruins. Mas fato é que aquelas coisas boas que eu tinha a comemorar... Bem, parece que se foram.

Tudo que eu tenho vontade agora é de mandar a vida às favas, como eu te recomendei. O estômago pesa, os olhos pesam, os ombros pesam. O sono vai demorar a vir, e eu não vou ter vontade de levantar da cama amanhã. Tenho vontade de fugir dos amigos, de tirar o telefone do gancho, de sumir da vista das pessoas.

Mas sabemos que não é assim. Que as coisas ruins passarão, graças ao tempo. Posso te dizer que terei um dia péssimo amanhã – mas nem por isso deixarei de sorrir, ainda que forçosamente. E em dias, dois ou duzentos dias, a fase ruim passará, dando lugar a uma fase muito boa de novo, como outras que já aconteceram antes.

Acabou? Não, não acabou. A fase boa irá por terra de novo. Logo, as coisas ruins voltarão a acontecer – e a acabar. Então, virão as coisas boas e ruins, e boas e ruins. E nossas vidas seguirão os caminhos normais do amadurecimento. Isso nos tornará normais, e não nos fará nem um pouco especiais. Porque nós somos comuns.

Nós somos comuns, a procura de pessoas comuns, de empregos comuns, de vidas comuns. Às vezes, aparecerão mulheres melhores, empregos melhores, dias melhores. O bom senso diz para que não deixemos escapar essas oportunidades, mas sabemos que nem sempre isso está a nosso alcance. O que podemos fazer é... seguir a vida.

Desculpe o tom duro destas palavras. Mas quero que você saiba (bem como preciso me lembrar) que, como diz a frase, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Se conseguirmos ter isso em mente, conseguiremos o que muita gente de nossa idade não consegue: manter os pés no chão. Pena que isso não é fácil, e as descobertas nem sempre vêm da maneira simples como gostaríamos.

Fique bem, meu caro. Aliás, fiquemos bem.

Um abraço,

Pequeno

Por EMANUEL NOVAES às 11:12 PM
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