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Eu juro que tento falar pouco de futebol!


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viernes, julio 04, 2008
O INDESCRITÍVEL PRAZER DE UMA ENDOSCOPIA

Tirei boa parte das minhas férias para, como faz todo senhor da minha idade, me submeter a um check up. Um monte de exames, de consultas, de médicos. Dia desses, fui fazer um que particularmente me agrada: a endoscopia.

Foi a terceira da minha vida, a primeira sem ser motivada por dores estomacais que preocupassem. Admito que não foi tão boa quanto a primeira, mas não foi tão apática quando a segunda. Como esta última foi normal e a segunda – feita em São Paulo – foi bastante sem graça, vou contar como foi a primeira, feita em 2003. Afinal, como diz o chavão, a primeira vez, a gente nunca esquece.

Eu havia acabado de sair do colegial, com toda aquela pressão para passar no vestibular – embora eu mal tivesse condições de passar de ano. Não passei em nada e fui fazer cursinho, onde toda aquela pressão revelou uma gastrite nervosa. Na época, mal conseguia entrar nas aulas do cursinho: saía da sala, ficava deitado por um tempão em algum lugar, até tomar coragem e pedir para meu pai me buscar. Parei de freqüentar as aulas e perdi um semestre.

Foi bom para me aproximar de alguns dos meus melhores amigos, mas foi ruim ter que passar tanto tempo em médicos que não chegavam a um acordo sobre minhas dores de estômago. Tive que eu mesmo pedir para o médico marcar uma endoscopia e olhar o que se passava nesse estomagozinho cheio de graça.

A recomendação era (e ainda é) para ficar de jejum desde a noite da véspera do exame. Assim, acordei cedo, não tomei café da manhã e fui levado por minha mãe para o hospital. Lá, conversa vai, conversa vem, e fui levado para uma sala, com um daqueles maquinários hospitalares, uma mangueira (opa!), uma mesinha e uma cama. Sob a cama, um balde de lata, que me levou a pensar os terríveis reflexos que meu corpo poderia ter quando colocassem aquela mangueira garganta abaixo.

Foi quando o médico me avisou que eu seria sedado para fazer o exame. Menos mal, mas eu ainda tinha (muito) medo de acordar com aquela sonda entrando pela minha boca, como um figurante de ‘Alien’. Mesmo assim, aceitei a injeção de sedativo que a enfermeira aplicou em meu braço. Logo depois, ela borrifou um anestésico no fundo da minha boca e pediu para que eu engolisse.

Em poucos minutos, minha glote (ou algo que valha) parou de responder. Eu não conseguia mais engolir nada. Deu MUITO desespero. Não que eu achasse que ia morrer ou coisa parecida, mas é realmente um pavor quando seu corpo não responde a uma ordem do seu cérebro. Mas o medo passou, o sedativo agiu e eu apaguei.

Perdi a noção do tempo. Não sei quanto tempo demorei para dormir, nem quanto tempo passei deitado ali. Mas acordei bem – com a exceção da dor na garganta, equivalente ao efeito esperado após o braço do Mike Tyson descer pelo seu esôfago para buscar alguma coisa lá dentro. Mesmo assim, garanto ter tido uma das melhores ‘noites’ de sono da minha vida. Afinal, eu havia dormido oito horas à noite, e mais umas cinco pela manhã.

Logo descobrimos que se tratava de uma gastrite, devidamente tratada. Voltei ao cursinho, passei no vestibular no ano seguinte (após mais um ano de cursinho), e tive mais uma ou duas crises. Nenhuma tão grave quanto a de 2003, nem com exame tão agradável como o da ocasião.

Ah, saudosa endoscopia...

Por EMANUEL NOVAES às 11:05 AM
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jueves, junio 12, 2008
DIA DOS NAMORADOS

A vida tem mesmo dessas coisas. Eu poderia ter sido um moleque mais aplicado e tentar virar jogador de futebol - talento no gol não faltava. Mas a timidez e o relaxo não permitiram. E eu tive que estudar.

Estudar nada! Quase repeti o segundo e o terceiro colegial. Química? Matemática? Física? Decidi fazer jornalismo, mas não conseguia passar em uma faculdade que pedisse mais do que a assinatura com o polegar.

Fiz cursinho. Tive gastrite. Ganhei grandes amigos. Pensei em Direito, Gastronomia, Administração, Economia, Arquitetura, Veterinária... Até em Medicina! Decidi pelo Jornalismo mesmo - especialmente depois de ganhar elogios nos textos.

Aí quase apareceu a chance de ir para Curitiba, fazer universidade federal. Não rolou, mas rolou a chance de trocar o Interior por São Paulo. Era a oportunidade de uma vida.

Deixei minha mãe chorando na rodoviária e vim para São Paulo, mesmo sem conhecer quase ninguém. Conheci mais gente, comecei a estudar e comecei a trabalhar. Quase quatro anos de faculdade.

Nesses quatro anos, fiz ótimos amigos e arrumei um puta emprego. Porém, quando eu já pensava na vida profissional, apareceu alguém que resolveu mudar ainda mais minha vida. Para melhor.

É claro que todos nós temos problemas na vida, mas todos nós também temos muito o que comemorar. Hoje, posso dizer que sou feliz - apesar de ter passado por tanto aperto. Tenho uma carreira legal, pais maravilhosos, amigos incomparáveis e um futuro.

Mas acima de tudo, tenho uma namorada ímpar. Encontrei a mulher da minha vida. Minha metade. Aquela que a gente sempre imagina, sempre espera. Pra ouvir música, ver filme embaixo da coberta, beijar, abraçar, trocar apelidos, fazer cócegas, apresentar ao pais, almoçar junto no domingo. Em quem você pensa quando está com ela, quando está em casa, quando anda na rua. Aquela por quem você jura que pode fazer qualquer coisa!

Enfim, encontrei alguém que me faz feliz, e com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Meu coração achou sua dona. Encontrei a mãe dos meus filhos. Aquela com quem eu quero crescer e envelhescer.

Sim, todos têm problemas. Mas eles serão bem menores quando você encontra alguém que te complete. Hoje, a vida me ensinou a ser um cara bom, e eu tenho que ser grato a meus pais, a Deus, e a meus verdadeiros amigos. Mas no futuro, quando eu for um homem melhor, serei grato a ela. Aliás, desde já, obrigado, Sam.

E como não ser grato a tudo isso?

(Está no meu Orkut. A todos, sozinhos, ou encontrados, um feliz 12 de Junho.)

Por EMANUEL NOVAES às 1:49 AM
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domingo, junio 08, 2008
EXCESSO DE LUZ

Alguém aí tem medo do escuro? Se sim, não sabe apreciar o quanto são legais aquelas vezes em que acaba a luz em casa. De preferência, à noite, em uma daquelas tempestades bem fortes.

Não me lembro ao certo quando foi a última vez em que eu estive em casa e que caiu uma daquelas chuvas monstruosas, de derrubar a energia elétrica e tudo mais. Mas lembro de algumas vezes muito legais – em todas, por sinal, eu estava na casa dos meus pais, em Presidente Prudente.

OK, o meu nomadismo em São Paulo (foram quatro endereços em três anos e meio) ajuda a não lembrar de ocasiões recentes. Mas de uns tempos pra cá, a “força” não cai mais mesmo. Aliás, desde que eu comecei a faculdade, não me lembro de uma mísera queda de energia – e olha que eu estou quase me formando.

Noves fora, as boas lembranças de dias sem energia elétrica não são de dias, mas de noites. Todas lá pelos 13 anos. Todas com chuva forte, em que meu pai acendia umas três ou quatro velas e distribuía pela casa. Ele tinha uma na sala, minha mãe tinha uma no quarto e uma devia ficar na cozinha. Minha irmã e eu passeávamos pela casa feito zumbis empolgados. Quando o céu terminava de cair, dava até para ligar para a Caiuá (a EletroPaulo prudentina) pra ver se tinha previsão de retorno. Nada.

Era aquele silêncio, em que éramos obrigados a conviver sem TV, sem computador, sem rádio. Éramos apenas nós, e isso era ótimo! Apesar da falta de comunicação a médias distâncias, as conversas – ainda que isoladamente – costumavam ser boas, a ponto de eu sentir falta hoje de noites sem energia elétrica em casa. Será que realmente precisamos tanto de TV assim?

Quando a luz voltava a se acender na sala, todos sentiam o mesmo alívio. Nós quatro podíamos voltar a ligar a TV, acender a luz e tudo mais que nos afastava. Acabava aquela agradável trivialidade. A vida seguia seu curso, sem medo de estragar coisas na geladeira ou de tomar banho frio.

No fundo, o que nós precisávamos mesmo era que a luz caísse mais vezes.

Por EMANUEL NOVAES às 10:44 PM
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